Oficina Brennand
A Oficina Brennand é diferente de qualquer coisa encontrei no Recife, quiçá no Brasil. O ateliê do ceramista, escultor e pintor Francisco Brennand foi transformando durante quase 50 anos em uma espécie de vila-museu. Tem mais de mil obras suas distribuídas entre galpões e jardins: ovos, serpentes, figuras mitológicas, pássaros bizarros, referências poéticas e históricas alternadas com figuras eróticas e formas fálicas. O artista criou um universo único e em constante transformação até sua morte, em 2019.
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A Oficina Francisco Brennand é incrível, capaz de gerar encantamento e horror, paz e desconforto. Fica longe de qualquer barulho da cidade, em um terreno gigante com amplos gramados e passarinhos cantando. Se der fome, tem um bistrô e cafeteria no local, junto a uma pequena loja de peças produzidas ali.
Reserve cerca de duas horas para a atração, sem contar o tempo de deslocamento, e observe que a atração não abre nas segundas-feiras. Mas atente que a oficina não fica nas zonas turísticas de Recife. Dá 15km do centro e 18km de Boa Viagem, incluindo um trecho em estrada de chão. Abaixo, a gente traz o serviço com preço dos ingressos e dicas para chegar.
O que eu fiz e recomendo bastante é ir ide manhã na Oficina Francisco Brennand e de tarde no Instituto Ricardo Brennand, a coleção gigantesca de obras de arte e armas brancas do seu primo, que só abre de tarde. Ambos ficam para o mesmo lado de Recife.
Oficina Brennand: como é a visita
Você vê a arte de Francisco Brennand desde que põe os pés na capital pernambucana, é dele a Torre de Cristal no estuário do porto e todas as obras do parque de esculturas sobre o arrecife, tem até painéis gigantescos em shoppings. Mas caminhar pelo sua oficina-museu é a melhor forma de entrar pelo menos um pouquinho na mente desse gênio.

O famoso artista pernambucano montou seu ateliê ali em 1971, ocupando as ruínas de uma fábrica de tijolos e telhas que pertenceu ao seu pai. Era onde produzia suas famosas cerâmicas, esculturas e algumas pinturas, também. Parte das obras, ele vendeu, mas parte, usou para compor pátios, jardins, templos, galpões, galerias ali na localidade de Mata da Várzea. Chamou esse complexo de Cidadela, e encheu de referências poéticas e históricas, evocando narrativas sobre a origem do mundo.
Tem mais espaços, mas esses são os que a gente relacionou indispensável para você conhecer. Você também pode usar esse mapa para se localizar por lá.
Pátio de Entrada
É o amplo gramado que você encontra assim que entra no complexo, na frente dos galpões centenários. As esculturas os Comediantes (1981) dão as boas-vindas aos visitantes. No círculo central, está a Vênus sequestrada (1988), posicionada no meio de uma fonte cercada por 12 cabeças de pelicanos.
Perto do muro, há ainda uma estátua em homenagem a João Fernandes Vieira e Pássaros Rocca de 2007, com corpos anatomicamente desconstruídos. As pilastras do muro são intercaladas por sentinelas que protegem a Oficina Francisco Brennand desde 2004.
Pátio do Templo
É o meu espaço favorito, uma espécie de corredor majestoso de esculturas ao ar livre. Presta atanção na muralha Mãe Terra e nas inscrições que trazem. "O final é imprescindível em todas as coisas" é uma das mensagens.
O templo em si posiciona-se ao centro da Cidadela e celebra o Ovo como seu coração, ou sua forma primordial, em referência à origem dos seres e aos processos de reprodutibilidade da vida vinculados à fauna, à flora e a uma multiplicidade de elementos que narram a criação de mundos. Lembrando que no interior da Torre de Cristal, do Parque de Esculturas Francisco Brennand, também tem um ovo alegórico.

Salões de Esculturas
Imperdíveis também, localizados dentro dos pavilhões da antiga fábrica de tijolos. Conta com mais de 500 obras, entre dez ambientes expositivos distintos. As caixas de som tocavam uma música que parecia religiosa quando eu visitei, o que contrastava com algumas peças que reproduziam corpos dilacerados, decapitados e disformes, com bastante erotismo.

Até os antigos fornos foram transformados em galerias de arte, com uma vibe bem intensa, é verdade. O artista curtia fazer suas esculturas de barro, por causa da aparência antiga — dizia que ja saia, do forno com milhares de anos.

Praça Burle Marx
Esse jardim foi projetado para a Oficina pelo mais famoso paisagista brasileiro, Roberto Burle Marx, o mesmo que concebeu o Calçadão de Copacabana, no Rio de Janeiro, os Jardins do Itamaraty, em Brasília, e muitas outras obras.

Com uma composição original de plantas nativas de 13 espécies botânicas, espelho d’água e formas sinuosas que contornam o chão. O ambiente reúne muitas esculturas de animais e murais que retratam a natureza, como Paraíso perdido (1989).
Templo do Sacrifício
O Templo do Sacrifício é um dos lugares meio chocantes, que resgata a memória de povos originários vitimados por guerras colonialistas e grandes navegações. O lugar é uma recomposição de ruínas abertas de um antigo galpão, e os muros são cercados por figuras semelhantes a caveiras. No local, também está um altar em memória de Francisco Brennand. No centro, há a escultura de um albatroz. Na entrada, fica a Place Paul Gauguin, em celebração ao artista francês que passou parte da vida na Polinésia.

Mais uma dica: Se durante seu passeio pela Cidadela, você vir um QR Code ao lado de uma obra, dá para scanear e transformar o celular em um de áudio-guia. Há pelo menos 10 histórias contadas pelos próprios personagens das esculturas, é bem lúdico.
Café Brennand e loja
O Brennand Café, localizado a alguns paços da bilheteria, funciona muito bem para um lanchinho depois da visita às belas esculturas do artista. E uma cafeteria barra bistrô, o cardápio que inclui saladas, massas, carnes, peixes, sanduíches.
Mas eu fiquei de olho mesmo nos doces do balcão, especialmente no bolo goiaba e em outro de cupuaçu com chocolate branco. Como tinha planos de almoçar em outro lugar, tive que ir embora com vontade.
O café também serve como loja de peças que ainda são produzidas na oficina de Brennand. Tem ovos, bolas, garrafas e outros itens, a partir de R$ 360 até mais de R$ 1 mil. Quando eu fui, ainda tinha uma e outra peça assinada pelo artista à venda, essas na casa dos R$ 10 mil.

Você pode ver as opções e fazer encomendas de peças ainda produzidas no local pela internet, por meio desse site. Toda a renda é revertida na manutenção da Oficina.
Ingresso para a Oficina Francisco Brennand
É cobrado ingresso para visitar a Oficina Francisco Brennand, pode ser adquirido na bilheteria local. Esses são os valores do começo de 2026:
- Inteira geral R$ 50
- Meia geral R$ 25
- Inteira para moradores de Pernambuco: R$ 40
- Meia para moradores de Pernambuco: R$ 20
A visitação ocorre de terça a domingo, das 9h às 17h, com entrada até as 16h.
Bilheteria da Oficina Brennand
Como chegar à Oficina Brennand
A Oficina Brennand fica a pelo menos 15km da região central de Recife, e é difícil estimar o tempo da viagem em razão do trânsito carregado da capital pernambucana.
De carro, é preciso acessar a Rua Gastão Vidigal no final da Avenida Caxangá, no bairro da Várzea e virar à esquerda na Rua Diogo de Vasconcelos (observe a sinalização). Os últimos 2 quilômetros são de estrada de chão, bem esburacados. Tem estacionamento na entrada.
Eu fui e voltei de transporte por aplicativo, e a minha dica é tentar via 99 quando o Uber estiver muito caro. Até fiquei com receio de não conseguir corrida no retorno, visto que a atração fica mais afastada. Demorou um pouco, mas consegui um carro, que estava justamente deixando uma passageira por ali.
Se você precisa ir de transporte público, pode seguir as dicas dos site oficial. Mas atente que será necessário mudar de ônibus e caminhar os 2km finais.
Jéssica Weber
Jornalista apaixonada por mato e praia, interessada na história dos lugares, na arquitetura das cidades e em comida, é claro.