Onde comer no Recife
Descobrir onde comer no Recife foi a minha missão mais deliciosa da viagem. A comida nordestina já seria um bom motivo para pegar o avião, mas a capital pernambucana também tem restaurantes maravilhosos de frutos do mar, carnes, massas, sem falar dos botecos de respeito.
Nesse post, a gente traz sugestões de restaurantes em Recife e também uma lista de pratos e quitutes típicos nordestinos que você precisa provar.
Bolo de noiva no café do Instituto Ricardo Brennand
Onde comer em Recife: nossas sugestões de restaurantes
Para ficar mais fácil de você se localizar, a gente vai separar os restaurantes por região: Boa Viagem, Pina, Centro, Recife Antigo e outros. As sugestões estão todas neste mapa:
Restaurantes em Boa Viagem
Para conhecer a comida regional em Boa Viagem, o Parraxaxá vai virar seu restaurante favorito. Em um ambiente todo temático, com garçons vestidos como cangaceiros, serve um bufezão de comida nordestina. Como é a quilo, dá para experimentar várias coisas diferentes sem gastar um rim — se você for moderado, é claro. Não seja principiante: veja primeiro todo o bufê antes de começar a por comida no prato.

Lá você encontra pratos como baião de dois, arrumadinho, sarapatel, uns pratos de peixe (quando eu fui, tinha posta de cambucu ao molho de coco), e também coisas menos exóticas, tipo filé de frango e saladas.
Mas o que ganhou meu coração foi a seção de sobremesas. Se tiver pudim de rapadura come por mim, aquilo é divino! Também tinha brigadeiro de cachaça, rapadura batida, pudim de queijo, canjica, quebra queixo, queijadinha, bolo de rapadura e por aí vai.

O Chica Pitanga também é outra opção para quem quer comida nordestina. Parte do dia a dia dos pernambucanos desde 1995, serve almoço em estilo bufê a quilo e jantar à la carte com toques de brasilidades.
O pernambucano também ama caranguejo, e um dos melhores lugares para se lambuzar com o fruto do mar é o Escritório Zona Sul. Tem caranguejo "água e sal", vendido por unidade, mas também tem ao coco e à moda da casa, casquinha de caranguejo e até pirão de caranguejo. Mas não tem só isso, também tem filés, paella, moqueca, camarão, picanha e mais muita coisa.
Se a ideia é comer um hambúrguer enquanto prova vários tipos de chopes e cervejas artesanais, a dica é o BeerDock. O lugar é bem despojado, com ambiente mais escuro de pub dentro e várias mesas ao ar livre.

Eu falei de hambúrguer, mas o tamanho do cardápio de petiscos é impressionante, serve de torresmo e croquete a burrata e carpaccio, passando por carne de sol e costelinha barbecue. E tem música ao vivo quase todo dia, veja a programação. Foca mais em rock e pop, mas pode ter outros ritmos também.
Se você quer uma pegada mais boteco mesmo, a Cia do Chopp na Avenida Conselheiro Aguiar tem o feliz o slogan: "Desde 1984, boteco para beber, comer e ser feliz". E atravessando a rua, você encontra o Barchef Boteco, com cerveja gelada, drinks e uma petiscagem bonita demais. Eu imaginei que era um bar mais raiz, mas os pratos com frutos do mar parecem obras de arte, pela apresentação. Ah, e vale dar um confere na programação musical.
Para quem quer ter várias alternativas em um lugar só, o Shopping Recife é a solução. Conta com cerca de 90 operações de alimentação, entre espaços na praça de alimentação e restaurantes como Outback e Coco Bambu. É bastante coisa mesmo.
Já eu não sou muito fã de comer em shopping, prefiro mil vezes comer um bom lanche na Feirinha de Boa Viagem. Tem a parte de artesanatos/presentes e a de comidas, onde encontrei tapioca, pastel, acarajé, castanha de caju, bolo de rolo e tortas diversas (maracujá, banoffee, Óreo e uma coberta por morangos com um nome curioso, Boca de Confusão). E me refresquei com um copão de caldo de cana espremido na hora.

Nesse canto, também tem lanchonetes fixas, de cachorro quente, pastel, hambúrguer, e uma pizzaria chamada Billy Hot, que faz pizzas no forno à lenha. Vende fatias para comer por ali, de pé, ou levar para casa. Eu experimentei a portuguesa, é daquelas pizzas mais simples mas bem recheadas, curti.
Mais uma última dica, bem rapidinho. O melhor bolo de rolo, segundo os próprios recifenses, pode ser encontrado na Casa dos Frios, que tem unidade em Boa Viagem. É um empório gourmet com padaria própria e serve alguns pratos para levar também.
Restaurantes na Praia do Pina
Tem restaurantes bem legais na região da Praia do Pina, inclusive na Avenida Boa Viagem, a via à beira-mar.
Ali, eu almocei no restaurante de comida portuguesa Tasquinha do Tio, que foi recomendação de queridos amigos recifenses. Naquele dia, minha barriga não estava muito boa e eu acabei pedindo uma canja de galinha — me surpreendeu muito que eles tinham até isso. Mas não me contive e pedi um pastel de nata de sobremesa, valeu o risco.

Além dos pratos de bacalhau, o Tasquinha tem diferentes pratos de filé, sanduíches e frutos do mar. O ambiente não chega a ser chiquérrimo, mas tem alguma sofisticação, eu não iria direto depois da praia. E o ar-condicionado é uma bênção.
Não muito longe dali, também na Avenida Boa Viagem, você encontra o Entre Amigos Praia. O menu tem forte foco em frutos do mar e pratos brasileiros — tem bobó, massas, risotos, peixes... Ele até que tem vista legal para a praia, a varanda é um lugar agradável para um encontro com amigos, como o nome do restaurante sugere. O cardápio de caipiras especiais também merece destaque.

Quem quer várias opções no mesmo lugar, pode ir no Shopping RioMar. Tem muitas opções de comida, cerca de 70 operações do segmento gastronômico. Quando eu visitei, tinha Camarada Camarão, Madero e alguns restaurantes italianos interessantes. Estão distribuídos por diferentes áreas, no Espaço Gourmet, no Boulevard de Restaurantes ou na praça de alimentação.
Restaurantes na região central
Se a ideia é comer em um restaurante tradicional de Recife, vá ao Leite, perto do Centro de Cultura de Pernambuco. Inaugurado em 1882, era o restaurante mais fino da região naquela época. Senhores de engenho e políticos frequentavam vestindo paletó e gravata, suas senhoras desfilavam a mais requintada moda de Londres.
Segue tendo alguma pompa: toalhas brancas com desenhos de folhas quase imperceptíveis, colunas em arcos cobertas de madeira e espelho na altura dos olhos, cortinas pesadas que se transpassam. Um piano de calda está posicionado perto da porta da cozinha, por onde passa a todo momento algum garçom de paletó branco com um prato exalando canela.

É que para comer cartola, o Leite é o melhor lugar de Recife — logo, do mundo? A sobremesa tipicamente pernambucana (banana caramelizada, coberta por queijo manteiga derretido e polvilhada com açúcar e canela) é servida com um capricho único. Custava R$ 24 em 2025.
Eu já sabia que sobremesa pedir antes de pôr os pés no Leite, mas decidi na hora por um dos pratos do dia, Garoupa a Recife. Um peixe suculento, com uma fina camada de castanhas por cima (paguei R$ 98). Só não gostei muito do acompanhamento, porque não vejo muita graça em arroz de brócolis e batata. Mas eu que pedi errado.
Por lá você encontra pratos à la carte de vários tipos de frutos do mar (camarão, polvo, salmão, bacalhau), também filés e carré de cordeiro. Ah, atente que não abre aos sábados. Curiosidade: o nome do restaurante não tem nada a ver com o alimento leite, vem do sobrenome do fundador mesmo.
Perto dali, tem outro restaurante famoso, o São Pedro Restaurante, que serve frutos do mar no Pátio de São Pedro. Mas assim, por mais que tenha igrejas históricas importantes, eu não achei área muito aprazível para o turista. Não dê bobeira com o celular na mão se resolver caminhar por lá.
Em direção ao cais, tem um outro restaurante tradicional de frutos do mar, na frente do excelente Novotel Recife. O Bargaço conta com ambiente amplo e sofisticado com vista para o Rio Capibaribe. Tinha até um saxofonista tocando Frank Sinatra quando fui — chique!

As moquecas de peixe ou camarão são o carro-chefe e chegam à mesa fumegando. Já li elogios também ao polvo, e fiquei tentada pelo camarão na moranga. Mas como os pratos eram pensados para duas pessoas e eu fui sozinha, acabei achando o restaurante bem caro (entre restaurantes que, como você pôde ver, já não são baratos).
Eu acabei pedindo uma entrada, o mix do chef. Vinha tomatinho, azeitonas, pão, camarão, filé de agulha, acarajé e bolinho de bacalhau, crocante por fora e macio por dentro. Custou R$ 109 em 2025.

Restaurantes no Recife Antigo
Se você pretende comer no Recife Antigo, tem pontos que concentram vários restaurantes e bares, como os Armazéns do Porto, ao lado do Marco Zero; os entornos da Praça do Arsenal, que é o point da vida boemia do bairro; a Rua da Guia e a Avenida Rio Branco, especialmente entre a Rua da Guia e o Marco Zero.
Foi exatamente ali que eu almocei, no Armazém Rio Branco. Tinha um violinista tocando Arlindo Cruz e outras brasilidades na porta. O teto era coberto por bandeirinhas com as cores da bandeira de Pernambuco, tinha o rosto do boneco Homem da Meia Noite pendurado na parede, cangaceiros e outras decorações bairristas.

O atendimento foi ótimo e muito rápido, a comida era boa e o preço, mega justo: por um executivo de arrumadinho de charque, paguei R$ 31 em 2025. Eu achei o prato um pouquinho seco, mas estava saboroso e bem servido, eu não dei conta.
Pedi uma cocada de forno e torci o nariz quando vi que veio uma marmitinha, ou seja, não era feita lá. Mas, caramba, que delícia. Embaixo, estava deliciosamente encharcada de leite condensado. Fui atrás da autora dessa obra de arte, uma tal Emilia, segundo a etiqueta, mas acabei não achando em outro lugar. Tomara que ainda sirvam ela no Armazém na minha próxima passagem por Recife.
Ao entardecer, eu só queria um petisco e uma cerveja gelada. Acabei não achando lugar para sentar na rua nos bares da Praça do Arsenal — a Venda Bom Jesus tinha música ao vivo e era o mais animado de todos, mas eu também estava doida para conhecer o bar Teatro Mamulengo.
Então fui direto para outro clássico recifense, na esquina da Rua Mariz e Barros com a Avenida Rio Branco. A Bodega do Véio é um botecão raiz, daqueles com parede coberta de garrafas e baleiro gigante no balcão. E quem fez a playlist que tocava merece elogio, era Maria Bethânia, Kleiton e Kledir e um monte de música velha boa. Gente de todas as faixas etárias frequenta esse lugar.

Eu pedi um clássico nordestino: uma porção de carne de sol. Ali, ela vem com batata frita, mas eu queria com macaxeira (aipim, mandioca) e eles acataram meu pedido, custou R$ 50. Também tinha bolinho de bacalhau, sarapatel, caldinho, pastel, e parece que de meio-dia servem feijoada, dobradinha e mais algumas coisas. Vende cerveja de 600ml também (aí sim!).
Se você quer um rolê mais arrumadinho, tem um restaurante com bela vista no terraço do Centro Cultural Cais do Sertão. O Cais Rooftop Lounge é talvez o melhor lugar para ver o pôr do sol no Recife Antigo. Ele tem boas avaliações, mas uma amiga comeu lá e não gostou, então acabei indo só para um drink mesmo.
Tem mesas cobertas, mas repare que se a ideia é ficar na área externa, do bar, eles costumam cobrar ingresso. Eu paguei R$ 30 em um sábado, varia dependendo do dia.

Restaurantes para conhecer em outras regiões
Esses restaurantes aqui não ficam nas áreas turísticas, mas valem o deslocamento.
Localizado no bairro nobre de Casa Forte, em frente a uma praça muito bonita, o Nez Bistrô é o restaurante perfeito para um jantar romântico. É um ambiente iluminado por velas e luzes indiretas, com um jazz ou outra música calma tocando em alguma caixa de som, baixinho, e um cheiro doce no ambiente.

Eu fui por indicação de uma amiga com um bom gosto em que confio 100% — é o restaurante favorito dela em Recife. Ela indica o petit gâteau de queijo para entrada, mas como eu fui sozinha, pedi direto o prato principal.
Fui de coração de filé-mignon grelhado, envolto em um delicado molho de cogumelos salteados e finalizado com um toque defumado, que faz toda diferença. O acompanhamento era nhoque de batata artesanal, gratinado em um cremoso molho de Grana Padano. Custou R$ 149 em 2025.

Outra sugestão do chefe era o Confit de Pato ao Molho de Laranja. A coxa é confitada em baixa temperatura por 16 horas, servida com mil-folhas de batata, molho de laranja cítrico e maçã fuji assada com perfume de alecrim. Custava R$ 109.
O Nez aceita reservas até 20h. Se você optar por não reservar, tente chegar cedo. Do lado do bistrô, tem o Le Faux Nez, um café e bar com uma pegada bem mais descontraída, ótimo para levar os amigos.
Agora, se você for visitar o maravilhoso Instituto Ricardo Brennand, é uma ótima ideia almoçar no Castelus Restaurante, a poucos metros da bilheteria. É um dos restaurantes mais renomados de Recife, e os pratos ficam na casa dos R$ 100 por pessoa.

Tem um cardápio completo de carnes, pescados, mas eu fui de massa mesmo. O nome do prato era Cordeiro a camponês, mas era um ravioli de queijo de cabra (amo!) com ragu de paleta de cordeiro marinado por 48 horas e cozido em técnicas de slow cooking e molho de vinho branco e folhas de hortelã. Estava bem saboroso.
O ambiente segue a mesma linha de decoração do instituto, que tem os museus dentro de réplicas de castelos medievais. É uma construção tijolos aparentes e janelas arqueadas. Ah, também estava rolando apresentação de um pianista quando eu fui, muito agradável.

O que você precisa provar no Recife
A cozinha pernambucana é miscigenada e foi influenciada pelas cozinhas portuguesa, africana e indígena, e também pela proximidade com o mar e o sertão. Nos cardápios da cidade não faltam pratos típicos regionais (como peixadas e moquecas), além dos pratos mais fortes, herdados dos sertanejos (como buchada de bode, carne de sol, dobradinha, charque, sarapatel, galinha à cabidela, etc).
É comum ver pratos diferentes já no café da manhã dos hotéis: macaxeira com carne de sol, tapiocas recheadas e cuscuz fazem parte do café nordestino. E não acaba por aí. Recife é, ainda, um excelente local para tomar caldinhos, experimentar o queijo coalho com mel de engenho e o tradicional bolo de rolo. A minha missão pessoal ao por os pés na cidade era encontrar o melhor.
As minhas sugestões do que você deve provar:
Bolos
Eu podia ficar a tarde inteira falando sobre eles, Deus abençoe as boleiras pernambucanas. O mais famoso é o bolo de rolo — e imbatível, na minha humilde opinião. Mas tem outros que você pode provar para fazer valer a viagem ao Recife.
- Bolo de rolo (foto à esq.): leva uma massa fininha enrolada com recheio de goiabada, servido em fatias delicadas. O mais famoso é o da Casa dos Frios, que também faz com recheio de chocolate e de doce de leite. É patrimônio cultural imaterial de Pernambuco.
- Bolo de noiva (foto à dir.): é escuro, denso e aromático. Ele leva frutas secas, castanha de caju, ameixa, vinho ou licor, especiarias como canela e cravo e costuma ser preparado com antecedência, para “curar” e ficar ainda mais saboroso com o tempo.
- Bolo Souza Leão: Feito com massa de mandioca, açúcar, manteiga e leite de coco. Tem textura cremosa e molhada que nem parece de bolo. É um bolo histórico, ligado à aristocracia pernambucana do período colonial.
- Bolo pé-de-moleque: Diferente do pé-de-moleque de amendoim de outras regiões. Aqui é um bolo escuro, feito com massa de mandioca, açúcar mascavo, castanha de caju e especiarias. O gosto do açúcar mascavo predomina, eu amei.
Cartola
É basicamente banana frita com queijo, açúcar e canela. É servida quentinha e, às vezes, com uma bola de sorvete ao lado. Se ainda não conhece, precisa provar.
Como a gente já comentou, a cartola mais famosa de Recife fica em um dos restaurantes mais antigos do país, o Leite. O queijo quase não oferece resistência à faca, de tão macio, e abraça a banana como se fosse uma coisa só. E olha o esmero com que é servida por lá:

Carne de sol
Apesar de ser associada ao sertão nordestino, a carne de sol foi totalmente incorporada à cozinha recifense. É servido qualquer hora do dia, do café da manhã à janta. Muitos restaurantes da cidade trabalham com versões bem macias, menos salgadas e preparadas na manteiga de garrafa ou na nata.
Mas eu fui na porção de carne de sol cortadinha em cubos mesmo. Na Bodega do Véio, ela vinha com batata frita, mas eu queria com macaxeira (aipim) e eles acataram meu pedido. Pedi uma cerveja gelada para acompanhar.

Mugunzá
É bem comum em cafés da manhã. Eu encontrei na versão doce, feito com milho branco, leite de coco, açúcar e especiarias como canela e cravo. É tipo uma papinha, o gosto do cravo sobressaia bastante na que experimentei.
É um prato bem cremoso, servido quente ou morno. Existe também o mugunzá salgado, feito com milho, carne seca, linguiça e temperos, mais presente em outras regiões do Nordeste.

Caldinho de feijão
A entradinha mais popular de Pernambuco, faça o calor que fizer. Gaúcha que sou, não estava acostumada com a iguaria — pelo menos não com uma tão elaborada. Pedi uma cumbuquinha e fui descobrindo carne seca, azeitona e até ovo de codorna tinha dentro hehe.
Mas gostei, está aprovado. Ah, e não estranhe se vir a galera comendo caldinho no boteco ou mesmo na praia mesmo.
Jéssica Weber
Jornalista apaixonada por mato e praia, interessada na história dos lugares, na arquitetura das cidades e em comida, é claro.