Ilha de Santo Aleixo
A Ilha de Santo Aleixo é um dos bate-volta favoritos de quem tira férias em Porto de Galinhas. Acessada por lanchas e barcos que partem da Barra do Sirinhaém, a pequena ilha tem pouquíssima estrutura. Basicamente só barracas de comida com guarda-sóis — nem banheiro público tinha quando visitei. Mas compensa com belezas naturais e um ambiente mais preservado que a maioria dos destinos dessa região pernambucana.
Cercado por vegetação, o mar na Ilha de Santo Aleixo costuma ser calmo e clarinho, e também tem uma piscina natural cheia de peixes. Importante destacar que a ilha é propriedade particular, em um longo processo de inventário indefinido. Dizem que tem uma casa no seu interior, mas eu não vi nem vestígio, apenas cercas delimitando até onde turistas podiam circular. Ainda assim, é possível explorar praticamente toda a sua orla.
Como já dá pra desconfiar, não tem nenhum tipo de hospedagem por ali, então é um passeio de um dia mesmo. E não me parece uma boa ideia se estiver chovendo, justamente por não ter um restaurante ou qualquer outra construção coberta.
Nesse post, a gente te explica como chegar, dá ideia de preços e conta tudo sobre nossa experiência em Santo Aleixo.
Ilha de Santo Aleixo: onde fica e como chegar
A Ilha de Santo Aleixo faz parte do município de Sirinhaém e fica entre Porto de Galinhas e Praia dos Carneiros. Os barcos e lanchas para acessá-la normalmente partem da Barra de Sirinhaém, 35km ao sul de Porto de Galinhas. Do Aeroporto de Recife, fica a 75km de distância.
A gente foi de carro pegando PE 051, PE 060 e PE 061, as estradas são asfaltadas mas tem uns trechos bem esburacados. O legal é que passam entre canaviais a perder de vista.
Paramos o carro em uma rua próxima ao píer da Barra de Santo Aleixo, mas também tem estacionamentos pagos nessa região — o que eu vi custava R$ 20. Se você não estiver motorizado, pode orçar um transfer privativo com alguma agência de turismo, ou mesmo contratar um passeio que já inclui o deslocamento.
É preciso comprar a travessia de lancha ou barco até a ilha com uma empresa de turismo, essa parte a gente explica a seguir:
Como é quanto custa para chegar à Ilha de Santo Aleixo
O passeio à Ilha de Santo Aleixo tem duração aproximada de 5 horas, contando a travessia de lancha partindo da Barra de Sinharém, o tempo de permanência na praia e o retorno ao píer. Ele precisa ser contratado com uma empresa de turismo.
Eu paguei R$ 100 em setembro de 2025, já incluído o aluguel de guarda-sol e cadeira. Fechei com a Monteiros Tour e ocorreu tudo a contento, mas tinha nove receptivos fazendo a travessia. Não perca a hora: o embarque ocorria das 9h às 10h30min, por ordem de chegada.
Até dá para comprar o passeio na hora. Mas se você já tem certeza que vai, é uma boa fazer reserva antes, para não correr o risco de se deslocar até Sinharém e não ter mais vaga. Fiz na manhã do passeio o contato por WhatsApp e a transferência de 50% do valor, daí paguei o restante quando cheguei ao receptivo.
É raro, mas pode acontecer de o passeio ser cancelado em casos de vento muito forte, que gera ondas altas. As chances aumentam no mês de agosto.
O ponto de encontro era na sede da empresa, e o grupo caminhou junto uma quadra até chegar no rio. A gente fez a travessia com uma lancha menorzinha, levou uns 10 ou 15 minutos. Especificamente a ida até a ilha foi radical, não vou mentir. E como eu gosto de emoção, ainda fui sentada na frente, para me sentir montando um gigantesco boi bravo de água. Era cada pulo, não tive nem coragem de tirar o celular do bolso para fazer imagens. E todo mundo já chegou na ilha molhado — mas eu adorei.
Os horários de retorno são informados pelo receptivo no começo do passeio e dependem do horário que você embarcou. Mas vale saber que pelas 15h as barracas começam a encerrar a atividade e vira clima de fim de festa.
Praias de Santo Aleixo
A ilha não é grande, tem cerca de 30 hectares e duas praias. Eu ouvi diferentes versões de nomes, mas os guias chamam a enseada onde os barcos atracam de Praia da Frente e a outra, localizado no outro lado da ilha, de Ferradura. É nessa última que se formam piscinas naturais a poucos metros da orla.
Para ir até a Ferradura, tem uma passagem cercara de árvores na ponta Sul da praia de Fora, de pouco mais de 50 metros. É coisa de dois minutos para atravessar.
O passeio também incluía uma trilha guiada sobre as pedras no sudoeste da ilha, que era basicamente um caminho mais longo para chegar à Ferradura. Também daria para explorar essa área e fazer belas fotos por conta, tomando sempre cuidado com ribanceiras e pedras escorregadias. Ah, e não entre na água fora das duas praias que eu enumerei, pode ser perigoso.
Mas eu gostei da experiência porque o guia era hilário. Cacau Show o apelido dele, transformou a breve caminhada numa experiência humorística. E ainda vendia uma boa cocada.
Praia de Fora
É nessa praia que você deve desembarcar, é uma orla com areia fofinha (e algumas pedras), que fica mais larga ou estreita dependendo da maré. Também chamada de Praia dos Pernambucanos, é ali também que ficam as barracas de comida e os guarda-sóis com cadeiras ofertados aos turistas — cada receptivo, tem parceria com uma barraca diferente. Ah, e tinha música ao vivo quando eu fui. Era um cantor apenas com sua voz e violão, mas dava conta de animar o público ao redor com música brasileira boa.

A cor da água é muito bonita, tem um tom meio verde-azulado, mas preciso alertar que tinha bastante alga quando eu visitei. Também era necessário entrar com calma, por causa das pedras no fundo do mar. Vi um rapaz batendo em cheio com o pé e me solidarizei com sua dor, coitado. Nessa praia, também tem moto aquática e passeio de banana boat, aquela boia gigante em formato de banana puxada por lancha.
Tinha ouvido falar que o preço da comida não era o mais camarada, mas resolvi almoçar por lá mesmo e não me arrependi. Eu fui em um prato mais econômico, isca de peixe com fritas, arroz, feijão e salada. Saiu por R$ 165, estava bem gostoso e podia alimentar bem duas pessoas. Para gastar menos, só se você levar lanche junto.
Ah, e tomara que você tenha a chance de ver esses esquilinhos fofos. Estavam se deliciando na quenga de cocos descartados.

Praia da Ferradura
Também conhecida como Praia Holanda, é acessada por uma trilha curtinha a partir da Praia de Fora, de pouco mais de 50 metros. Ela tem ainda menos estrutura que a primeira, apenas poucos guarda-sóis com cadeiras em um trecho. E em uma das pontas, tinha um vendedor ambulante com uma caixa de som poderosa (e bem inconveniente).
Tem bastante rocha na praia, então vale usar sandálias. As piscinas naturais ficam logo junto à orla, você não precisa pegar jangada nem nadar para acessá-las. A galera compra pacotinhos de ração para atrair os peixes e fazer fotos. A maré baixa é quando a água fica mais clarinha, mas os turistas seguiram aproveitando o mar enquanto a maré subia.
Vale subir no morro ao lado para ter essa vista da praia, fica ainda mais bonita desse ângulo:
Se vale a pena o passeio? Acho que se você tem pelo menos cinco dias em Porto de Galinhas ou Carneiros, vale sim, é uma programação diferente, com uma pitada de aventura e recompensa gostosa. Inclusive, foi a coisa que a minha mãe mais curtiu em Pernambuco, acredita? Espero que possamos voltar um dia.
Volte para o guia de Porto de Galinhas
Jéssica Weber
Jornalista apaixonada por mato e praia, interessada na história dos lugares, na arquitetura das cidades e em comida, é claro.