Dicas de Porto de Galinhas
Essas dicas de Porto de Galinhas podem salvar sua viagem! Elas têm a ver com escolha das datas, da localização, dos passeios e outras decisões de planejamento que só devem melhorar sua experiência neste paraíso pernambucano!
7 Dicas de Porto de Galinhas: o que você precisa saber antes de viajar
1. É preciso observar a tábua das marés
"Tábua de marés" não é uma expressão muito divertida, não deve ser a coisa que você mais deseja consumir nas férias. Mas é importante dominá-la logo, porque ela vai ditar o horário dos seus passeios e a melhor hora para pegar praia. Vale até mesmo consultá-la antes de marcar a data da viagem, para garantir a melhor experiência.
Isso porque as piscinas naturais, que são a principal atração de Porto de Galinhas, se formam durante a maré baixa. É que o nível do mar tem que estar rasinho para que você consiga tocar o pé no chão e enxergar a vida marinha. Quando a maré sobe, os jangadeiros recolhem as velas e encerram os passeios. Com a maré baixa, as praias também ganham mais faixa de areia, e o mar fica mais cristalino e calminho.

Nas semanas de lua cheia e lua nova, a variação entre a maré alta e a maré baixa é maior. Nesses períodos, a maré baixa atinge alturas mínimas (perto de 0,0 m a 0,1 m), e a maré alta, as máximas (até cerca de 2,5 m). Nessas luas, as marés baixas ficam mais rasas, e são as melhores épocas para viajar para o Nordeste (é quando as marés altas ficam mais cheias também, mas daí você curte a piscina ou passeia na vila).
Isso não significa que não existam passeios às piscinas naturais de Porto de Galinhas nas luas crescente e minguante, mas a experiência será diferente. Como a maré mais baixa nesses períodos se aproxima de 1 m, a água passa sobre os recifes — o mergulho é excelente, mas não dá aquela sensação de aquário natural. E pode ser que você precise acordar bem cedo para conseguir fazer o passeio, pois há menos tempo de operação por dia.
Para verificar como estará a tábua de marés durante a sua viagem, entre no site da Marinha e escolha o porto mais próximo (que de Porto de Galinhas é Suape). Os valores mais altos da tabela indicam a altura da maré no momento em que ela atinge o ápice da maré cheia. Os valores mais baixos indicam o ponto mais baixo da maré baixa, com o respectivo horário de seca. Os próprios jangadeiros indicam a maré até 0,5 m como o ideal. Também há sites e aplicativos de clima que mostram o cronograma das marés.
Ah, isso é independente da época do ano, viu? Não importa se é verão ou inverno.
2. Inverno é o período chuvoso na região
Para delírio dos viajantes, o calor típico do Nordeste brasileiro está presente o ano todo em Porto de Galinhas. Mas o clima sofre variações com o passar das estações, e a principal é que tende a ficar chuvoso no inverno.
Eu evitaria viajar entre abril e agosto, justamente por causa das chuvas. Maio e julho têm mais de 150 mm de acumulados por mês, e junho chega a quase 200 mm ao longo de 19 dias chuvosos, segundo a média histórica. Isso num destino de praia pode gerar bastante frustração.
Mas lembre-se de que o tempo é inconstante e, mesmo durante uma viagem nesse período, bons dias de sol podem acontecer. E você poderá encontrar hospedagens mais baratas — pelo menos um lado bom, né?! Eu pegaria um bom hotel justamente para aproveitar a chuvinha, em vez de condená-la, e assim relaxar.
3. Carro ajuda, mas já dá para se virar de Uber
Uns anos atrás, a gente diria que, para aproveitar bem Porto de Galinhas, seria importante alugar um carro chegando em Recife, sobretudo se você se hospedasse longe da Vila de Porto de Galinhas, distante dos restaurantes e bares.
Com a chegada do Uber ao destino, alugar um carro está mais ligado ao conforto do que à necessidade, oferecendo também autonomia para conhecer outras praias da região, como Praia dos Carneiros e Ilha de Santo Aleixo. No entanto, é possível fazer uma viagem mais barata com Uber mesmo, especialmente porque, para aproveitar o dia em Muro Alto, Cupe e Pontal de Maracaípe, normalmente há custo de estacionamento.
Mas é claro, Uber tem o fator da espera e também a possibilidade de uma tarifa dinâmica intragável com a qual, se você estiver de carro, não vai nem se preocupar. Veja todas as nossas dicas no post Transportes em Porto de Galinhas.
Quem não está de carro e quer conhecer outros destinos da região pode contratar excursões de um dia partindo de Porto de Galinhas. Clique nos links para ver os preços:
- Excursão a Maragogi
- Excursão à Praia dos Carneiros
- Excursão a Recife e Olinda
- Excursão às praias de Cabo de Santo Agostinho
4. Quando se trata de hospedagem, há dois Porto de Galinhas
Quando o assunto é hospedagem, podemos dizer que há dois "Portos de Galinhas". Parece um pouco estranho definir dessa maneira, mas, na realidade, a visão do distrito de Porto e as atividades diárias dos visitantes são influenciadas pela opção de hospedagem escolhida.
Nannai Muro Alto.
Há o Porto de Galinhas dos megaresorts e o Porto de Galinhas das pousadas. Quem opta por um resort, com valores de diárias mais salgados, muitas vezes se restringe às próprias atrações do estabelecimento durante a viagem: utiliza a praia e a estrutura do resort e faz suas refeições no local, sem participar tão ativamente das atividades da vila.
Muro Alto é uma referência quando falamos de grandes estruturas:
Já na Vila de Porto de Galinhas, você encontrará hotéis menores e pousadas mais simples (mas não necessariamente baratas).
A escolha do hotel deve considerar o tipo de praia desejada. Nem todas são calmas, e algumas podem ter ondas fortes. Veja o post onde ficar em Porto de Galinhas para ler as dicas completas.
Ah, e mais uma coisinha: não deixe para reservar na última hora. Porto de Galinhas é um dos destinos mais populares do Nordeste e fica a apenas 50 km da capital pernambucana e de seu aeroporto. Mesmo fora da temporada, pode estar cheia de gente. Eu me antecipei em mais de um mês e ainda assim tive dificuldade para conseguir as hospedagens que queria no final de semana.
5. Prepare o bolso para os passeios pagos
Os rolês pagos mais tradicionais do destino são o passeio de buggy em Porto de Galinhas, uma forma divertida de conhecer as praias e pontos turísticos no mesmo dia, e o passeio de jangada para as piscinas naturais da vila. O primeiro tem um preço único por veículo (custava em torno de R$ 400 para até quatro pessoas), e o segundo custava R$ 60 por pessoa (em 2025). Eu acho que vale o investimento.
Há outros dois passeios de jangada no Pontal de Maracaípe, que costumam custar o mesmo que na vila: o das piscinas naturais do pontal, feito no mar durante a maré baixa, e o passeio de jangada pelo rio, com observação de cavalos-marinhos, mais interessante na maré alta. Eu fiz esse último ao pôr do sol, para ter a experiência completa.

Passeio de observação de cavalos-marinhos no Pontal de Maracaípe.
Também há jangadeiros no Muro Alto, que percorriam um trecho paralelo à orla e faziam uma parada na muralha de arrecifes. Mas ali não vi muito sentido, uma vez que a piscina natural é acessada diretamente da praia. Pelo menos era mais barato: R$ 40 por pessoa em 2025.
Dica extra: leve o chinelo junto na jangada, para não machucar os pés nos arrecifes.
6. Até dá para chegar à piscina natural caminhando, mas não é tão legal
Quando a maré está bem baixa, menos de 0,4 m, dá para ir caminhando até as piscinas naturais de Porto de Galinhas com água até a barriga, ou até mais alta. Antigamente, era cada um por si e Deus por todos nessa travessia, mas quando visitei, a prefeitura já estava controlando o acesso.

Servidores da Agência Municipal de Meio Ambiente ficavam junto à praia organizando uma fila com as pessoas interessadas em ir até os recifes andando. Eles distribuíam pulseiras identificativas e liberavam o acesso para grupos de 30 pessoas, que só podiam ficar 15 minutos sobre os recifes.
Não sei se vale a espera, ainda mais para ter um tempo tão minguadinho nas piscinas; provavelmente você nem conseguirá mergulhar nelas, apenas observar.
7. Dá para fugir da muvuca, mesmo na Praia de Porto de Galinhas
A Praia da Vila, ou Praia de Porto de Galinhas, é a mais conhecida e movimentada do destino. Ela pode ficar cheia em qualquer época do ano, ainda mais no verão e nos finais de semana. Não ajuda o fato de a faixa de areia ser estreita, e ela fica ainda mais reduzida na maré alta.
Não é uma praia para quem quer relaxar: tem muita gente, muito vendedor e barulho, e até artistas de rua com caixa de som se apresentando na faixa de areia. A minha dica para fugir do agito é caminhar um pouco, se afastar mesmo do núcleo da vila — em direção ao Sul, tem o Ancoradouro dos Piratas (foto abaixo), onde o movimento é bem mais tranquilo e há essa vista do belo mar de Maracaípe, emoldurado pelos coqueiros.
Se você caminhar em direção ao norte, também encontrará uma faixa de areia mais espaçosa. O mar nessa área pode ter ondas; por isso, as escolinhas de surfe ficam por ali. Caminhando alguns quilômetros por essa enseada, você chega à Praia do Cupe.
Dica extra: Comerciantes enchem a areia de guarda-sóis e cadeiras na Praia de Porto de Galinhas. Muitos agem assim: deixam que você ocupe gratuitamente desde que consuma algum prato, que dificilmente tem um preço muito amigo. Portanto, pergunte como funciona antes, e fique atento a cobranças abusivas dos equipamentos.
Jéssica Weber
Jornalista apaixonada por mato e praia, interessada na história dos lugares, na arquitetura das cidades e em comida, é claro.