Amsterdã
Jéssica Weber Jornalista apaixonada por mato e praia, interessada na história dos lugares, na arquitetura das cidades e em comida, é claro.

Vida Noturna de Amsterdã

A capital holandesa segue igualmente linda depois que o sol baixa, é uma delícia caminhar por suas pontes românticas iluminadas com luzinhas ou postes antigos. Mas a noite em Amsterdam consegue ser agitada também.

A cidade tem bons bares, com destaque para os brown cafes, como são chamados os pubs típicos holandeses. Sem falar que de noite os coffeeshops lotam com apreciadores de cannabis e curiosos. A gente traz sugestões de ambos mais abaixo.

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Noite em Amsterdam: os principais points

Especialmente na primavera e no verão, quando as temperaturas sobem um pouco mais, os acontecimentos pipocam pela região central. E três regiões são especialmente interessantes à noite em Amsterdam. A mais particular é o Red Light District, ou distrito da Luz Vermelha, nas imediações da Oude Kerk.

Ela é famosa em razão das vitrines de prostituição, harmoniosamente diluídas entre labirintos de prédios residenciais, hostéis, cafés, bares restaurantes e canais lindíssimos. O Red Light District também está cheio de coffeeshops.

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O Rembrandtplein é outro lugar que ferve durante a noite. A praça de Amsterdam, que homenageia um dos pintores holandeses mais importantes de todos os tempos, é cercada por bares e casas noturnas. E no inverno ainda ganha uma pista de patinação.

Por fim, mas não menos importante, há a Leidseplein. A praça é cheia de mesas e sombreiros gigantes, aumentando muito mais a oferta de lugares dos bares, e por ali também tem coffeeshops e baladas.

Uma coisa muito massa de Amsterdam é que ela é muito "caminhável", mesmo à noite. Levaria aproximadamente meia hora a pé para passar pelos três points que citei.

Bares em Amsterdam

Ao pensar em Amsterdam, você sente sede de quê? Cerveja, né?! A verdade é que quem vem à Holanda no intuito de saborear uma bebida de qualidade não se decepciona, pois além das já consolidadas Heineken e Amstel, vai encontrar cervejarias menores, além de marcas belgas e alemãs.

  • Beer Temple: a poucos passos da Praça Dam, é considerado um dos melhores bares de Amsterdam para tomar uma boa cerveja. Lá são servidos dezenas de tipos diferentes de cerveja "na pressão", estilo chopp, ou em garrafas, com foco em Ales e Lagers americanas.

  • Bierfabrik: também fica a poucos metros da Praça Dam. É um bar com cervejas artesanais da marca própria em um espaço informal, com mesas por todos os lados, petiscos, música e muita gente, especialmente nos finais de semana. Uma das atrações da casa são as tap tables, mesas com torneiras de chopp ideais para grupos.

  • Brouwerij ’t IJ: a tradicional cerveja holandesa servida em um ambiente mais típico, impossível: um dos moinhos de Amsterdã. É um pouco mais deslocado do centro, mas o visual faz valer a visita.

  • Delirium Amsterdam: um amplo bar que fica a poucos minutos de caminhada da estação central de trens, tem um cardápio repleto de entradas e pratos deliciosos e muitos, mas muitos rótulos de cerveja.

Brown Cafes em Amsterdam 

Esses são os pubs tradicionais de Amsterdam, que se parecem um pouco com os pubs londrinos. O termo brown (marrom) se refere à cor escura das paredes e do mobiliário, que seria resultado do uso de tabaco e do desgaste ao longo dos anos. Costumam ser lugares decorados com madeira por todo lado — balcão, mesas, bancos — e iluminação fraca.

Além de ser um dos bairros com os canais mais bonitos, o Jordaan tem excelentes brown cafes. O Cafe T'Smalle é um dos bons. Lá eu sentei no balcão mesmo, com o nariz nas torneiras de cerveja, e mesmo assim pedi uma garrafa de cidra — um novo vício adquirido na viagem. Estava tocando primeiro um blues, depois um rock pesado.

Mesmo com os 12 graus que fazia, tinha gente sentada nas mesinhas simpáticas da rua, com vista para o cana. Mas olha o charme dessa mesinha, se não parece te transportar para o século passado:

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O Cafe Chris estava mais cheio e animado, para não dizer lotado mesmo. Dois bartenders se viravam nos 30 pra atender todo mundo ao redor de um balcão de madeira de uns 3 metros, com canecas de toda sorte penduradas no teto. Tive que beber na rua por obrigação, mas logo consegui um banquinho em uma mesa compartilhada, onde tentei ler um jornal holandês cedido aos clientes. As cervejas servidas ali eram Amstel mesmo, eu experimentei uma bock sazonal só para me certificar de que não é minha praia.

Outro brown cafe massa que eu visitei foi o In ‘t Aepjen, que fica entre o Red Light District e a estação Amsterdam Centraal. Localizado em um dos edifícios mais antigos da cidade, datado de 1475, seu anexo era uma taverna no século XVII, mas o térreo só se tornou um café em 1990.

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O nome significa “Nos Macacos” e faz referência à era de ouro do Império Holandês. Reza a lenda que marinheiros que frequentavam o local naquela época ofereciam seus macacos como pagamento.

Também ouvi ótimas recomendações do Gollem's Proeflokaal, que tem dezenas de cervejas (boa parte, belga), comida saborosa, muitas delas preparadas com a cerveja como ingrediente, além de um ambiente alto astral. Tem até música ao vivo em alguns dias da semana. Na dúvida sobre qual tipo de cerveja escolher? Peça a opinião dos garçons superespecialistas na bebida, você não vai se arrepender!

Eu também preciso sugerir o bar que te teletransporta para mais longe no tempo. Nos fundos da Niewue Kerk, o De Drie Fleschjes existe desde — pasmem — 1619. Eu me senti entrando em uma taverna do período medieval.

Quando chegar, você vai se deparar com 50 barris e com uma exibição de jarras com retratos dos prefeitos de Amsterdam — não me pergunte o porquê. Peça um genever, que a gente também conhece como gim holandês, um destilado fortíssimo com infusão de zimbro. O meu Bols Jonge Graangenever, o garçom encheu até o talo do copo, junto de uma cerveja — me explicaram que era para ir intercalando, um gole de um, um gole de outro.  

Mas também tem pelo menos 35 licores diferentes, cervejas, vinhos, cidras. O cardápio fica escrito em uns pedaços de madeira em um varal. Só atente que esse bar não fica aberto até tarde: abre por volta das 14h e fecha lá pelas 20h30.

Coffeeshops em Amsterdam

Eu imagino que o nome possa causar confusão, mas coffeeshop em Amsterdam diz respeito ao lugar para comércio e uso de drogas leves, mais especificamente maconha e haxixe. Uma das redes mais tradicionais é a Bulldog. Eu visitei a loja The First (a primeira) do Red Light District, onde o negócio começou em 1975.

A decoração é mais divertida que na maioria dos coffeeshops, com muita cor, poltronas com estampa de couro de vaca e recadinhos de clientes pendurados em folhinha de seda nas luminárias. No porão, é vendida a maconha em si, no andar de cima, eles vendem bebidas e edibles, que são comidinhas que levam cannabis, como o space cake ou space picolé. CUIDADO: eles parecem inofensivos, mas podem bater ainda mais forte do que os produtos fumados. Ah, e leva mais tempo para causar efeito, o que pode ser bem ardiloso.

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O legal dessa loja é que conta um pouco da luta dos proprietários pela legalização, das multas pesadas exibidas na parede à laranja do "orange raid alarm". A fruta que era lançada pelo bartender do andar de cima para alertar os traficantes do porão quando tinha alguma batida policial, de 1975 a 1982.

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Outros coffeshops interessantes ali perto são o Greenhouse Effect e o 420 Coffeeshop. Ambos contam com um bom atendimento e uma atmosfera mais sóbria, onde muita gente vai, inclusive, para fumar sozinha. Se você não tem sua seda e piteira ou se não saberia o que fazer com a erva, dá para pedir um baseado já bolado (pre-rolled). Se você não tiver isqueiro, vai ter que comprar ou pedir emprestado.

E mesmo que você quiser entrar só de curioso, que tal pedir uma bebida? Os coffeeshops costumam vender drinques e mesmo bebidas quentes — eu pedi um chá, para viver o meme completo. Ah, lembre-se de que fumar maconha na rua não é permitido.

Baladas em Amsterdam

Ao redor da Rembrandtplein, a Escape é uma das mais famosas. Também tem o Club Smokey e o Club Prime. A uma quadra, fica a Air Amsterdam, e, na direção contrária, a rua Reguliersdwarsstraat é considerada a rua LGBT em Amsterdam.

A Leidseplein também tem baladas no entorno, por ali há a Lovelee, a Jimmy Who e a Backdoor, que é uma balada gay. Também tem bares com shows musicais, tipo o The Waterhole, que parece mais focado em rock, e o Jazz Café Alto, com nome autoexplicativo. 

Esses são os points mais famosos, mas eu não boto minha mão no fogo por eles hehe. Eu acho difícil recomendar balada, porque eu mesma não sou muito chegada e sei que depende muito do estilo de cada um. Também vale ficar de olho na programação de festivais de Amsterdam, que é uma referência em música eletrônica.

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