São Miguel dos Milagres é perfeita para quem tem só um desejo nas férias: relaxar à beira do mar mais clarinho do Nordeste. Localizada a uma hora e meia de Maceió, a chamada Rota dos Milagres tem 23km de praias e sossego. Em alguns trechos, você só vê o oceano, areia e coqueiros.
Milagres era um segredo bem guardado do litoral alagoano, mas tem despontado em feeds de famosos e roteiros de lua de mel. Hospedagens baratas são raras: o que ocupa a orla são pousadas de charme e hotéis boutique elegantes, que quase se camuflam na natureza. Milagres é um destino de exclusividade sem ostentação.
E tem esse mar, né... Não é filtro, nem milagre. É Milagres, com letra maiúscula. E o abençoado é quem tem viagem marcada para lá.

São Miguel dos Milagres - o que você precisa saber antes de viajar
São Miguel dos Milagres faz parte da chamada Rota Ecológica dos Milagres, no litoral norte alagoano. A rota é composta pelos municípios de Passo de Camaragibe, São Miguel dos Milagres e Porto de Pedras, que ficam coladinhos um no outro, você mal repara que atravessou os limites. Tem cerca de 10 praias nessa região, sendo que as mais famosas são São Miguel dos Milagres, Praia do Toque, Praia do Marceneiro e Patacho.
Essa região conta também com muitas piscinas naturais, acessadas por meio de jangadas na maré baixa. Isso porque faz parte da Costa dos Corais, que é maior unidade de conservação marinha costeira do Brasil.
Vendo as fotos, Milagres parece o paraíso, mas tem algumas coisas que você precisa saber para viajar com as expectativas alinhadas. O destino tem hotelaria de alto padrão que oferece tudo que você precisa, mas da porta para fora, a estrutura ainda é muito limitada.
Seguem as minhas primeiras dicas:
- Vale investir em um bom hotel: Eu sei, a gente está sempre falando que o hotel faz a diferença na viagem. Mas no caso de Milagres, o hotel será praticamente a viagem. Não tem muita coisa para fazer além de pegar praia em Milagres, a estrutura à beira-mar é limitada e a cidade não tem um centrinho como Jeri ou Trancoso. Eu mesma pretendo voltar só depois de juntar um dinheirinho para pegar uma pousada pé na areia, com serviço de praia para curtir uma das praias mais bonitas do Brasil com conforto.
- Ter carro é importante: a não ser que você queira ficar a viagem toda no hotel (pegar praia no hotel, almoçar e jantar por lá), ter um carro é essencial. Pelo menos quando eu viajei, em fevereiro de 2026, ainda não tinha transporte por aplicativo e os táxis eram poucos e caros. A recepção do meu hotel ligou para cinco taxistas quando eu precisei e nenhum podia me buscar. Acabei andando de moto-táxi (esses sim, mais comuns e em conta).
- Não tem um "centrinho" — mas já melhorou: uma das lacunas do destino era a falta de um "centrinho" gostoso de passear. Mas recentemente foi construída a Vilinha do Marceneiro, é um trecho de pouco mais de 100 metros da avenida principal (AL-101) com lojinhas padronizadas e restaurantes. É pequeno, mas tem um comércio interessante e é bem fofo. Na cidade de Porto de Pedras, a concentração de lojas de artesanato fica na localidade de Palmeira, também na 101. Aproveite e visite a Guajá Vila Gourmet.
- Consulte a tabela de marés: Qualquer que seja o mês da sua viagem, é importante estar atento à Tábua de Marés. Dá para pegar praia em qualquer maré, mas é especificamente na maré baixa que se formam as piscinas naturais de Milagres. Quanto mais próximo de 0, melhor, e o passeio de jangada ocorre até 0,7m de maré, aproximadamente. É raro dia que não tem passeio, mas pode ser que saia super cedo de manhã.
Hotel Mahre, na praia de São Miguel dos Milagres
Clima em São Miguel dos Milagres
Milagres é um destino de calor constante, então você pode curtir o mar em qualquer época do ano. MAS tem uma época com maior probabilidade de chuva, e é entre abril e agosto. O mês que mais chove por lá, estatisticamente é julho. Isso não impede que você pegue bons dias de praia, porque muitas vezes as chuvas são passageiras. Mas é coisa que só São Pedro pode garantir.
A média de temperatura na cidade gira em torno dos 27ºC no verão e 25ºC no inverno, com máximas chegando aos 31ºC e não baixando dos 23ºC. A região costuma ter um ventinho constante, que ajuda a amenizar o calor.
| mês | tEMP MÍNIMA (MÉDIA) | TEMP. MÁXIMA (MÉDIA | MÉDIA DE CHUVAS |
| Janeiro | 24°C | 28°C | 73mm - 15 dias |
| Fevereiro | 24°C | 29°C | 75mm - 14 dias |
| Março | 24°C | 29°C | 90mm - 17 dias |
| Abril | 24°C | 28°C | 120mm - 17 dias |
| Maio | 23°C | 27°C | 156m - 18 dias |
| Junho | 23°C | 26°C | 175mm - 19 dias |
| Julho | 22°C | 25°C | 164mm - 19 dias |
| Agosto | 22°C | 25°C | 110mm - 18 dias |
| Setembro | 22°C | 26°C | 75mm - 15 dias |
| Outubro | 23°C | 27°C | 60mm - 14 dias |
| Novembro | 23°C | 28°C | 45mm.- 11 dias |
| Dezembro | 24°C | 28°C | 45mm - 12 dias |
O verão é o período mais seco, mas tenha em mente também que é justamente a alta temporada em Milagres, especialmente entre o final de dezembro e fevereiro, quando o preço das hospedagens tende a subir. É um dos destinos mais desejados do Nordeste no Réveillon também, em razão de um evento fechado com ingressos acima de R$ 2 mil.
Você lê todas as nossas dicas no post quando ir a São Miguel dos Milagres.
Como chegar a São Miguel dos Milagres
O aeroporto mais próximo a São Miguel dos Milagres é o de Maceió. São cerca de 95km de distância da capital alagoana, percorridos em pouco mais de 1h30min. Também dá para chegar em Milagres pousando pela capital de Pernambuco: o destino fica a cerca de 4h de Recife. É mais distante, mas tem gente aproveita para visitar também destinos como Porto de Galinhas, Praia de Carneiros ou Maragogi.
Tem van que sai da rodoviária de Alagoas, tem excelentes opções de transfer privativo também, mas a gente acha mais vantajoso alugar carro porque ele também será de grande utilidade para você poder explorar toda a região e visitar praias diferentes ao longo da sua viagem.
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Se você estiver em Maragogi, a distância é de de cerca de 30km se você opta pela balsa para atravessar o rio Manguaba. Em dias de muito movimento, esse serviço pode demorar um tantinho, então a alternativa é ir até Japaratinga, a Porto Calvo e entrar em Porto de Pedras. Esse caminho dá cerca de 70km, com estimativa de 1h30min.
A gente traz todas as dicas no post como chegar em São Miguel dos Milagres.
Hotéis e pousadas em São Miguel dos Milagres
Tendo em vista que São Miguel dos Milagres é um destino simples e pequeno, pode ter gente que pensa que as hospedagens seguem essa mesma premissa. Mas não é bem assim.
Na orla, Milagres tem só pousadas de charme e hotéis boutique, espaços com ótima estrutura, mas preços meio salgados. As pousadas mais baratas ficam perto da avenida principal (AL-101) ou nos pequenos povoados. Não são áreas com muito apelo turístico, não espere uma vilinha bonita como em Jericoacoara ou na Pipa. O aluguel de casas em condomínios também tem ficado mais forte na região.
A gente se hospedou em um hotel boutique e em uma pousada de charme, em fevereiro de 2026. O Mahré Hotel, na praia de São Miguel dos Milagres mesmo, tem bangalôs enormes com piscinas privativas e um projeto arquitetônico de uma elegância que conversa com a paisagem. O restaurante do hotel é um diferencial, com cardápio é assinado pelo Masterchef Profissionais de 2018, Rafa Gomes.
No trecho mais pacato e bonito da Praia do Riacho, eu me hospedei na Pousada Haya, um luxo também. Os bangalôs ali tem uma proposta mais aconchegante, alguns com piscina privativa, como dá para ver na foto abaixo, mas o ponto alto, na minha opinião, é a piscina de uso compartilhado com borda infinita a poucos metros do mar. Eu não sabia se mergulhava na piscina, se me atirava no mar ou se ficava nas espreguiçadeiras beliscando os petiscos do restaurante Banami. Para descargo de consciência, fiz tudo.
Outra característica de Milagres é que não é um destino de resorts, o Nannai será novidade, rede já tinha um resort em Muro Alto e um hotel em Fernando de Noronha. Mas a estrutura não deve destoar tanto do restante da rede hoteleira, pois também tem a proposta de ser integrado à natureza.
Leia todas as dicas no post onde ficar em São Miguel dos Milagres.
O que fazer em São Miguel dos Milagres
No mapa, a gente marca as praias e os pontos turísticos que trazemos abaixo, para você conseguir se localizar.
1. Praias da Rota dos Milagres
Os restaurantes na beira da praia não são tantos e boa parte das vezes pertencem a pousadas, que geralmente requerem reserva e/ou atendem apenas seus próprios hóspedes. Também tem algumas opções de beach clubs, com pagamento de day use (a gente descreve eles em um tópico abaixo). Uma dica importante é não se prender aos limites da cidade e também visitar o litoral dos municípios vizinhos, que são próximos e facilmente acessíveis com carro.
Praia do Marceneiro
A gente tem um post inteiro sobre as Praias de São Miguel dos Milagres, mas segue um resumo para você conseguir visualizar melhor:
Praia de São Miguel dos Milagres:
Praia do Toque
Praia de Porto da Rua
Praia do Riacho
Praia do Marceneiro
Praia do Patacho
Praia de Lages
Praia de Tatuamunha
2. Passeio de jangada pelas piscinas naturais de Milagres
Tem piscinas naturais espalhadas pela Rota Ecológica dos Milagres, especialmente na Praia de São Miguel dos Milagres e na Praia do Toque, na Praia do Marceneiro e no Patacho. A forma mais comum de chegar nelas é em passeios de jangada — você vai ver dezenas delas colorindo o mar.
Piscinas naturais se formam quando arrecifes criam uma espécie de barreira em relação ao mar aberto. Com a maré baixa, essas formações impedem que a água escoe rapidamente, criando áreas de água calma e mais morna — uma verdadeira piscininha, um amor. Parecem aquários naturais, com peixes coloridos, ouriços e outras formas de vida marinha. Sem falar na cor da água, que parece ainda mais cristalina.
Diferente de destinos como Porto de Galinhas, na Rota dos Milagres não tem um guichê onde você compra o passeio, nem é tabelado. Ali, você pode agendar com o jangadeiro indicado pelo seu hotel, ou contratar o passeio diretamente na praia mesmo — sempre tem alguém oferecendo. Mas, normalmente, os passeios duram em torno de 2 horas.

Me ofereceram por diferentes valores: R$ 70 por pessoa em Porto da Rua, R$ 80 no marceneiro, chegou a R$ 100 na Praia do Toque. Alguns passeios oferecem paradas para pular em poços mais fundos, outros ficam nas piscinas e bancos de areia mesmo. Vale ouvir o itinerário que cada jangadeiro faz antes de escolher.
Também tem passeios privativos de jangada, onde você alinha o tempo de permanência, a piscina visitada, tem até opção de almoço no meio do mar. O pedro e a esposa fizeram um banquete de frutos do mar que o Pedro e a esposa para o meu grupo de jornalistas, o vinagrete de polvo foi o melhor que já comi.

Para ver as piscinas naturais em sua plenitude, o ideal é visitar o destino durante o período de maré mais baixa, quando o mar fica mais rasinhos e as piscinas aparecem. Quanto mais próximo de 0, melhor, e o passeio de jangada ocorre até 0,7m de maré, aproximadamente.
As melhores condições se dão nas luas nova e cheia, quando a variação de marés no mesmo dia (é quando tem a maré mais alta, mas também a maré mais baixa, que nos interessa nesse passeio). Nas luas crescente e minguante, o nível do mar deve estar um pouco mais alto. É raro dia que não tenha condição para passeio de jangada, mas pode ser que saia super cedo de manhã.

Na foto, a Piscina do Amor, na Praia do Marceneiro, com a maré já no limite
Se você tem dúvidas do melhor horário, vale perguntar para os jangadeiros que oferecem seu serviço na beira da praia, talvez já deixar marcado para o dia seguinte ou outro dia da viagem. Também pode ver com o jangadeiro se é possível fugir do ápice do movimento de turistas, podendo curtir as piscinas com menos gente. O bom de Milagres é justamente ter acesso a atrações mais vazias e menos exploradas.3. Vilinha do Marceneiro
Na região da Praia do Marceneiro, foi construído recentemente um espaço gostoso para os turistas jantarem e baterem perna — a falta de um "centrinho" era uma das maiores lacunas dessa região. Dá para deixar o carro na rua mesmo, gratuitamente, e bater perna por ali a partir do final da tarde.

A Vilinha Marceneiro é um trecho de pouco mais de 100 metros da avenida central (AL 101) onde foram erguidas lojinhas coloridas e restaurantes, pontos padronizados com charme e bom gosto, com cordões de lâmpadas e telhado de palha. Não é muito grande, mas quando eu fui tinha bistrô, casa de parrilla, hamburgueria, pastelaria, sorveteria, lojas de roupas, de acessórios e de artesanato também, para diferentes orçamentos.
De comida, o destaque era a Tapioca da Elizangela, que tem mais de 90 (!) sabores, com preços de R$ 12 a R$ 50. Se a ideia é levar algum quitute para casa, Delícias Alagoanas é um empório com produtos locais, tipo cocada de forno cremosa, doces de leite saborizados, biscoitinhos, doce de mamão com coco, doce de laranja...

E se você se interessa por arte regional, decoração e artesanato de alto padrão, não pode de jeito nenhum passar pela Vilinha do Marceneiro sem entrar no Armazém Rosa Art Decor. Ali, rola de encontrar peças de artistas importantes da região e da Ilha do Ferro. Tinha carrancas do Mestre Aberaldo de R$ 1,5 mil a R$ 2,8 mil, ou dava para levar uma "lembrancinha" do mesmo artista, como esse porta xícaras de R$ 279. Já as jaqueiras de Barro são da Sil da Capela (R$ 1.200).
Se você estiver de carro e quiser variar, na cidade de Porto de Pedras, a concentração de lojas de artesanato fica na localidade de Palmeira, também na AL-101. A gente descreve melhor no post sobre o Patacho. Aproveite e visite a Guajá Vila Gourmet.
4. Passeio de buggy em São Miguel dos Milagres
Buggy é a cara do nordeste, né? Na Rota dos Milagres, tem mais de um centena de bugueiros oferecendo seus serviços para os turistas, é um dos passeios mais populares. Mas eu já vou avisando que não é permitido andar de buggy nas praias na região, e tampouco há rolê em dunas de areia: o veículo acaba andando nas mesmas ruas que um carro convencional.

Normalmente, há dois roteiros diferentes: a rota Norte, com Praia do Patacho, Praia de Lages, foz do Rio Tatuamunha e túnel verde (que é um trechinho de rua coberta por galhos de árvores, foto abaixo); ou então a rota Sul, que vai a Praia do Marceneiro, Praia do Riacho, Praia de São Miguel dos Milagres, Fonte Milagrosa e Mirante do Cruzeiro. Mas o trajeto pode variar de acordo com o pedido do cliente e do que o bugueiro sugerir.

A gente fez a rota Norte (Patacho), e a melhor dica é agendar o passeio para de tarde, já combinando com o bugueiro para curtir um banho de rio na foz do Tatuamunha durante o pôr do sol.
Leva em torno de três horas e custa a partir de R$ 300 (começo de 2026), indiferente se vai uma ou quatro pessoas. Também rola de unir os dois roteiros em um passeio de dia inteiro, negocie direto com o bugueiro. Se você não faz questão da experiência buggy — que é aquele negócio, veículo parcialmente aberto, com vento na cara, sol, chuva, o que vier —, é possível fazer os mesmos passeios agendando com um taxista. Pelo que eu orcei, os preços não diferem tanto.
5. Passeio da Associação do Peixe-Boi
A Associação do Peixe-Boi, localizada em Porto de Pedras, é um projeto de educação ambiental criado pela comunidade local e órgão de proteção que visa a sobrevivência e conscientização a respeito do peixe-boi, uma espécie de mamíferos que já sofreu muito com caçadas ao longo dos anos. O passeio é realizado na presença de um guia local e é muito interessante para pessoas de todas as idades.

O percurso começa com uma pequena caminhada, que passa por passarelas sobre o mangue ao redor do Rio Tatuamunha, seguido de um percurso de jangada pelo Rio Tatuamunha, onde, com um pouco de sorte, você poderá observar o peixe-boi em seu habitat natural.
O peixe-boi é uma espécie de mamífero que se alimenta de algas, sargaços, capim e outros alimentos naturais que se encontram nessa região do litoral alagoano — a região é uma espécie de berçário para essas espécies, que os animais visitam naturalmente e retornam para se alimentar.
Além de geralmente poder ver o animal livre, se alimentando ao longo do rio, o projeto possui também áreas cercadas, uma espécie de aquário, onde alguns peixes-bois ficam durante um tratamento ou período de cuidado maior, até estar pronto para ser liberado novamente. O passeio custava R$ 100 no começo de 2026, lembre-se de fazer sua reserva nesse site.
6. Ponte sobre manguezal no Rio Tatuamunha
Esse é um passeio rapidinho, em 20 minutos está visto. Mas é muito legal, se você estiver passando por Porto de Pedras ou fazendo o passeio de buggy na rota Norte, vale a pena parar lá.

É uma ponte de madeira para pedestres que atravessa dois braços do Rio Tatuamunha e um manguezal bem no meio. Nessa parte, você vê muitos, mas muitos caranguejos entre as raízes retorcidas do mangue. Alguns correm e para se esconder em buracos lama quando a gente passa na ponte, um nível acima.

Também vale ficar de olho no rio, vai que aparece um peixe-boi por ali? Eu não tive essa sorte, mas se você tiver, não deve passar desapercebido: chega a atingir até 4m de comprimento.
A ponte fluvial do Rio Tatuamunha tem cerca de 300 metros e fica mais ou menos um quilômetro acima da foz. Recentemente, ela foi substituída por uma estrutura mais segura, mas ainda toda de madeira, com um charme rústico.
7. Passeio de bicicleta em São Miguel dos Milagres
Para quem gosta de pedalar e fazer passeios ao ar livre, uma boa dica de passeio na região é o passeio de bicicleta na praia, feito ao longo do litoral da cidade. O trajeto pode variar, você pode fazer o itinerário que preferir ou então contratar um tour guiado para ir até a Barra de Camaragibe, atravessando de balsa o Rio Camaragibe, passando por trechos de praias isoladas e com falésias.

Como boa parte da orla de Milagres tem uma areia bem firme, é possível andar vários e vários quilômetros de bicicleta pela beira-mar. O passeio é lindo e permite conhecer mais o litoral da Rota Ecológica, mas eu já vou alertando com relação ao vento: vi gente abandonando e carregando a bike quando precisava andar contra o vento, é bem cansativo mesmo.
Os hotéis em que eu me hospedei emprestavam bicicleta gratuitamente, mas eu também vi placas anunciando o aluguel de fat bike, que é uma bicicleta caracterizada por pneus superdimensionados (geralmente entre 3,8 a 5 polegadas) e aros largos, projetada com baixa pressão para flutuar e pedalar sobre terrenos instáveis como areia, neve, lama e trilhas irregulares. Eu vi gente alugando essas bikes na Praia do Marceneiro.
8. Fonte Milagrosa
A Fonte Milagrosa é um ponto turístico discreto: é uma pequena gruta artificial com a imagem de São Miguel Arcanjo, junto a um poço com bicas onde os visitantes podem beber ou coletar a água considerada “milagrosa”. Mas é uma atração interessante porque guarda a história do nome da cidade.

Reza a lenda que um um pescador encontrou na praia um pedaço de madeira coberto de algas. Ao levá-lo até uma fonte de água para limpá-lo, percebeu que se tratava de uma imagem de São Miguel Arcanjo. Enquanto lavava a peça, a água escorreu por sua perna e curou uma ferida muito feia que tinha. A população interpretou o fato como um milagre, e a fama da água se espalhou pela região. Tanto que a cidade passou a ser chamada São Miguel dos Milagres.
A Fonte Milagrosa fica a poucos metros da avenida principal de Milagres (AL-101), em uma ruazinha pequena, mas que tem espaço para deixar o carro por alguns minutos. Se você for até lá, vale seguir por essa rua até o mirante, que descrevo a seguir.
9. Mirante Alto do Cruzeiro
O Mirante Alto do Cruzeiro conta com a vista mais panorâmica de São Miguel dos Milagres. A subida é relativamente inclinada, mas pode ser vencida tanto por carros de passeio quanto por buggies. Fica uns 300 metros depois da Fonte Milagrosa, em dois minutos de carro, você está lá em cima.

Não tem cobrança de ingresso, mas também não tem estrutura nenhuma: não há restaurante, nem banheiro, nem nada. Tem apenas uma torre com uma cruz, que explica o nome do ponto turístico, e um clareira perto do barranco, onde rola de enxergar toda a cidade do alto, o coqueiral da Praia do Tombo e o marzão azul claro de Alagoas, é claro.

10. Farol de Porto de Pedras
O farol da cidade de Porto de Pedras foi construído em 1933 e permanece ativo: ainda ajuda à navegação de embarcações no litoral norte de Alagoas. Não é possível entrar nele, quanto menos subir a torre — ele é administrado pela Marinha do Brasil —, mas rola de subir até o topo do morro onde está localizado para ver a construção de perto e apreciar a vista.
A estrutura é feita de concreto armado, com faixas horizontais brancas e pretas, e mede 36 metros de altura. Dizem que já foi o maior e o mais potente do Brasil. Como está sobre uma falésia, chega a alcançar 90 metros de altitude.
O acesso se a 400 metros da balsa que liga Japaratinga a Porto de Pedras. A vista não é totalmente limpa, tem algumas árvores que prejudicam uma visão panorâmica, mas é direcionada à foz do Rio Tatuamunha e o mar.
11. Beach clubs na Rota dos Milagres
Se você não está hospedado em um hotel com serviço de praia, ou então se está indo apenas passar o dia, pode ser uma boa ideia pagar um day use em um beach club em São Miguel dos Milagres e região.
Na Praia de São Miguel dos Milagres mesmo até tem uns beach clubs, mas são bem simples. O mais famoso da região fica na praia vizinha, do Toque. O Milagres do Toque Beach Club tem uma estrutura considerável, com grande piscina ao ar livre, áreas vip, cadeiras e guarda-sóis na praia, até música ao vivo tinha quando eu visitei, uma banda inteira. O restaurante servia mais de uma dúzia de petiscos diferentes, além de pratos executivos e opções de a la carte. Os frutos do mar são destaque, mas também tinha carnes, frango e saladas. Custava, em fevereiro de 2026, R$ 100 por pessoa (valor não revertido em consumação).
Logo ao lado, tem uma linda pousada com opção de day use também, a Wassy, com uma proposta bem mais exclusiva que o Milagres. Custava R$ 150 por pessoa, ou então R$ 500 no sistema all inclusive, com petiscos, bebidas, serviços de praia e piscina.
Tem outro que eu achei interessante na praia do Patacho. O Patacho Praia tem uma piscina bem interessante com vista para o mar, além de redário, guarda-sóis e cadeiras na areia, serviço de praia, salão coberto para o restaurante, estacionamento e, é claro, duchas. Custava R$ 70 por pessoa, para o dia inteiro.

12. Voo de Paramotor
Você já deve ter visto um paramotor sobrevoando alguma costa brasileira — ou escutado um. É um parapente motorizado com um motor barulhento e com uma grande hélice acoplada às costas do piloto, que permite aos turistas verem a praia de cima. Pois tem em Milagres também.

Eu andei de paramotor há alguns meses em Porto de Galinhas e adorei a aventura. A sensação de balançar os pezinhos livres sobre o mar é libertadora. Pena que dura tão pouquinho, em poucos minutos a gente já volta à terra firme.
São voos duplos, ou seja, você voa junto do piloto. Os aventureiros colocam um abafador nos ouvidos — um equipamento que parece um fone de ouvido, mas serve para amenizar o som. Eu também já voei de parapente "normal" e achei essa modalidade na praia bem mais tranquila, justamente porque você não precisa correr para saltar do topo de um morro.
13. Capela dos Milagres
A Capela dos Milagres foi construída em 2016 e rapidamente virou um cartão-postal da Rota dos Milagres. O dia inteiro tem turista indo até lá pela orla para tirar fotos — ela fica na ponta esquerda (Norte) da Praia do Marceneiro, a poucos metros da Praia do Riacho. Mas me deixa esclarecer algumas coisas, para evitar decepções.

A capela não é um templo católico, e sim uma fotogênica locação para eventos — inclusive, foi onde casaram Whinderson Nunes e Luiza Sonsa. Ela fica em propriedade particular e é proibido alcançá-la, muito menos entrar para tirar fotos. Apenas quem pretende fazer algum evento pode agendar uma data para ver de perto. Mas já vou adiantando que necessita de um bom capital: o aluguel tende a passar de R$ 50 mil.

Como eu estava viajando a Milagres com um grupo de jornalistas, fomos convidados para conhecer a capelinha. O que primeiro me chamou atenção foi o corredor de coqueiros que leva até a igrejinha, forma um cenário lindo. No topo, tem uma cruz simples e um pequeno sino — consigo imaginar o noivo se arrepiando ao ouvi-lo tocar, anunciando a chegada da futura esposa.

A construção tem na simplicidade sua elegância, valorizando mais a paisagem do que qualquer decoração. As janelas e a porta frontal normalmente ficam abertas durante os eventos para revelar o mar azul-claro do Recife. O chão é de areia mesmo, mas a noiva do dia tinha fechado o corredor central. Eu já fiquei pensando que jamais faria isso — que se dane o salto alto hehe.
Se você está no miolo da Praia do Marceneiro, onde ficam as barracas de comida, precisa caminhar 1,2km pela beira-mar para chegar à capelinha, no sentido Norte. Mas a foto mais bonita, na minha opinião, é tirada a partir da orla da Praia do Riacho. A capelinha se integrou perfeitamente à enseada, junto aos coqueiros, ao riozinho e ao mar.

14. Igreja Mãe do Povo e o letreiro de Milagres
Essa igreja fica distante do mar, mas compensa em história. A Igreja Nossa Senhora Mãe do Povo fica na avenida principal (AL-101), e na frente fica o colorido letreiro de São Miguel dos Milagres. E também é um charme, vai dizer?!

Ela é a terceira igreja mais antiga de Alagoas. Foi fundada entre os anos de 1637 e 1639 pelos portugueses. Dizem que serviu de refúgio para portugueses, escravos e índios durante as batalhas contra os holandeses. As imagens são de madeira de lei trazida de Portugal.
E se você passar por ali, bom saber que na rua lateral tem uma unidade da Tapioca da Elizangela, um clássico de Milagres.
15. Ver o Por do Sol na Boca do Rio Tatuamunha
A foz do Rio Tatuamunha, ou como eles chamam por lá, "boca do rio", é um lugar gostoso para visitar em qualquer hora do dia, mas fica ainda mais especial ao entardecer. Vale ir até a margem que pertence a Porto de Pedras para ver o sol se despedindo atrás de coqueiros e manguezal, enquanto pinta rio e mar com tons alaranjados.
Tem gente chega de barco ou jangada após o passeio pelo Rio Tatuamunha — famoso pela observação do peixe-boi-marinho — e termina o passeio justamente ali, para ver o pôr do sol. Também dá para ir de carro, tem ampla área de estacionamento gratuita. Tem também algumas barracas de comida e bebida no lugar.
As águas doces e salgadas se misturam na foz e, dependendo da maré, ficam ainda mais quentinha do que o mar. É uma delícia. Só tome cuidado ao entrar, pois o leito é imprevisível, pode ficar fundo repentinamente.
Restaurantes em São Miguel dos Milagres
A gastronomia de Milagres é ótima, com direito a muitos peixes e frutos do mar frescos, mas sem esquecer outras delícias do Nordeste, como as tapiocas, carne de sol e bons sucos de frutas. A qualidade dos restaurantes da cidade realmente pode surpreender para um lugar simples e pequeno.
Atente que os melhores restaurantes de Milagres pedem reserva, mesmo fora da alta temporada. Portanto, se você tem vontade de ir a algum restaurante específico, procure se antecipar e fazer sua reserva alguns dias antes.
Na última viagem ao Milagres, eu acabei almoçando e jantando nos restaurantes dos hotéis que nos convidaram. E experiência foi muito boa, viu?

A gastronomia do Mahré hotel é comandada pelo Rafa Gomes, vencedor do MasterChef Profissionais e do Iron Chef Brasil. Se eu estivesse lá agora, pediria o peixe branco com purê de banana e leite de coco, sabores muito harmoniosos.
Mas mas preciso destacar essa entrada divina: lâminas de vieira canadense, creme fraiche, pipoca de quinoa e palha de alho poró. E uma versão da sobremesa que ele apresentou na final do MasterChef em 2018, que eu pedi, sem mentira, três dias seguidos. Um cremoso de chocolate branco com coulis de maracujá que parece um carinho no paladar.
No Banami, o charmoso restaurante da Pousada Haya, o cardápio é assinado por outro chefe famoso, O chef nos deu tanta coisa boa para provar que embaralhou meu paladar. O peixe em crosta de nuts é excelente, o arroz de camarão com cubos de queijo coalho, o blend de angus prensado com seu próprio molho do cozimento e musseline de mandioquinha, nossa, você encostava o garfo e já desfiava. Na foto, a carne de sol especial do Picuí, desfiada e puxada na manteiga de garrafa, com creme de queijo coalho e chips de mandioca.

Mas nas viagens anteriores, um dos restaurantes que a equipe do Melhores Destinos mais gostou na região foi o Patrícia Bistrô, que fica no jardim de uma casa bem ventilada, com pratos variados e todos muitos gostosos, especialmente a sobremesa com bolo de rolo grelhado e o pastelzinho de entrada.
Também recomendamos o No Quintal, com pratos que levam ingredientes da cozinha nordestina – pedimos um camarão que estava delicioso! E tem ainda o Villa Milagres, que muitas vezes tem música ao vivo, é uma boa pedida para comer petiscos e tomar uns drinks. Ele tem um jardim bem gostoso para curtir ao ar livre.

Não tivemos tempo de ir à cafeteria e empório Jardim Secreto fazer um lanchinho e essa dica — ficará para nossa próxima viagem à região. Mas eu passei na frente e achei uma fofura. O marketing deles é que lembra a casa de vó com cheirinho de bolos pães café recém coado.
Espero que nossas dicas te ajudem a planejar uma viagem incrível! Muito obrigada pela companhia, e até a próxima!
Jéssica Weber