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Jéssica Weber

Termas em Budapeste

As termas de Budapeste fazem sucesso entre os locais, seguindo uma tradição de cerca de 2 mil anos, mas também encaixam bem em um roteiro turístico pela capital húngara. Poucas experiências são tão a cara da cidade quanto passar algumas horas esticado em uma piscina de água quente, enquanto a temperatura do lado de fora despenca. 

As principais termas de Budapeste são Széchenyi, Rudas, Lukács e Gellért. O Széchenyi é monumental e movimentado; o Rudas preserva uma autêntica estrutura do período otomano, mas tem áreas mais modernas também; o Lukács tem uma atmosfera mais local; e o Gellért é famoso pela arquitetura art nouveau, embora esteja fechado para reforma, com reabertura prevista para 2028.

Termas em BudapesteA gente escolheu o Balneário Széchenyi porque é a terma mais famosa, e te conto essa curiosa experiência aqui. Com piscinas de água cristalina ao redor de um edifício neobarroco amarelo, o complexo ainda tem saunas, massagens pagas a parte, moradores jogando xadrez dentro da água e uma pequena correnteza artificial capaz de transformar adultos em crianças por alguns minutos. Mas eu admito que fiquei com muita vontade de conhecer a Rudas, especialmente por causa da piscina no rooftop com vista para o Danúbio e para Peste. Na minha próxima viagem, é pra lá que eu vou.  

O ingresso não é barato e vale acordar cedo para aproveitar as piscinas com menos gente. Ah, e repare que a maioria dos banhos termais de Budapeste não recebe visitantes com menos de 14 anos, consulte o regulamento antes de visitar. Veja mais dicas de o que fazer em Budapeste.

Termas de Budapeste: história e benefícios

A relação de Budapeste com as águas termais começou antes de a cidade receber esse nome. Durante o domínio romano, a região de Óbuda fazia parte de Aquincum, importante assentamento onde foram construídos banhos públicos. Séculos mais tarde, hospitais e casas de banho aproveitaram as fontes naturais que brotavam principalmente no lado de Buda.

A cultura termal ganhou novas formas durante a ocupação otomana, entre os séculos XVI e XVII. Foi nesse período que surgiram os banhos cobertos por cúpulas e organizados ao redor de piscinas centrais. Alguns exemplares continuam em funcionamento, como o Rudas.

No fim do século XIX e no começo do século XX, em meio ao crescimento e à modernização de Budapeste, foram construídos complexos muito maiores. É dessa fase que vêm o Széchenyi, inaugurado em 1913, e o Gellért, aberto em 1918.

Os húngaros seguem fãs dos banhos termais, acreditando nos benefícios para saúde. O uso das águas termais sempre esteve associado a tratamentos para problemas musculares e articulares. No Széchenyi, dizem que a água trata de reumatismo até “problemas de amor”. 

Termas em Budapeste

Principais termas de Budapeste

Széchenyi: a maior e mais famosa

O Balneário Széchenyi é a imagem que muitos viajantes têm em mente quando pensam nas termas de Budapeste. Localizado no parque Városliget, perto da Praça dos Heróis, o complexo neobarroco foi inaugurado em 1913 e é apresentado pela administração como o maior complexo de banhos da Europa.

Seu principal diferencial são as três grandes piscinas externas. A piscina termal ao ar livre chega a 38 °C, enquanto a piscina recreativa tem água a 34 °C, jatos de massagem, duchas e uma disputada correnteza circular. A terceira é uma piscina própria para natação, mais fria, com água a 26 °C.

O mapa que eu encontrei no local chega a enumerar 19 piscinas, algumas bem pequenas, é verdade, e algumas na área médica, disponíveis apenas mediante prescrição. Elas estão distribuídas entre as áreas termal, de vapor e médica, com temperaturas indicadas entre 18 °C e 40 °C. 

É na área externa que se encontram algumas das cenas mais características do Széchenyi: grupos conversando dentro da água e moradores jogando xadrez em tabuleiros apoiados na borda. O ambiente reúne turistas, frequentadores idosos e moradores habituados a passar parte do dia no complexo.

O balneário também oferece saunas, cabines de vapor e espaços de inalação, que eu admito que não cheguei a visitar. Há ainda massagens e tratamentos cobrados à parte.

Rudas: banho otomano e piscina com vista para o Danúbio

O Rudas é uma das melhores escolhas para quem procura história e arquitetura. Seu núcleo mais antigo foi construído entre 1566 e 1572, durante o domínio otomano. A piscina central octogonal permanece sob uma cúpula sustentada por oito pilares, criando uma atmosfera completamente diferente da encontrada no Széchenyi.

Além da parte histórica, o Rudas conta com seis piscinas no banho turco, com temperaturas entre 16 °C e 42 °C, piscina de natação, saunas e uma área contemporânea de bem-estar. O grande destaque moderno é a piscina panorâmica no terraço, aquecida a 36 °C e com vista para o Danúbio e para a cidade.

É importante consultar a programação antes da visita, pois tem dias da semana onde a área histórica é reservada aos homens, outros às mulheres e outros são mistos. Às sextas e aos sábados também há banho noturno. 

Lukács: ambiente mais local e preços menores

O Lukács é menos monumental que o Széchenyi e menos cenográfico que o Gellért, mas conserva uma relação particularmente forte com os moradores de Budapeste. É uma alternativa para quem deseja conhecer uma terma tradicional, geralmente com uma atmosfera menos turística.

A história dos banhos na região remonta ao século XII, quando ordens religiosas que cuidavam de doentes se estabeleceram perto das fontes. No século XIX, o complexo recebeu hotel, instalações de hidroterapia e uma piscina reformada. Os visitantes que atribuíam sua recuperação às águas deixavam placas de agradecimento nas paredes do pátio, ainda hoje uma das particularidades do local.

O Lukács possui três piscinas termais internas, com águas a 32 °C, 36 °C e 40 °C. A área externa inclui uma piscina recreativa entre 33 °C e 35 °C, equipada com jatos, duchas e correnteza, além de duas piscinas de natação mais frias. Há ainda saunas, massagens, tratamentos terapêuticos e uma sala para beber a água mineral.

Outra vantagem é o preço do ingresso, que costuma sair mais em conta que Széchenyi e Rudas.

Gellért: ícone art nouveau fechado para reforma

O Gellért é um dos edifícios termais mais bonitos de Budapeste. Inaugurado em 1918 ao lado do hotel de mesmo nome, foi concebido como um complexo de luxo e decorado com vitrais, mosaicos, esculturas e peças de porcelana Zsolnay.

Suas piscinas internas são cercadas por colunas e elementos art nouveau. O complexo também ficou conhecido pela piscina de ondas construída em 1927, uma das primeiras do gênero no mundo.

No entanto, o Gellért está fechado desde 1º de outubro de 2025 para uma reforma ampla. A previsão oficial é que volte a receber visitantes em 2028.

Termas em Budapeste

Como é visitar o Balneário Széchenyi

Visitar o Balneário Széchenyi é uma experiência interessante, mas eu já vou adiantando que pode encher de gente e que quem imagina um spa impecável e luxuoso precisa alinhar suas expectativas. 

Chegar cedo faz diferença - vale consultar o horário em que abre no dia da sua visita, pois pode mudar. A gente chegou por volta das 10h, e as piscinas externas já estavam bastante movimentadas. Ainda havia espaço na água e algumas espreguiçadeiras disponíveis, mas em quantidade limitada. Ao longo do dia, especialmente nos fins de semana e na alta temporada, o complexo pode ficar muito mais cheio. Tem dias que pode ir até as 22h, e eu já vi até vídeos de baladas realizadas no local (com outro ticket daí).

A piscina externa mais quente, a 38 °C, é especialmente agradável nos meses frios. Perto dela fica a piscina recreativa, onde a correnteza circular é uma das partes mais divertidas da visita. Quando o fluxo ganha velocidade, pode ser difícil permanecer parado, e os frequentadores acabam rodando juntos pelo circuito. Parece tão bobinho, mas eu me diverti e ri tanto tentando não atingir ninguém pelo caminho — e falhando miseravelmente, é claro.  

Termas em Budapeste

Já a grande piscina de raias costuma ser a mais vazia, mas é mais fria e exige touca para nadar. A regra é fiscalizada, portanto não basta prender o cabelo. Para as demais piscinas, vale levar um elástico de cabelo, especialmente para quem tem fios compridos.

Termas em Budapeste

É possível ver a temperatura das piscinas em placas nos locais. As piscinas internas estavam mais vazias quando eu fui, mas eu admito que não me animei muito, fiquei até com certo nojinho de entrar. O chão fica constantemente molhado na área interna e tem até umas áreas meio fedidas. A arquitetura do prédio é muito bonita, mas carecia de um pouco mais de conservação. É possível encontrar pintura desgastada e revestimentos antigos. 

Termas em Budapeste

Ah, e lá tem cafeteria e restaurante para quem deseja comer sem precisar sair do complexo. Mas se você quiser almoçar em um lugar super especial, o Gundel é um dos restaurantes mais tradicionais da Hungria, com 130 anos. Ele fica no lado do Parque da Cidade, a cinco minutos de caminhada das termas. 

Armários, vestiários e pulseira

Na entrada, o visitante recebe uma pulseira eletrônica. Ela permite passar pelas catracas e abrir o armário destinado aos pertences. É importante mantê-la no pulso durante toda a permanência.

Termas em Budapeste

O ingresso básico inclui o uso de um locker, suficiente para uma mochila e objetos pessoais. A área de troca é compartilhada, sem a divisão convencional entre vestiário feminino e masculino observada em muitos clubes brasileiros, mas existem pequenas cabines individuais com portas, nas quais é possível vestir a roupa de banho com privacidade.

Termas em Budapeste

Quem prefere mais espaço pode pagar um adicional por uma cabine privativa, que funciona ao mesmo tempo como vestiário e local para guardar os pertences. Essa opção é mais adequada para quem está com mala ou objetos volumosos.

Quanto custa visitar o Széchenyi?

Segundo a tabela oficial de 2026 e o painel fotografado no balneário, o ingresso diário básico, com acesso às piscinas e saunas e uso de armário, custa:

  • 13.200 florins (cerca de R$ 205) de segunda a quinta-feira;
  • 14.800 florins (cerca de R$ 229) às sextas-feiras e nos fins de semana;
  • 15.800 florins (cerca de R$ 245) em feriados e períodos de maior procura.

Ah, vale consultar se durante sua viagem está vigorando um ingresso promocional para quem entra até as 9h, comprado no local mesmo. Ele custava 10.500 florins de segunda a quinta e 11.800 florins às sextas-feiras. Além de ajudar a economizar, é uma boa estratégia para encontrar as piscinas mais tranquilas.

Os ingressos podem ser comprados antes pela internet ou na bilheteria. O complexo recomenda a compra antecipada para evitar filas, mas eu não precisei esperar nada. 

Termas em Budapeste

Além do ingresso básico, o Széchenyi vende pacotes voltados a quem procura mais conforto. 

O que levar às termas de Budapeste

O item que mais vale colocar na mochila é a toalha. No inverno, sair de uma piscina externa sem ter como se secar rapidamente é especialmente desconfortável. Há secadores perto das cabines, mas eles não devem ser considerados substitutos de uma toalha.

Levar os próprios acessórios também evita uma despesa considerável. A bilheteria do Széchenyi informava os seguintes preços, em 2026:

  • chinelos: 4.200 florins;
  • toalha: 6.900 florins;
  • roupão: 12.600 florins;
  • roupa de banho feminina ou masculina: 6.300 florins;
  • touca: 2.100 florins.

O aviso deixava claro que não havia serviço de aluguel. Portanto, toalha, chinelos e outros itens precisavam ser trazidos pelo visitante ou comprados no local.

Antes de sair do hotel, confira se colocou na bolsa:

  • roupa de banho;
  • chinelo, cujo uso é obrigatório;
  • toalha;
  • protetor solar;
  • touca, caso queira usar as piscinas de natação;
  • elástico para prender cabelos compridos;
  • garrafa de água;
  • sacola para guardar os itens molhados.

O uso de touca é obrigatório apenas nas piscinas destinadas à natação. Antes de entrar em qualquer piscina, é necessário tomar uma ducha. Dentro dos balneários administrados pela Budapest Spas, os pagamentos em estabelecimentos comerciais e de alimentação são feitos com cartão bancário ou cartão pré-pago.

Termas em Budapeste

Onde fica e como chegar ao Széchenyi

O Balneário Széchenyi fica na Állatkerti körút 9-11, dentro do parque Városliget, no lado Peste da cidade. A maneira mais simples de chegar é pela linha M1 do metrô, descendo na estação Széchenyi fürdő. O trólebus 72 também passa pela região. Para entender os bilhetes e as alternativas de deslocamento, consulte o guia de transportes em Budapeste.

A localização permite combinar a visita com outras atrações próximas, como a Praça dos Heróis, o Museu de Belas Artes, o Castelo Vajdahunyad e o Zoológico de Budapeste. Ainda assim, vale reservar pelo menos três ou quatro horas para o banho, sem contar o tempo gasto em deslocamento e troca de roupa.


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Jéssica Weber

Sou uma jornalista apaixonada por mato e praia, interessada na história dos lugares, na arquitetura das cidades e em comida, é claro. Sou gaúcha, amo fotografar e escrever — tenho mestrado em Escrita Criativa pela PUC-RS. Como uma das editoras do Guia Melhores Destinos, desde 2022, meu trabalho é turistar pelo Brasil e pelo mundo para te trazer as melhores dicas :)