O que fazer em Budapeste
A resposta para "o que fazer em Budapeste" passa por arquitetura monumental, cafés tradicionais, banhos termais, uma caça ao tesouro urbana, noites agitadas nos bares em ruínas do bairro judeu e muita história. A capital húngara é uma caixinha de surpresas às margens do Danúbio.
Nesse post, a gente traz as principais atrações que você vai encontrar tanto em Buda quanto em Peste, os "dois lados" divididos pelo rio. Para aproveitar tudo o que a cidade oferece, você vai precisar de disposição e também de um bom e confortável par de sapatos: é provável que você caminhe bastante.
As fotos desse post são todas minhas, feitas especialmente para esse guia :)
Hotéis em Budapeste - A seleção do Melhores Destinos
Se você ainda não sabe onde ficar, confira a nossa seleção com as melhores opções de hotéis em Budapeste para a sua viagem. As acomodações foram escolhidas priorizando qualidade, preço das diárias e localização. Também incluímos na lista as notas do Booking.com, que indicam a avaliação de hóspedes reais sobre a hospedagem.
O que fazer em Budapeste: 27 dicas para todos os gostos
Você pode ler nossas dicas na ordem sugerida ou pular direto para o que mais te interessa. Não deixe de ler também nosso post com 17 coisas que você precisa saber antes de viajar a Budapeste.
- Conheça o Parlamento Húngaro — por fora e por dentro
- Explore o Castelo de Buda e suas atrações
- Contemple Budapeste do Bastião dos Pescadores
- Ao lado do Bastião, encante-se com as cores da Igreja de Matias
- Atravesse a Ponte das Correntes entre Buda e Peste
- Navegue pelo Danúbio ao anoitecer
- Reflita diante dos Sapatos à Beira do Danúbio
- Nos meses quentes, curta a noite à beira do Danúbio
- Explore os bares em ruínas do bairro judeu
- Relaxe em uma das termas de Budapeste
- Visite um dos cafés históricos de Budapeste
- Coma chimney cake quentinho
- Visite a Basílica de Santo Estêvão e suba à cúpula
- Faça umas comprinhas em Budapeste
- Entenda a história recente da Hungria na Casa do Terror
- Conheça a Ópera Estatal Húngara por dentro
- Conheça os pratos típicos da Hungria
- Faça uma caça ao tesouro pelas miniestátuas de Budapeste
- Explore o bairro judeu e a maior sinagoga da Europa
- Ande em uma linha de metrô histórica
- E ande na linha de bonde com a melhor vista
- Passeie pelo Parque da Cidade
- Garanta sua foto na Praça dos Heróis
- Suba ao topo da Cidadela e tenha uma vista panorâmica da cidade
- Na volta, dê uma passadinha na Igreja na Pedra
- Passe uma tarde de sol na Ilha Margarida
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Visite a biblioteca mais linda de Budapeste
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1. Conheça o Parlamento Húngaro — por fora e por dentro
Às margens do Danúbio, o Parlamento Húngaro é, para mim, a casa legislativa mais linda do mundo. Ganha até da londrina, com Big Ben e tudo. E quando anoitece, a iluminação cênica a deixa ainda mais monumental.
A fachada neogótica impressiona, mas, se tiver a oportunidade, vale conhecer também o interior, com escadarias pomposas, detalhes dourados e salões solenes. O percurso passa pela antiga Câmara Alta e pelo Salão da Cúpula, onde ficam a Santa Coroa da Hungria, vigiada por guardas de semblante sério.

A visita interna dura cerca de 45 minutos e é realizada com audioguia. A gente tentou reservar na plataforma oficial um mês antes e já estava esgotado, mas conseguimos comprar o ingresso em conjunto com um tour pelo exterior do Parlamento em espanhol. A experiência acabou sendo ainda mais completa. Você pode ver mais detalhes e fazer a reserva neste link.
Mesmo se você decidir não entrar no Parlamento, inclua a atração no roteiro: caminhe pela Praça Kossuth, onde, em 25 de outubro de 1956, dezenas de manifestantes desarmados foram atingidos por disparos de soldados soviéticos e agentes ligados ao regime comunista — um dos episódios mais trágicos da Revolução Húngara de 1956, conhecido como “Quinta-feira Sangrenta”.
As melhores vistas da fachada do parlamento são obtidas a partir de Batthyány tér, do outro lado do rio, do Bastião dos Pescadores ou durante um passeio de barco pelo Danúbio. No fim de tarde, muitos húngaros vão até sua escadaria lateral para assistir ao pôr do sol. Aproveite para combinar a visita com o memorial Sapatos às Margens do Danúbio, a poucos metros do parlamento.
2. Explore o Castelo de Buda e suas atrações
No alto da colina, o Castelo de Buda é imperdível não apenas pela arquitetura e pelas vistas incríveis de Budapeste, mas também por sua importância histórica. O complexo acompanhou cerca de oito séculos de disputas pelo poder, ocupações, destruições e reconstruções. Na Segunda Guerra Mundial, foi um dos últimos redutos e quartel-general das tropas nazistas e húngaras pró-Eixo e foi fortemente bombardeado.
É importante saber que ele não funciona como um castelo tradicional, com uma única entrada e um circuito pelos antigos aposentos reais. Trata-se de um grande conjunto de pátios, monumentos, mirantes, museus e instituições culturais. As áreas externas podem ser visitadas gratuitamente, enquanto cada atração interna possui ingresso próprio.

Entre os principais espaços gratuitos estão o Terraço Savoyai, com uma vista linda do Danúbio, da Ponte das Correntes e do lado de Peste, e o Pátio Hunyadi, onde fica a Fonte de Matias. A escultura neobarroca representa uma caçada liderada pelo rei Matias Corvino e é tão grandiosa que já foi chamada de “Fonte de Trevi de Budapeste”.
Também procure o Pátio dos Leões, o Portão dos Habsburgo e a icônica estátua do pássaro Turul. Aos pés da colina fica o Várkert Bazár, um conjunto neorrenascentista com jardins, espaços culturais e acessos para a parte superior do castelo.
Uma boa ideia é conhecer a região em um free walking tour de aproximadamente 2h30, contribuindo com o valor que desejar ao final. Mas deixa eu falar também das atrações pagas, que são a forma de conhecer parte do interior do castelo:
- Galeria Nacional Húngara: é a melhor escolha para quem gosta de artes visuais e história da arte. O museu reúne esculturas e pinturas góticas, retábulos medievais, obras do século XIX e produções modernas de artistas húngaros. Quando as condições climáticas permitem, também é possível subir à cúpula para observar Budapeste do alto.
- Museu de História de Budapeste: eu indico esse museu para quem se interessa mais pela vida na corte e quer conhecer os ambientes históricos do antigo palácio. O percurso passa por salas medievais, uma antiga capela, o Salão Gótico e áreas descobertas durante escavações realizadas depois da Segunda Guerra Mundial. Leia o relato completo.
- Salão de Santo Estêvão: é uma sala cerimonial inaugurada em 1902, destruída durante a guerra e reconstruída com base em projetos e registros históricos. Esse espaço fica dentro do Museu de História. Você pode visitar apenas o salão ou em conjunto com o museu, em um combo de ingressos.
- Atrações subterrâneas do castelo: sob a colina existe uma rede de cavernas, adegas e antigas passagens. Parte abriga o Hospital na Rocha, utilizado como hospital de emergência durante a Segunda Guerra Mundial e a Revolução Húngara de 1956 e, posteriormente, transformado em abrigo nuclear. Outra atração é o Labirinto do Castelo, com percursos por corredores medievais e antigos abrigos de guerra. Os dois passeios possuem entradas e ingressos separados e ficam fora do edifício do Palácio Real.
A maneira mais famosa de chegar ao Castelo de Buda é usando o histórico Funicular de Budapeste, inaugurado em 1870 junto à Ponte das Correntes. O passeio é charmoso e oferece uma perspectiva diferente da cidade, mas não é exatamente barato. Para economizar, use gratuitamente a escada rolante e o elevador do Várkert Bazár. Também é possível chegar de ônibus, Uber ou a pé, embora a caminhada seja íngreme. A gente explica tudo nesse post.
3. Contemple Budapeste do Bastião dos Pescadores
O Bastião dos Pescadores é o mirante mais famoso de Budapeste e uma das atrações imperdíveis do Distrito do Castelo — fica a 15 minutos a pé do castelo. Com torres de pedra clara, escadarias, arcos e terraços voltados para o Danúbio, o monumento oferece uma vista privilegiada do Parlamento Húngaro e do lado Peste. Basicamente todo turista que passa pela cidade garante sua foto ali.
O monumento foi construído na passagem do século XIX para o XX como um grande terraço panorâmico. Suas sete torres representam os sete chefes das tribos magiares que chegaram à região no final do século IX. A visita aos arcos centrais, às escadarias e às feirinhas é gratuita. Há cobrança apenas para acessar o terraço superior, mas eu não fiquei com vontade de pagar: achei que a vista logo abaixo já era bonita o suficiente.

Chegar cedo ainda é a melhor estratégia para encontrar o lugar mais tranquilo. O nascer do sol é famoso porque o sol aparece sobre Peste, então madruguei para fotografar o espetáculo, aproveitando que estava hospedada praticamente ao lado, no excelente Hilton Budapest. Dei azar: o dia amanheceu completamente nublado, não tinha nem sinal do sol e já havia um público considerável por lá hehe. Visitar ao anoitecer também vale a pena, quando o Parlamento, as pontes e as margens do Danúbio ficam iluminados.
O Bastião possui cafés, restaurantes, uma loja subterrânea de temática medieval e feirinhas de artesanato e comidas típicas. Só preste atenção aos preços antes de comprar: foi ali que tive meu primeiro choque financeiro na Hungria. Não perguntei o valor e paguei R$ 50 por um copo de suco de laranja. E nem gelado estava. Para uma experiência especial, minha dica é encerrar o passeio no White Raven Skybar & Lounge, na cobertura do Hilton, com vista para o Bastião, o Parlamento e o Danúbio.
4. Ao lado do Bastião, encante-se com as cores da Igreja de Matias
Ao lado do Bastião dos Pescadores, no Distrito do Castelo, a Igreja de Matias é uma construção gótica e neogótica cuja história começou por volta de 1246. A fachada esculpida em pedra, a torre e os arcos pontiagudos, o telhado colorido já chamam atenção, mas, para quem decide desembolsar a grana do ingresso, o interior consegue ser ainda mais bonito.
Eu admito que não me empolgo muito para entrar em igrejas, mas essa me encantou. Não pelo tamanho ou pela imponência, e sim pelas cores e pela beleza das pinturas. Não há praticamente um pedacinho de parede branca, e a gente fica meio enfeitiçado pelas figuras geométricas. É completamente diferente das igrejas medievais que eu já conheci, normalmente frias, literalmente e figurativamente também.

Lá dentro, repare no altar principal neogótico, que tem a Virgem Maria como figura central, nos vitrais e no púlpito coberto por pinturas ornamentais e pequenas esculturas. Também é possível subir por uma escadaria em espiral, observar o interior a partir dos balcões e visitar um pequeno museu com estátuas, brasões, objetos litúrgicos e peças relacionadas à Coroa húngara.
O templo está ligado ao rei Matias Corvino, que mandou ampliar e reformar a construção, colocou seu brasão na torre e realizou ali seus dois casamentos. A igreja também foi palco da coroação do imperador Francisco José I e da imperatriz Elisabeth, a famosa Sissi, como rei e rainha da Hungria, em 1867.
Outra maneira bem interessante de conhecer o interior é comprar ingresso para um dos concertos realizados no templo. Veja a programação aqui.
5. Atravesse a Ponte das Correntes entre Buda e Peste
Inaugurada em 1849, a Ponte Széchenyi, mais conhecida como Ponte das Correntes, é um dos principais cartões-postais de Budapeste. A travessia gratuita sobre o Danúbio liga Buda e Peste e oferece algumas das melhores vistas da capital húngara, com o Castelo de Buda de um lado e o centro histórico de Pest do outro.
Vale atravessar sem pressa pelas calçadas laterais, observando os barcos, a arquitetura das duas margens, as torres de pedra e as enormes correntes metálicas que dão nome à ponte. Nas cabeceiras, quatro leões de pedra parecem guardar a passagem. Diz a lenda que o escultor teria esquecido de fazer a língua dos animais, mas elas existem e apenas não podem ser vistas da altura da calçada.
No lado de Buda, a ponte termina na Clark Ádám tér, onde fica a estação inferior do funicular que sobe até o Castelo de Buda. Por isso, é muito fácil combinar as atrações. Também não deixe de explorar a margem no lado de Peste, especialmente no verão, quando bares sob os trilhos do bonde e baladas sazonais deixam a região muito animada. Foi uma das coisas que mais amei nessa viagem.

6. Navegue pelo Danúbio ao anoitecer
O passeio de barco pelo Danúbio foi a navegação que eu mais gostei na Europa. Muitas cidades cortadas por rios oferecem esse tipo de tour, mas há algo de mágico em ver o Castelo de Buda, a Ponte das Correntes e, principalmente, o Parlamento Húngaro iluminados. Por isso, prefira uma saída depois de escurecer, conferindo o horário do pôr do sol na época da viagem.
Entre as alternativas estão o cruzeiro pelo Danúbio com bebida de boas-vindas, o passeio de barco ao anoitecer e o cruzeiro com jantar e música ao vivo. A maioria dos roteiros dura cerca de uma hora e percorre a parte central do Danúbio.
Eu comprei quando cheguei em Budapeste, de olho na previsão do tempo. Mas vale reservar antes, especialmente para os passeios noturnos. Confira com atenção o píer indicado no bilhete, pois há vários pontos de embarque numerados, principalmente no lado de Peste.
Chegue cedo mesmo com reserva: nos barcos maiores, formam-se filas enormes para conseguir um lugar sentado. Nós chegamos apenas 15 minutos antes e só encontramos cadeiras com a ajuda de um grupo de italianos legais; muita gente precisou fazer o trajeto em pé.
7. Reflita diante dos Sapatos à Beira do Danúbio
Às margens do Danúbio, 60 pares de sapatos de ferro representam calçados de homens, mulheres e crianças. O memorial é uma dolorosa homenagem aos judeus fuzilados e lançados ao rio durante a Segunda Guerra Mundial.
Antes das execuções, os milicianos do Partido da Cruz Flechada obrigavam as vítimas a retirar os sapatos, considerados bens valiosos durante a guerra. Os assassinos ficavam com os calçados, enquanto os corpos caíam no Danúbio. O movimento húngaro era de extrema direita, fascista e radicalmente antissemita, ligado aos nazistas. Até 20 mil judeus teriam sido assassinados às margens do rio entre dezembro de 1944 e o fim de janeiro de 1945.
Chamado de Cipők a Duna-parton em húngaro, o memorial foi criado em 2005 pelo cineasta Can Togay e pelo escultor Gyula Pauer. A obra é ao mesmo tempo singela e genial: as esculturas são pequenas, escuras e monocromáticas, enquanto flores e velas deixadas por moradores e visitantes acrescentam cor ao local.
É uma homenagem que se torna ainda mais pesada quando se conhece o contexto histórico; sem ele, pode parecer apenas um conjunto de sapatos à beira do rio. Como o lugar costuma receber muitos turistas, vá cedo, preferencialmente em um dia de semana, caso queira encontrar o espaço mais vazio e ter um momento de reflexão.
A visita é gratuita e pode ser incluída em uma caminhada pela margem de Peste. O memorial fica próximo ao Parlamento Húngaro e também pode ser combinado com a Ponte das Correntes ou o passeio de barco pelo Danúbio.

8. Nos meses quentes, curta a noite à beira do Danúbio
Nos meses de calor, o trecho do Danúbio entre a Ponte das Correntes e a Ponte Erzsébet se transforma no lugar mais incrível para curtir a noite em Budapeste. Na margem de Pest, mesas ao ar livre, música e alguns eventos ocupam o Jane Haining Rakpart (o cais Jane Haining), com vista para o Castelo de Buda e as luzes refletidas no rio.
Os bares instalados embaixo dos trilhos do bonde promovem verdadeiras festas ao ar livre aos finais de semana. É engraçado ver a reação dos passageiros da Linha 2 quando passam sobre a multidão pulante. Foi num desses rolês que eu dancei Valesca Popozuda em Budapeste — foi inusitado cantar "Beijinho no Ombro" a mais de 10 mil quilômetros de casa. O Viadukt Bar era a minha referência inicial, mas tem outros bares exatamente no mesmo formato, como o Tuna e o Dunyi. Eles ficam lado a lado, você vai passando por eles e para no que mais te agrada.
Os bares têm algumas cadeiras na área interna, mas no dia em que eu fui, com o calor que fazia, não tinha viva alma lá dentro: a galera entrava para comprar alguma bebida e já saía para aproveitar a noite.
É importante saber que essa vida noturna à beira do Danúbio é sazonal. Os bares e projetos sob o viaduto funcionam sobretudo da primavera ao começo do outono, com programação mais intensa entre maio e setembro. Em 2026, a temporada oficial do Rakpart terminou no fim de outubro. No inverno, o calçadão continua rendendo um passeio bonito, mas não se deve contar com os bares ao ar livre funcionando: o frio, o vento e a circulação de veículos mudam completamente o ambiente.

9. Explore os bares em ruínas do bairro judeu
Os “bares em ruínas” ocupam prédios velhos no bairro judeu de Budapeste, área transformada em gueto durante a II Guerra Mundial que foi se deteriorando nas décadas seguintes. Em vez de reformar completamente esses imóveis, os empreendedores aproveitaram justamente sua aparência decadente, preenchendo os espaços com uma decoração excêntrica.
O primeiro foi o Szimpla Kert. Tem vários ambientes, alguns fechados, outros ao ar livre, e nenhum é igual. Paredes e portas têm várias camadas de rabiscos e pichação, a decoração vai de uma caixa de correio tradicional de Budapeste a TVs de tubo com imagens psicodélicas. Um pátio interno reúne plantas trepadeiras e as luminárias mais aleatórias que conseguiram encontrar.
A maioria das pessoas vai lá para beber, tem vários balcões espalhados pelos ambientes. Serve cervejas — inclusive húngaras e artesanais —, vinhos, pálinka (destilado tradicional da Hungria), coquetéis e bebidas sem álcool. Apesar das origens alternativas, o Szimpla já não é necessariamente um lugar barato. Também vende alguns lanches, mas eu acho que vale guardar a fome para o Street Food Karavan Budapest, um pátio a céu aberto com vários food trucks, que fica na mesma rua.
A entrada é gratuita. A programação pode incluir shows, DJs, apresentações acústicas, sessões de cinema, exposições e outros eventos culturais. Na primeira vez, eu fui de noite e desisti quando vi o tamanho da fila. Se não quiser esperar para entrar, tente chegar antes de anoitecer. Como junta bastante público, vale tomar cuidado com batedores de carteira.
Se quiser conhecer o espaço com uma atmosfera mais familiar, vale ir no domingo de manhã, quando o Szimpla recebe uma feira de produtores. Dá para encontrar queijos, embutidos, pães, mel, geleias, frutas, verduras, sucos e outros produtos de pequenos produtores húngaros. Há também música ao vivo e atividades comunitárias.
Mas seguem outras sugestões de ruin bars no bairro judeu de Budapeste, rola até de fazer um pub crawl:
- Instant-Fogas Complex: localizado na Akácfa utca, é um complexo bem grande com vários balcões de bar espalhados e seis pistas de dança. A proposta é bem mais próxima de uma casa noturna: há vários ambientes ao redor de um pátio interno, dedicados a diferentes estilos musicais (tinha até um com pegada emo). A festa segue madrugada adentro. A gente chegou cedinho e ainda estava meio vazio, imagino que encha mais pela meia-noite. A entrada no Instant-Fogas Complex é normalmente gratuita, mas pode haver exceção em algum show ou evento especial.
- Mazel Tov (restaurante): outro endereço frequentemente associado ao conceito é o Mazel Tov, instalado em um antigo edifício na Akácfa utca. Mas ele representa uma versão bem mais Nutella da ideia: o interior foi reformado, ganhou um balcão de azulejos, mesinhas de madeira, muita vegetação e funciona principalmente como restaurante de cozinha judaica contemporânea. É recomendável fazer reserva.
- Füge Udvar: tem uma proposta mais de bar mesmo, MAS também tem ambientes para quem quer dançar. Quando eu fui, tinha uma galera bailando latinidades em um ambiente e dançando Justin Bieber em outro. Havia um pátio com árvore, cordões de lâmpadas e várias mesas. Tinha TVs passando jogos de basquete. Havia outros ambientes internos, inclusive com jogos de ping pong, pebolim e alguns outros brinquedos de fliperama antigo. Eu achei bem animado, e estava cheio. Também não cobrava entrada.
10. Relaxe em uma das termas de Budapeste
Poucas experiências são tão características da capital húngara quanto passar algumas horas dentro de uma piscina quente enquanto a temperatura do lado de fora despenca. Os banhos termais de Budapeste fazem parte da rotina dos moradores e seguem uma tradição de cerca de 2 mil anos, iniciada no período romano e ampliada durante a ocupação otomana.
As principais termas são Széchenyi, Rudas, Lukács e Gellért. O Széchenyi é monumental, famoso e bastante movimentado; o Rudas preserva uma autêntica estrutura otomana e possui uma piscina panorâmica voltada para o Danúbio; e o Lukács tem uma atmosfera mais local e ingressos geralmente mais baratos. Já o belíssimo Gellért, conhecido pela arquitetura art nouveau, está fechado para reforma, com reabertura prevista para 2028.
Nós escolhemos o Balneário Széchenyi, a terma mais famosa de Budapeste. Ao redor de um edifício neobarroco amarelo, o complexo reúne piscinas externas, saunas, cabines de vapor e também tratamentos cobrados à parte. Minha parte preferida foi a correnteza circular da piscina recreativa: ri muito tentando não atingir ninguém pelo caminho, falhando miseravelmente, é claro. A experiência é interessante, mas quem espera um spa luxuoso precisa alinhar as expectativas.
O ingresso das termas não é barato, e vale chegar cedo para encontrar menos gente — cheque se tem tarifa promocional para entradas até as 9h. Reserve pelo menos três ou quatro horas para aproveitar o banho sem pressa. Veja mais informações e dicas de o que levar neste post.
Termas de Széchenyi
11. Visite um dos cafés históricos de Budapeste
Budapeste tem uma longa tradição de cafés históricos, que durante os séculos XIX e XX serviram como pontos de encontro de escritores, jornalistas, artistas e intelectuais. Muitos desses estabelecimentos preservam salões elegantes, com decorações que remetem aos tempos do Império Austro-Húngaro.
O mais famoso é o New York Café (foto à esquerda). Com colunas de mármore retorcidas, douramentos, afrescos no teto, lustres e grandes arcos, ele se autodeclara "o café mais bonito do mundo". Mas é também um lugar super turístico. A minha experiência por lá não foi boa, especialmente por causa do atendimento (leia o relato aqui).
Eu tenho um outro café histórico para sugerir, que tem, inclusive, simpáticas mesas na rua. Criado em 1887, o Centrál Grand Cafe (foto à direita) fica no coração do bairro de Belváros. Lá eu comi um nhoque com strogonoff de cogumelos super gostoso e fui bem atendida. Outros endereços clássicos são o Gerbeaud, fundado em 1858 e conhecido pela confeitaria e pelos doces tradicionais húngaros, e o Művész Kávéház, na Avenida Andrássy, em frente à Ópera Estatal Húngara.
12. Coma chimney cake quentinho
O kürtőskalács, conhecido como chimney cake ou bolo de chaminé, perfuma as ruas de Budapeste. Sua origem está ligada à região da Transilvânia, especialmente à cultura dos sículos, povo de língua húngara. Uma das primeiras receitas conhecidas apareceu em um livro de culinária transilvano de 1784, e hoje o doce integra a lista oficial de Hungarikums, os produtos considerados representativos da cultura húngara.
O nome vem de kürtő, palavra húngara para “chaminé”, uma referência ao formato cilíndrico e oco. Para prepará-lo, tiras de massa fermentada são enroladas em um cilindro e assadas enquanto giram. O açúcar colocado na superfície carameliza com o calor, formando uma casquinha crocante, enquanto o interior permanece macio. E o cheiro que esse processo lança na rua é inebriante hehe. Tradicionalmente, ele recebe coberturas como açúcar com canela, baunilha, cacau, nozes ou sementes de papoula, mas é possível encontrar versões bem incrementadas.
Vale ir até a Pichler Chimney Cake & Gelato para experimentar. A casa prepara os bolos ao longo do dia e os serve ainda quentinhos. Também há versões recheadas com sorvete, mas daí eu recomendo fortemente que você pegue uma mesa e coma sentado. Eu comi um desses em Praga e não me melecava tanto com uma comida desde os dez anos de idade.
Ali no Pichler, eu peguei o de pistache e adorei, mas a versão básica só com açúcar e canela é uma boa escolha para quem deseja provar algo mais próximo da receita tradicional. O jeito mais gostoso de comer é ainda quente, soltando aos poucos as tiras de massa que formam a espiral.

13. Visite a Basílica de Santo Estêvão e suba à cúpula
A Basílica de Santo Estêvão é uma das igrejas mais importantes da Hungria e uma das atrações mais concorridas de Budapeste. A visita combina um interior monumental, uma das relíquias mais importantes do país e uma vista de 360 graus a partir do terraço da cúpula. Para quem tem pouco tempo, eu priorizaria a igreja e o mirante; o pequeno tesouro funciona mais como complemento.
O efeito “uau” acontece assim que você coloca os pés no templo. Há pouca iluminação natural, e boa parte da luz vem dos enormes candelabros com lâmpadas em formato de vela. O mármore escuro das colunas, os mosaicos, as pinturas e a quantidade de detalhes dourados saltam aos olhos. No meio da igreja, procure a Santa Direita, a mão mumificada de Estêvão I, primeiro rei da Hungria e fundador do Estado húngaro, preservada dentro de um relicário de vidro.
O terraço panorâmico fica a 65 metros de altura e permite caminhar ao redor da cúpula. Há elevadores, mas eles são pequenos e não eliminam completamente as escadas e os corredores estreitos. Na nossa visita, encontramos fila para o segundo elevador e subimos cerca de 130 degraus por uma escada em espiral. Não me parece uma boa atração para pessoas com dificuldade de locomoção.
Do alto, aparecem a roda-gigante Budapest Eye, o Parlamento Húngaro, o Castelo de Buda, a Igreja de Matias e o Bastião dos Pescadores. O terraço é aberto, ao ar livre. Embora não seja um dos pontos mais altos da cidade, sua localização central compensa e ajuda a entender a divisão entre Buda, mais montanhosa, e Peste, plana e movimentada.

Existem ingressos separados para a igreja e para o conjunto formado pelo terraço e pelo tesouro, além de uma entrada completa. Em um sábado de sol, comprar pelo celular foi muito mais rápido do que enfrentar a fila da bilheteria.
Se você não quiser pagar para ver, vale admirar a fachada monumental da construção e caminhar pela Zrínyi utca, uma rua de pedestres cercada por bares e restaurantes. Procure a estátua do policial de barriga saliente: dizem que esfregá-la traz sorte e ajuda a não engordar. Para colocar a proteção à prova, passe na Gelarto Rosa, sorveteria ao lado da basílica conhecida pelos gelatos em formato de flor.
14. Faça umas comprinhas em Budapeste
Fazer compras em Budapeste vai muito além das lembrancinhas encontradas perto das atrações. A cidade reúne mercados históricos, lojas de design independente, antiguidades, redes europeias, grifes e produtos típicos. Para marcas internacionais, não espere necessariamente preços baixos; o maior atrativo está nos artigos húngaros e autorais difíceis de encontrar no Brasil.
A páprica é uma lembrança fácil de transportar e aparece em versões doces, suaves e picantes. O vinho Tokaji, especialmente o doce Tokaji Aszú, é outro presente clássico. Também há o licor de ervas Unicum, o destilado de frutas pálinka, porcelanas Herend e Zsolnay, cerâmicas artesanais e o cubo mágico, criado pelo húngaro Ernő Rubik. Entre os doces, tem os chocolates Stühmer, vendidos em embalagens lindas com monumentos de Budapeste. A loja da Deák Ferenc utca é bem bonita.
Se você se interessa por design, artesanato e antiguidades, a Printa vende roupas, acessórios e objetos com estampas inspiradas em Budapeste, enquanto o Paloma Artspace reúne pequenas lojas de designers locais. O Szimpla Kert recebe um mercado de produtores aos domingos, e o Gozsdu Udvar costuma ter feiras de artesanato e peças vintage nos fins de semana. Para antiguidades, o Ecseri Piac oferece louças, fotografias, cartazes, moedas e objetos do período socialista.
A moeda oficial é o forint húngaro, identificado pela sigla HUF. Os cartões são amplamente aceitos, mas vale carregar algum dinheiro para feiras e pequenos estabelecimentos. Ao pagar com cartão, escolha sempre a cobrança em forints e recuse a conversão para reais ou euros oferecida pela maquininha.
Os locais de compras queridinhos entre os turistas:
- Mercado Central: instalado em um edifício histórico ao lado da Ponte da Liberdade, é o endereço mais conhecido para comprar produtos típicos. O que mais me surpreendeu foi a quantidade de páprica: há bancas praticamente dedicadas ao tempero. O piso superior tem uma vibe mais camelô, com souvenirs e operações gastronômicas em um ambiente bem simples, com direito até a pomba voando entre os clientes. O mercado é turístico e não necessariamente barato, então compare os preços. Há um supermercado no subsolo que costuma ser melhor para produtos cotidianos. Leia nosso relato completo.
- Váci utca: é a principal rua comercial turística do centro, com redes internacionais, lojas de moda, restaurantes, souvenirs e pequenos comércios. Aproveite para provar o bolo de chaminé do Pichler Chimney Cake & Gelato, vendido em sabores como canela, pistache e Nutella, além de versões com sorvete. É um dos melhores de Budapeste!
- Deák Ferenc utca: conhecida como Fashion Street, é uma rua curta e mais sofisticada, com lojas como Lacoste, Tommy Hilfiger, Lululemon e Oysho. Também concentra chocolaterias, restaurantes e cafés com mesas na calçada, tornando o passeio agradável mesmo para quem não pretende comprar muito.
- Avenida Andrássy: comparada à Champs-Élysées, é o principal endereço de luxo de Budapeste. Gucci, Louis Vuitton, Moncler e Rolex estão entre as marcas que já tiveram ou mantêm lojas por ali. Além das vitrines, a avenida reúne edifícios históricos, a Ópera Estatal Húngara e cafés bem fofos, por isso vale entrar no roteiro mesmo sem intenção de abrir a carteira.
- Shoppings e outlet: Westend, Arena Mall e Etele Plaza são opções para dias de chuva ou frio intenso, reunindo lojas, supermercados, restaurantes e cinemas. Fora do centro, o Premier Outlet Budapest concentra marcas internacionais de roupas, calçados e artigos esportivos com descontos que variam conforme a loja.
15. Entenda a história recente da Hungria na Casa do Terror
A Casa do Terror, ou Terror Háza, foi o museu mais interessante que visitei em Budapeste. Fica no número 60 da Avenida Andrássy, edifício que abrigou a sede do movimento fascista húngaro Cruz Flechada durante a Segunda Guerra Mundial e, depois, passou para as mãos da polícia política do regime comunista. Pessoas foram presas, interrogadas, torturadas e até mortas no local.
A exposição é moderna, envolvente e repleta de recursos visuais. Objetos históricos, fotografias, documentos, projeções, vídeos, depoimentos e instalações cenográficas ajudam a contar como funcionaram os dois períodos de repressão. Cada sala tem uma ambientação diferente, abordando temas como a ocupação nazista, a chegada das forças soviéticas, os campos de trabalho forçado, os julgamentos políticos, a perseguição religiosa e a Revolução Húngara de 1956.
O ponto mais forte aparece no final, quando um elevador leva os visitantes lentamente ao porão. É ali que ficam as celas onde prisioneiros foram mantidos e torturados. A energia é pesada. É perturbador lembrar que aquilo não aconteceu em uma prisão distante, mas em uma das avenidas mais importantes da capital.
Mesmo quem não gosta de museus tradicionais pode se interessar pela exposição, apresentada de forma criativa e envolvente. Porém, é importante manter um olhar crítico. Pesquisadores questionam o espaço desproporcional dedicado ao período comunista e a narrativa que apresenta a Hungria principalmente como vítima de ocupações estrangeiras, deixando em segundo plano a participação de setores húngaros na perseguição e deportação de judeus. Essa questão está sendo debatida na Hungria e pode haver mudanças na exposição.
Não há idade mínima, mas eu não considero a visita adequada para crianças, devido aos relatos de tortura, assassinatos e perseguições. É cobrado ingresso.

16. Conheça a Ópera Estatal Húngara por dentro
Na mesma avenida da Casa do Terror, a importante Avenida Andrássy, a Ópera Estatal Húngara é um dos prédios mais charmosos da cidade. Inaugurado em 1884 e projetado pelo arquiteto Miklós Ybl, o teatro neorrenascentista chama atenção pela fachada, mas guarda seus espaços mais bonitos no interior, entre escadarias de mármore, pinturas e o marcante auditório vermelho e dourado.
Há duas maneiras principais de conhecer a Ópera: assistir a um espetáculo ou fazer uma visita guiada. A primeira é a melhor oportunidade para ver o auditório em funcionamento, iluminado por um grande lustre e com uma pintura de Károly Lotz no teto. A programação inclui óperas e apresentações de balé, e as montagens de ópera costumam ter legendas em húngaro e inglês.
Os preços variam conforme a apresentação e o lugar escolhido. Para economizar, a Ópera oferece uma quantidade limitada de ingressos em pé, vendidos duas horas antes das sessões noturnas e uma hora antes das matinês. Também confira o endereço da apresentação, pois a companhia realiza espetáculos nos Eiffel Art Studios, em outra parte de Budapeste.
Quem não pretende assistir a uma apresentação pode fazer o OperaTour. A visita dura cerca de uma hora, percorre espaços como a escadaria principal e termina com uma breve apresentação de cantores da companhia. Não é uma experiência muito barata para brasileiros, mas é possível reservar a visita guiada pela Ópera de Budapeste em reais, com guia que fala espanhol.

17. Conheça os pratos típicos da Hungria
A cozinha húngara é conhecida por pratos de carne e frango e por ensopados bem temperados. Um dos ingredientes mais característicos é a páprica, utilizada em diversas receitas. E guarde espaço para o chimney cake (kürtőskalács), que a gente já trouxe em tópico acima.
- Gulyás (goulash), foto abaixo: um dos pratos mais famosos da Hungria. A versão tradicional húngara é uma sopa substanciosa, preparada com carne bovina, batatas, legumes e páprica. Pode ser entrada ou prato principal.
- Lángos: é uma espécie de pizza frita. Tecnicamente, é uma massa frita, geralmente servida com creme azedo (tejföl) e queijo ralado. É uma comida de rua bastante popular e pode receber diferentes coberturas.
- Paprikás csirke: frango ao molho cremoso de páprica, normalmente acompanhado de pequenas massas chamadas nokedli.
- Pörkölt: ensopado de carne cozida lentamente com cebola e páprica. Pode ser preparado com carne bovina, suína ou outros tipos de carne.
- Halászlé: sopa de peixe temperada com páprica, tradicional em diferentes regiões da Hungria.
- Rétes: versão húngara do strudel, preparada com massa fina e recheios como maçã, cereja ácida, queijo fresco, ameixa, sementes de papoula, entre outros. Também existem versões salgadas, tem até de repolho!
- Dobos torta: torta tradicional húngara, com camadas finas de massa intercaladas com creme de chocolate e uma cobertura crocante de caramelo.

Depois do chimney cake, o que eu mais gostei de provar foi o lángos, embora não dê para repetir todo dia por motivos de colesterol hehe. Teve uma janta em que comi lángos, com schnitzel (que é porco empanado e frito, também bem comum na região) e batata frita. Nessa aí eu me passei.
Leia nosso post com dicas de restaurantes em Budapeste, ou vá direto ao que te faz a barriga roncar:
Onde comer no lado Peste
- Experiência agradável, elegante e tradicional junto ao Parque da Cidade
- Comendo à beira do Danúbio em Budapeste
- Os belíssimos cafés históricos de Budapeste
- Chimney Cake quentinho na Váci Utca
- Karaván Street Food – um food hall a céu aberto no bairro judeu
- Mazel Tov, um "ruin restaurante" de comida judaica contemporânea
- Hungarikum Bisztró, comida húngara e receitas de família
- Mama Goulash e a fila que desperta curiosidade
- Gozsdu Udvar, uma galeria com várias opções no bairro judeu
- Párisi Udvar, um restaurante que parece cenário de filme
Onde comer no lado Buda
- White Raven para um pôr do sol com vista incrível e petiscos gourmet
- Para almoço italiano no terraço ou jantar aos pés do castelo
- Para um strudel típico húngaro depois de visitar o castelo
18. Faça uma caça ao tesouro com as miniestátuas de Kolodko
Minha viagem a Budapeste acabou virando uma caça ao tesouro urbana por causa das miniestátuas de bronze espalhadas pela cidade. Elas interagem com a paisagem de maneira discreta, criativa e, algumas vezes, sarcástica. É preciso caminhar com os olhos atentos, porque algumas passam completamente despercebidas.
Uma das mais simbólicas é o Tanque Triste, posicionado no lado de Buda e voltado para o Parlamento. Com o canhão caído, o pequeno veículo lembra os acontecimentos trágicos da Revolução Húngara de 1956. Perto dali está Főkukac, uma simpática minhoca de um desenho animado húngaro dos anos 1980.
Não muito longe aparece o “soldado na despensa” (foto abaixo). A ideia é que alguém abriu o armário procurando comida e encontrou algo bem diferente: um soldado russo. A escultura faz referência a uma frase famosa do filme húngaro O Cabo e os Outros e também propõe uma reflexão sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia. E só depois da viagem eu descobri que na Ponte da Liberdade (a ponte verde) tem uma miniestátua do imperador austro-húngaro Francisco José I deitado relaxando em uma rede. Fiquei desolada que passei sem perceber.
O Google Maps dá uma colher de chá, já que algumas obras estão marcadas por lá, mas isso não significa que sejam fáceis de encontrar. O ursinho do Mr. Bean, instalado no antigo edifício da Embaixada Britânica, no centro, só aparece para quem se lembra de olhar para cima.
As obras são de Mihály Kolodko, artista nascido na região da Transcarpátia, na atual Ucrânia, e radicado na Hungria. Muitas são instaladas como intervenções de arte urbana, sem cerimônia de inauguração e, algumas vezes, sem autorização. O artista defende que, mesmo em pequena escala, é possível retratar uma ideia monumental. Legal, né?

19. Explore o bairro judeu e a maior sinagoga da Europa
A gente já falou sobre a vocação noturna do Bairro Judeu de Budapeste, com seus animados bares em ruínas. Mas vale visitá-lo também durante o dia, suas ruas e prédios ajudam a compreender a história da comunidade judaica húngara e os horrores vividos durante a Segunda Guerra Mundial.
Entre 1944 e 1945, ali existiu o gueto de Budapeste. Cerca de 70 mil pessoas ficaram confinadas nessa região, com 8 ou 9 pessoas vivendo em cada cômodo de muitos apartamentos. Faltava comida, água potável, remédios e lenha. Ataques aéreos, bombardeios e a violência da milícia da Cruz Flechada completavam o cenário. Quando o gueto foi libertado, mais de 3 mil corpos estavam espalhados por ruas, lojas e pátios. Estima-se que 100 mil judeus de Budapeste tenham morrido durante a perseguição.
O principal ponto de partida para conhecer o bairro é a Grande Sinagoga de Budapeste, localizada na Rua Dohány. Construída entre 1854 e 1859, ela é considerada a maior sinagoga da Europa, com capacidade para cerca de 3 mil pessoas. Sua arquitetura de inspiração mourisca chama atenção pelas torres, cúpulas, arcos e tijolos coloridos, enquanto o interior, com nave central, púlpito, balcões de madeira e órgão, lembra uma igreja cristã.
O valor da visita está menos em um impacto arquitetônico imediato e mais na história concentrada naquele complexo. O ingresso é caro, mas inclui uma breve visita guiada, o Museu Judaico Húngaro, uma exposição sobre o antigo gueto, o cemitério e o Jardim Memorial Raoul Wallenberg.
É ali que fica a Árvore da Vida, um salgueiro-chorão metálico cujas folhas carregam nomes de vítimas do Holocausto. O cemitério no pátio é ainda mais doloroso: mais de 2 mil pessoas encontradas mortas no gueto foram enterradas no local. Eu não segurei a emoção ao ver as fotografias históricas expostas ao lado das sepulturas. Confira também nosso relato completo sobre a visita à Grande Sinagoga de Budapeste.
Mesmo se você decidir não entrar na sinagoga, siga caminhando pelo bairro para conhecer a sinagoga da rua Kazinczy, observar os murais e terminar o passeio em algum café, restaurante ou bar em ruínas. Nas proximidades da Grande Sinagoga, procure também a miniestátua de Mihály Kolodko que representa o jornalista judeu Theodor Herzl ao lado de uma pequena bicicleta.
Quem quiser entender melhor o papel da região durante a guerra pode reservar este free tour sobre a Segunda Guerra Mundial.
20. Ande em uma linha de metrô histórica
A linha M1, conhecida oficialmente como Millennium Underground Railway e carinhosamente chamada pelos moradores de Kisföldalatti, ou “pequeno subterrâneo”, é uma atração histórica por si só. Inaugurada em 2 de maio de 1896, durante as comemorações dos mil anos da chegada dos magiares à região, ela foi a primeira ferrovia subterrânea da Europa continental.
A M1 foi projetada desde o início para funcionar com eletricidade, uma novidade para o período. Poucos dias depois da inauguração, o imperador Francisco José percorreu a linha e autorizou que ela levasse seu nome, denominação mantida até 1949. Hoje, os trens circulam entre Vörösmarty tér e Mexikói út, passando sob a Avenida Andrássy, com a tarifa normal do transporte público de Budapeste.

As estações preservam o clima do fim do século XIX, com colunas verdes, paredes revestidas por azulejos e detalhes ornamentais. Os azulejos brancos e marrons foram produzidos pela tradicional fábrica húngara Zsolnay, responsável também pela cerâmica de vários edifícios históricos de Budapeste. A linha integra ainda o conjunto da Avenida Andrássy reconhecido como Patrimônio Mundial.
A história da M1 é contada no Underground Railway Museum, instalado no subterrâneo da estação Deák Ferenc tér. Uma curiosidade é que o museu ocupa um trecho autêntico do antigo túnel, desativado em 1955. Seu acervo reúne três vagões históricos, documentos, plantas, fotografias, mapas e maquetes. Os vagões foram colocados ali em 1975, baixados por um guindaste através de uma abertura feita no teto.
É um museu pequeno e baratinho. Vale entrar se você estiver passando por Deák Ferenc tér com algum tempo livre.
21. Pegue o bonde 2 para ver Budapeste pela janela
Bonde foi o meio de transporte que eu mais usei em Budapeste, é muito prático e liga bem a cidade. E tem uma linha em especial que ainda oferece uma vista privilegiada pela janela. O trajeto da Linha 2 acompanha a curva do rio Danúbio pelo lado de Pest e oferece vistas do Parlamento, do Castelo de Buda, do Bastião dos Pescadores, da Colina Gellért e de várias pontes da cidade. Ela já foi até apontada pela National Geographic como uma das linhas de bonde mais panorâmicas do mundo.
O percurso começa na praça Jászai Mari, perto da Ponte Margarida, e segue até Közvágóhíd. Para aproveitar a melhor vista, escolha um assento junto à janela voltada para o Danúbio. Também vale embarcar no ponto próximo ao Parlamento, na Praça Kossuth Lajos, e seguir em direção ao centro histórico. Dá para ir, por exemplo, até o Mercado Central de Budapeste, comprar umas lembrancinhas.
A linha faz parte do transporte público comum, portanto não exige ingresso turístico: basta usar um bilhete normal ou passe de Budapeste. Um único bilhete é suficiente para percorrer a linha sem desembarcar, mas quem quiser descer para conhecer as atrações e depois continuar precisará validar outro bilhete ou utilizar um passe válido. Os bondes 2B e 23 também percorrem o mesmo trecho panorâmico na região central.
Atente que a validação do bilhete adquirido pelo aplicativo é um pouco diferente em Budapeste, por uma espécie de QR Code. A gente explica no post sobre transporte em Budapeste.

22. Reserve algumas horas para explorar o Parque da Cidade
O Parque da Cidade de Budapeste, chamado de Városliget em húngaro, é muito mais do que uma área verde. Localizado no fim da Avenida Andrássy, logo depois da Praça dos Heróis, ele reúne castelo, museus, lago, pista de patinação no inverno, restaurantes, atrações para crianças e alguns dos projetos de arquitetura contemporânea mais interessantes da capital. O parque é bem grande, então reserve pelo menos algumas horas para percorrê-lo.
O parque abriga ainda o Zoológico de Budapeste, o Circo da Capital e as Termas Széchenyi. Uma boa sugestão de roteiro é começar pela Praça dos Heróis, subir ao terraço do Museu de Etnografia, caminhar até o Castelo Vajdahunyad e terminar com um almoço no Gundel, um dos restaurantes mais tradicionais da Hungria. Foi ali que tive uma das refeições mais agradáveis da viagem. Recomendo reservar a mesa.
O Városliget é considerado um dos primeiros parques públicos planejados do mundo. Durante minha visita, encontrei algumas áreas mais largadas e outras muito bem cuidadas, com jardins impecáveis. Há parquinhos infantis, áreas esportivas, caminhos entre as árvores e quiosques de comida.
Um dos trechos mais bonitos fica ao redor do Lago do Parque da Cidade, com pequenos canais, pontes e o Castelo Vajdahunyad refletido na água. No inverno, o lago se transforma em uma das maiores e mais antigas pistas de patinação ao ar livre da Europa. O local recebe patinadores desde 1870 e sua superfície de gelo artificial ultrapassa 12 mil m².
O Castelo Vajdahunyad parece medieval, mas foi construído originalmente para a Exposição do Milênio de 1896. O projeto reúne referências a diferentes períodos da arquitetura húngara, do românico ao barroco. A estrutura temporária fez tanto sucesso que acabou reconstruída com materiais permanentes. A ponte de acesso é uma das partes mais bonitas e, quando fui, havia uma feirinha de produtos locais nas proximidades.
É possível entrar no pátio e dar a volta completa no castelo gratuitamente. Eu não fiquei com vontade de pagar para subir à torre, mas vale caminhar ao redor do conjunto e tirar algumas fotos. Ali perto fica também a Capela de Ják: o interior não chega a impressionar e achei a construção mais bonita por fora, mas, na minha visita, a entrada era gratuita.
Outro destaque é a Magyar Zene Háza, a Casa da Música Húngara. Projetado pelo arquiteto japonês Sou Fujimoto, o edifício tem grandes paredes de vidro e uma cobertura ondulada e perfurada, que permite a passagem das árvores. Cercado por folhagens, ele parece se camuflar no meio do parque. O espaço recebe concertos de diferentes estilos, exposições, instalações, apresentações, palestras, oficinas e atividades para famílias.

O grande balão vermelho que aparece acima das árvores é o BalloonFly. Preso ao solo por um cabo, ele sobe verticalmente até 150 metros e funciona como um mirante aéreo, com vista para o parque, a Praça dos Heróis e boa parte de Budapeste. O passeio depende bastante do vento e das condições meteorológicas, por isso é importante consultar a previsão de funcionamento antes de ir.
Vale também subir ao terraço do Museu de Etnografia, mesmo sem visitar as exposições. O edifício é formado por duas grandes alas curvas que se elevam como encostas e enquadram a entrada do parque. Boa parte do museu fica abaixo do nível do solo, enquanto a cobertura abriga um jardim de mais de 7 mil m², acessível gratuitamente. Do ponto mais alto, dá para observar o Városliget de cima.

23. Garanta sua foto na Praça dos Heróis
A Praça dos Heróis de Budapeste, ou Hősök tere, marca o fim da elegante Avenida Andrássy e a entrada do Parque da Cidade. A visita é rápida, mas se encaixa facilmente em um roteiro pela região.
É uma praça sem vegetação: tem uma área calçada ampla e um grande monumento, que começou a ganhar sua aparência atual em 1896, durante as comemorações dos mil anos da chegada dos magiares à Bacia dos Cárpatos. No centro está uma coluna de 36 metros. Na base aparecem Árpád e os líderes das sete tribos magiares, enquanto as colunatas semicirculares exibem reis, governantes e outras figuras importantes da história da Hungria. Os relevos sob as estátuas representam episódios associados a cada personagem.
Também vale observar os edifícios que enquadram a praça. De um lado fica o Museu de Belas Artes, com uma extensa coleção de arte internacional; do outro está o Műcsarnok, dedicado principalmente a exposições temporárias de arte contemporânea. Essa composição simétrica ajuda a criar a grandiosidade do lugar, que integra um conjunto reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco.

24. Suba ao topo da Cidadela para ver Budapeste de cima
A Cidadela ocupa o topo da Colina Gellért e oferece uma das vistas mais altas e abrangentes de Budapeste. O lugar foi construído entre 1850 e 1854 pelos Habsburgos, depois da derrota da Revolução Húngara de 1848–1849. Mais do que proteger a cidade, a fortaleza permitia vigiar e intimidar sua população. Depois de anos fechada para obras, ela reabriu completamente renovada em 2026, com jardins, mirantes e espaços culturais.
Do alto, é possível acompanhar as curvas do Danúbio, enxergar a pontinha do Parlamento e observar o Castelo de Buda por um ângulo diferente. Mas o panorama não se limita às atrações mais famosas: os mirantes também se abrem para o leste e o sul, revelando bairros e áreas da capital que poucos turistas chegam a conhecer. Muita gente se senta nas escadarias aos pés da Estátua da Liberdade para admirar a vista.
A Estátua da Liberdade tem uma história interessante. A figura feminina segurando uma folha de palmeira foi inaugurada em 1947 como parte de um monumento dedicado à vitória do Exército Vermelho sobre a ocupação nazista. Diante do pedestal havia originalmente um soldado soviético armado e com uma bandeira. Com o fim do regime comunista, o soldado foi retirado, em 1992, e levado ao Memento Park. As inscrições soviéticas também foram substituídas por uma homenagem mais abrangente a todos que sacrificaram a vida pela independência, liberdade e prosperidade da Hungria.

A estátua pode ser avistada de vários pontos às margens do Danúbio. À noite, recebe uma iluminação que a faz parecer suspensa, quase sobrevoando Budapeste.
A visita às áreas externas, aos jardins, à Estátua da Liberdade é gratuita. Já o edifício moderno que aparece integrado às antigas muralhas abriga a exposição Bastião da Liberdade e cobra ingresso. Instalado na antiga torre de canhões ocidental, esse espaço histórico utiliza projeções, recursos interativos e uma arquitetura marcada por vidro e linhas contemporâneas para contar as lutas dos húngaros por independência e liberdade.
É possível chegar caminhando, mas a subida é puxada. Vi muita gente alcançar o topo sem fôlego e bastante suada. Eu preferi subir de ônibus e descer o morro a pé, achei perfeito dessa forma. Para chegar, peguei o ônibus 27 e desci em Búsuló Juhász (Citadella), fazendo um último trecho a pé, curtinho e tranquilo.

25. Na descida, passe na Igreja na Pedra
A Igreja na Pedra de Budapeste é uma atração pequena, mas curiosa, localizada na parte baixa da Colina Gellért — eu parei lá na descida da Cidadela. Seus ambientes combinam cavidades naturais, formadas pela ação de águas termais na rocha, com passagens e espaços adaptados durante a construção do templo.
Conhecida localmente como Sziklatemplom e também chamada de Igreja da Caverna, é um espaço religioso ainda em funcionamento, mas recebe turistas. Ao percorrer os ambientes da igreja, é necessário manter silêncio.
A origem do templo está ligada a um grupo de peregrinos húngaros que visitou Lourdes, na França. A experiência inspirou a criação de uma igreja dentro da caverna, com uma imagem de Nossa Senhora de Lourdes que ainda pode ser vista próxima à entrada. Atualmente, o local faz parte do mosteiro de Budapeste da Ordem Paulina, a única ordem religiosa masculina fundada na Hungria.
A história da igreja também reflete os períodos mais conturbados do país no século 20. Após a proibição da Ordem Paulina, em 1950, o templo foi fechado. Durante a década de 1960, sua entrada chegou a ser bloqueada por uma parede com cerca de dois metros de espessura. A Igreja na Pedra só foi reaberta em 1989.
Segundo o site oficial, a visitação acontece de segunda-feira a sábado, das 9h30 às 19h30, e o local fecha aos domingos. Como ainda são celebradas missas e visitas turísticas não são permitidas durante as cerimônias, vale conferir a programação antes de ir. O ingresso não é caro.

26. Passe uma tarde de sol na Ilha Margarida
A Ilha Margarida, ou Margitsziget, é uma grande área verde no meio do Danúbio, entre Buda e Pest. Com quase 100 hectares e cerca de 2,8 quilômetros de extensão, ela funciona como o parque de lazer de Budapeste: tem jardins, ruínas históricas, espaços esportivos, atrações culturais, restaurantes e caminhos para caminhar ou pedalar. Tem até hotéis nessa ilha — veja em nosso post sobre Hotel em Budapeste.
O nome homenageia a princesa Margarida, filha do rei Béla IV, que viveu em um convento dominicano construído na ilha no século XIII. As ruínas do convento ainda existem. Entre as demais atrações estão um roseiral, a bela Torre de Água, um teatro ao ar livre, o complexo de piscinas Palatinus e uma pista de corrida com pouco mais de cinco quilômetros que contorna a ilha.
O lugar não é inteiramente uniforme. Algumas áreas são muito bem cuidadas, com jardins caprichados e bastante espaço para sentar. Outros trechos parecem mais largados. Como a ilha é comprida, essa mudança de paisagem aparece naturalmente durante o passeio.
Uma das atrações mais famosas é a Fonte Musical, próxima à entrada da Ponte Margarida. Com 36 metros de diâmetro, ela combina jatos de água e música em apresentações gratuitas. À noite, o espetáculo ganha iluminação colorida e projeções sobre uma cortina de água. Os shows são sazonais, normalmente realizados durante os meses mais quentes, por isso vale verificar o funcionamento antes de incluir no roteiro.
O Jardim Japonês fica praticamente na outra ponta da ilha, ao norte. Há um pequeno lago com plantas aquáticas, pedras, uma cascata e uma ponte de madeira.
A entrada principal fica na extremidade sul. Um pequeno braço lateral sai do meio da Ponte Margarida e leva diretamente à ilha, formando uma espécie de ponte ligada à ponte principal. Os bondes 4 e 6 param na ponte; de lá, basta atravessar esse acesso a pé. Outra opção é embarcar no ônibus 26; o ônibus 226 também passa pela ilha, mas é uma linha sazonal. Também é possível entrar pelo norte, a partir da Ponte Árpád.
Dá para explorar a Ilha Margarida de bicicleta ou patinete elétrico. Há ciclovia inclusive sobre as pontes de acesso. Como as atrações ficam espalhadas por quase três quilômetros, usar algum veículo faz diferença para quem pretende atravessar a ilha sem gastar boa parte do passeio caminhando.
27. Visite a biblioteca mais linda de Budapeste
A Metropolitan Ervin Szabó Library é uma biblioteca pública de verdade, frequentada principalmente por estudantes, pesquisadores e moradores de Budapeste. O que a transforma em atração turística é sua sede central, instalada no antigo Palácio Wenckheim, um edifício neobarroco construído entre 1886 e 1889 para o conde Frigyes Wenckheim e sua esposa, Krisztina. O palácio funciona como biblioteca desde 1931.
A parte mais bonita ocupa os antigos salões da residência aristocrática. Entre estantes de madeira, lareiras de mármore, lustres, espelhos e tetos trabalhados estão salas de leitura. Para conhecer o palácio, compre o ingresso turístico no térreo (não é caro) e siga as placas indicativas.
Eu fui com o tempo contado antes de pegar um trem e, quando cheguei aos salões, fiquei com muita vontade de permanecer por mais tempo. Minha dica é levar um livro e reservar pelo menos uma hora para o espaço. Sente-se em uma das poltronas e aproveite a biblioteca como ela foi pensada, para leitura mesmo. É uma forma simples de conhecer o palácio sem transformar o lugar apenas em cenário para fotografias. Antes de ir, consulte os dias e horários de funcionamento.

Budapeste Card vale a pena?
Budapest Card inclui transporte público ilimitado, entrada gratuita em mais de 30 museus e atrações, um passeio de barco pelo Danúbio, acesso às Termas Lukács, passeios a pé por Buda e Pest e descontos em outros pontos turísticos. Mas não é muito barato, então depende muito do seu roteiro.
O cartão tende a valer a pena para quem pretende visitar vários museus, como a Galeria Nacional Húngara, o Museu de Belas Artes, o Museu Nacional Húngaro e o Museu de História de Budapeste. A conta também melhora se você realmente fizer o cruzeiro incluído, visitar as Termas Lukács, usar o teleférico de Zugliget e participar dos passeios guiados a pé.
Em 2026, o Budapest Card de 72 horas custava 29.990 HUF, enquanto o passe comum de transporte público pelo mesmo período saía por apenas 5.750 HUF. Isso significa que é preciso aproveitar mais de 24 mil florins em atrações para justificar a diferença. Usar apenas metrô, ônibus e bondes está longe de ser suficiente.
Budapest Card, cartão turístico de Budapeste
Enquanto eu escrevo esse guia, o Parlamento não faz parte do cartão; as Termas Széchenyi e Rudas têm 20% de desconto; a Grande Sinagoga, apenas 10%; e lugares como a Ópera Estatal Húngara e a Casa do Terror também exigem ingresso separado. O ônibus 100E para o aeroporto não está incluído no cartão convencional.
Para quem deseja conhecer os principais cartões-postais e caminhar bastante pela cidade, normalmente sai mais barato comprar tickets de transporte público e os ingressos separadamente. Para um roteiro intenso, com muitos museus e atrações incluídas, o Budapest Card pode gerar uma boa economia. Minha recomendação é montar o roteiro primeiro e fazer a conta depois.
Os valores e parceiros mudam, então confira a lista atualizada no site oficial.
Jéssica Weber