Onde comer em Budapeste
A gastronomia é mais um bom motivo para visitar Budapeste. A capital da Hungria tem restaurantes para todos os gostos, desde estabelecimentos tradicionais, que servem receitas passadas de geração em geração, até endereços modernos, com propostas criativas e culinária internacional. E não faltam cafés históricos lindíssimos, com decoração tão pomposa que viram um ponto turístico.
A cozinha húngara é conhecida por pratos de carne e frango e por ensopados bem temperados. Um dos ingredientes mais característicos é a páprica, utilizada em diversas receitas. O lanche mais comum é uma espécie de pizza frita salgada (o lángos). E guarde espaço para os strudels húngaros (rétes), para o chimney cake (kürtőskalács) ou a torta Dobos.
Neste post, reunimos sugestões de onde comer em Budapeste, incluindo restaurantes típicos, lugares para fazer uma refeição com vista e opções para um lanche durante os passeios. E antes de conferir os endereços, veja algumas especialidades húngaras que vale a pena provar durante a viagem.
Goulash é o prato mais tradicional da Hungria
Onde comer no lado Peste
- Experiência agradável, elegante e tradicional junto ao Parque da Cidade
- Comendo à beira do Danúbio em Budapeste
- Os belíssimos cafés históricos de Budapeste
- Chimney Cake quentinho na Váci Utca
- Karaván Street Food – um food hall a céu aberto no bairro judeu
- Mazel Tov, um "ruin restaurante" de comida judaica contemporânea
- Hungarikum Bisztró, comida húngara e receitas de família
- Mama Goulash e a fila que desperta curiosidade
- Gozsdu Udvar, uma galeria com várias opções no bairro judeu
- Párisi Udvar, um restaurante que parece cenário de filme
Onde comer no lado Buda
- White Raven para um pôr do sol com vista incrível e petiscos gourmet
- Para almoço italiano no terraço ou jantar aos pés do castelo
- Para um strudel típico húngaro depois de visitar o castelo
Comidas típicas da Hungria: vai encarar?
- Gulyás (goulash): um dos pratos mais famosos da Hungria. Diferentemente do que muita gente imagina, a versão tradicional húngara é uma sopa substanciosa, preparada com carne bovina, batatas, legumes e páprica. Pode ser entrada ou prato principal.
- Lángos: é o que eu chamei de pizza frita. Tecnicamente, é uma massa frita, geralmente servida com creme azedo (tejföl) e queijo ralado. É uma comida de rua bastante popular e pode receber diferentes coberturas.
- Paprikás csirke: frango ao molho cremoso de páprica, normalmente acompanhado de pequenas massas chamadas nokedli.
- Pörkölt: ensopado de carne cozida lentamente com cebola e páprica. Pode ser preparado com carne bovina, suína ou outros tipos de carne.
- Halászlé: sopa de peixe temperada com páprica, tradicional em diferentes regiões da Hungria.
- Rétes: versão húngara do strudel, preparada com massa fina e recheios como maçã, cereja ácida, queijo fresco, ameixa, sementes de papoula, entre outros. Também existem versões salgadas, tem até de repolho!
- Kürtőskalács: conhecido como chimney cake, é um doce feito com massa enrolada em um cilindro e assada até ficar dourada, geralmente coberta com açúcar, canela ou nozes.
- Dobos torta: torta tradicional húngara, com camadas finas de massa intercaladas com creme de chocolate e uma cobertura crocante de caramelo.
Lángos, essa espécie de pizza frita húngara
Onde comer em Budapeste: Dicas de restaurantes no lado Peste
Experiência agradável, elegante e tradicional no Parque da Cidade
O Gundel é um dos restaurantes mais tradicionais e famosos de Budapeste, com mais de 130 anos de história. Fica na entrada do Parque da Cidade, ao lado do Zoológico de Budapeste e pertinho das Termas Széchenyi. É um daqueles lugares que vão além da gastronomia: o edifício histórico, a decoração elegante e o atendimento fazem parte da experiência.
Fomos almoçar no Gundel depois de visitar as termas. Fizemos reserva porque é indicado, mas estava muito tranquilo o movimento naquele dia e acho que nem precisaria. Era um dia quente e conseguimos aproveitar o jardim, onde as mesas ficam em um ambiente muito agradável, cercado de verde. O restaurante tem elementos decorativos de animais, uma referência à proximidade com o zoológico. O salão interno é mais sóbrio e tri sofisticado.
Para completar, havia músicos tocando instrumentos de cordas e piano. Eu não costumo ser a maior fã de música ao vivo, mas achei que agregou muito à experiência. Tocaram até Vinicius de Moraes quando descobriram que eu sou brasileira.
O cardápio valoriza a gastronomia húngara, com receitas tradicionais que ajudaram a construir a reputação do restaurante. Entre as especialidades estão o frango ao molho de páprica, o patê de foie gras de Tokaj e o schnitzel, uma carne empanada bastante popular na Europa Central.
Escolhamos goulash, que na Hungria é tradicionalmente servido como uma sopa, com pedaços de carne bovina, legumes e páprica. Apesar da fama desse tempero, o sabor não é excessivamente forte: achei bem equilibrado e saboroso. Vale pedir um pãozinho para acompanhar e aproveitar o caldo até o fim! Em restaurantes tradicionais como o Gundel, o goulash costuma aparecer como entrada. Então se você estiver com fome, não será o suficiente.
Também experimentamos a famosa panqueca Gundel, uma das sobremesas mais emblemáticas do restaurante. A receita leva recheio de nozes, passas e raspas de laranja, com cobertura de chocolate. É bem delicado e uma ótima maneira de encerrar a refeição.

O Gundel não é um restaurante barato, mas também não achei os preços absurdos considerando o preço médio em Budapeste e toda a experiência. Gostei tanto que quis guardar o guardanapo, decorado com o nome e o desenho do restaurante em dourado. Acabaram recolhendo a mesa antes que eu pegasse, mas felizmente nos trouxeram um cartão-postal do restaurante e eu pude levar alguma lembrança.
Comendo à beira do Danúbio em Budapeste
Uma das experiências mais gostosas para fazer em Budapeste nos dias de tempo bom é comer ou tomar alguma coisa às margens do Danúbio. Especialmente nos meses quentes, há bares e restaurantes com mesas ao ar livre, onde turistas e moradores aproveitam a vista para o rio, as pontes e os monumentos da cidade. E o pôr do sol deixa tudo mais bonito.
A gente parou no Elefánt, que fica junto ao complexo Bálna, na margem de Pest. O restaurante tem um ambiente descontraído, com mesas ao ar livre e uma bela vista para o Danúbio. Fomos no fim da tarde e aproveitamos o pôr do sol tomando um vinho frisante de preço relativamente acessível. Foi uma delícia!

O cardápio é variado, com pizzas, hambúrgueres, carnes preparadas na churrasqueira, saladas e petiscos. Pedimos uma pizza de alcachofra, presunto, azeitonas e cogumelos, que estava muito gostosa. As pizzas não são muito grandes, sugiro dividir apenas se você não estiver com muita fome. Também tinha carnes, hambúrgueres e petiscos.
Outras opções de restaurantes junto ao rio são o KIOSK Budapest, próximo à Ponte Elizabeth, que combina restaurante e bar em um ambiente mais sofisticado; o Spoon The Boat, instalado em um barco atracado no Danúbio, na região da Vigadó tér; e o Port Beer & Food, no lado de Buda, perto da Ponte das Correntes.

Em outro dia, optamos por uma refeição mais informal: compramos lanches na Sombreros Taqueria Mexican Fast Food e levamos para comer sentados à beira do Danúbio, na região da Ponte das Correntes. Os lanches eram enormes e muito saborosos — poderíamos até ter dividido um! Foi uma maneira mais gostosa de aproveitar a paisagem sem gastar tanto.
Aliás, essa é uma dica que vale para Budapeste: não pense apenas nos estabelecimentos com vista para o rio. Comprar algo para viagem ou mesmo um lanche no mercado e procurar um lugar agradável para sentar às margens do Danúbio também pode render uma experiência memorável, especialmente no fim da tarde, quando a cidade começa a se iluminar. Eu achei sanduíches prontos no supermercado Spar a partir de R$ 10, além de saladas simples em conta também.
Os cafés históricos de Budapeste
Budapeste tem uma longa tradição de cafés históricos, que durante os séculos XIX e XX serviram como pontos de encontro de escritores, jornalistas, artistas e intelectuais. Muitos desses estabelecimentos preservam salões elegantes, com decorações que remetem aos tempos do Império Austro-Húngaro.
O mais famoso é o New York Café. Com colunas de mármore retorcidas, douramentos, afrescos no teto, lustres e grandes arcos, ele se autodeclara "o café mais bonito do mundo". Mas é também um lugar super turístico. A minha experiência por lá não foi boa, especialmente por causa do atendimento (leia o relato aqui).
Escritores como Dezső Kosztolányi, Frigyes Karinthy e Sándor Márai frequentaram o endereço. O próprio café fornecia materiais para quem trabalhava ali, como papel, caneta e tinta, e oferecia opções baratas de comida para escritores com pouco dinheiro.

Localizado na rua Erzsébet, no lado Pest, o café funciona no térreo do luxuosíssimo hotel Anantara New York Palace Budapest. Inclusive, o café da manhã dos hóspedes é servido em um lindo espaço integrado, logo ao lado.
Durante o dia, os clientes do New York Café são acomodados por ordem de chegada. Vale chegar cedo para não encarar fila: nós chegamos por volta das 8h30min e conseguimos mesa imediatamente. Reservas são aceitas depois das 18h para o jantar. O New York serve opções de café da manhã, mas também doces e tortas famosas, pratos húngaros e outras refeições, tipo massa, carnes, peixes, salada e até hambúrgueres. Mas, como você deve desconfiar, não é dos lugares mais baratos. E cobra 15% de taxa de serviço.

Peguei apenas um café e uma fatia de torta super tradicional da Hungria, a dobos. É um famoso bolo húngaro em camadas, feito com finas fatias de pão de ló, recheio de creme de chocolate e cobertura de caramelo. Achei boa, mas nada espetacular, e daria até para dividir para não ficar enjoativo.
Mas eu tenho um outro café histórico para sugerir, onde tem, inclusive, simpáticas mesas na rua. Criado em 1887, o Centrál Grand Cafe fica no coração do bairro de Belváros (Distrito V). Lá eu comi um nhoque com strogonoff de cogumelos super gostoso e fui bem atendida. Seguem as fotos abaixo. Outros endereços clássicos são o Gerbeaud, fundado em 1858 e conhecido pela confeitaria e pelos doces tradicionais húngaros, e o Művész Kávéház, na Avenida Andrássy, em frente à Ópera Estatal Húngara.
Chimney cake quentinho na Váci utca
O kürtőskalács, conhecido como chimney cake ou bolo de chaminé, é um dos doces mais tradicionais da Hungria. Sua origem está ligada à região da Transilvânia, especialmente à cultura dos sículos, povo de língua húngara. Uma das primeiras receitas conhecidas apareceu em um livro de culinária transilvano de 1784, e hoje o doce integra a lista oficial de Hungarikums, os produtos considerados representativos da cultura húngara.
O nome vem de kürtő, palavra húngara para “chaminé”, uma referência ao formato cilíndrico e oco. Para prepará-lo, tiras de massa fermentada são enroladas em um cilindro e assadas enquanto giram. O açúcar colocado na superfície carameliza com o calor, formando uma casquinha crocante, enquanto o interior permanece macio. E o cheiro que esse processo lança na rua é inebriante hehe. Tradicionalmente, ele recebe coberturas como açúcar com canela, baunilha, cacau, nozes ou sementes de papoula, mas é possível encontrar versões bem incrementadas.

Vale ir até a Pichler Chimney Cake & Gelato, na Váci utca. A casa prepara os bolos ao longo do dia e os serve ainda quentinhos. Também há versões recheadas com sorvete, mas daí eu recomendo fortemente que você pegue uma mesa e coma sentado. Eu comi um desses em Praga e não me melecava tanto com uma comida desde os dez anos de idade.
Ali no Pilcher, eu peguei o de pistache e adorei, mas a versão básica só com açúcar e canela é uma boa escolha para quem deseja provar algo mais próximo da receita tradicional. O jeito mais gostoso de comer é ainda quente, soltando aos poucos as tiras de massa que formam a espiral.
Karaván Street Food – um food hall a céu aberto no bairro judeu
O Karaván é uma espécie de praça de alimentação a céu aberto, com vários quiosques que servem comidas típicas da Hungria e pratos de vários outros países. Fica no Bairro Judeu de Budapeste, ao lado do famoso ruin bar Szimpla Kert, em uma região cheia de bares e restaurantes, bastante movimentada à noite. É uma boa opção para quem quer experimentar diferentes sabores em um ambiente informal e descontraído, antes de curtir os ruin bars.

O espaço tem mesas compartilhadas, cordões de luzes coloridas, plantas e chão de brita. Fomos numa quinta-feira à noite e havia bastante gente, mas conseguimos um lugar para sentar sem dificuldade. O clima era animado, com muita gente conversando e, curiosamente, heavy metal tocando ao fundo.
Entre as opções de comida que eu encontrei estavam o tradicional lángos (a "pizza frita") e o kürtőskalács (chimney cake). Mas havia também hambúrgueres, pratos quentes típicos, baos asiáticos e lanches mexicanos. Vi até um hambúrguer feito com lángos no lugar do pão, com gordura escorrendo enquanto um rapaz tentava comê-lo — meu colesterol disparou só de olhar!
Eu pedi o chicken paprikás, um prato típico húngaro de frango ao molho de páprica, acompanhado de galuska, uma espécie de massa ou nhoque local. O frango estava gostoso e suculento, com um molho saboroso e mais suave do que eu esperava. Já a massa tinha uma textura um pouco molenga e, para o meu gosto, ficou devendo bastante em comparação com uma boa massa italiana. Mas achei interessante provar.

Uma amiga escolheu o beef stew, um ensopado de carne bovina servido com batatas cozidas. Estava gostoso, embora faltasse um pouco de sal. É aquele tipo de comida caseira, reconfortante, que combina com dias mais frios.
Apesar da proposta de comida de rua, não espere preços tão baixos. Com um prato e uma Coca-Cola, gastei mais de R$ 100. Ainda assim, o Karaván vale pela variedade gastronômica e pela possibilidade de experimentar diferentes pratos em um só lugar.
Mazel Tov, um "ruin restaurante" no bairro judeu
Eu citei os ruin bars de Budapeste, mas não expliquei o que são. Os “bares em ruínas” ocupam prédios velhos no bairro judeu, área transformada em gueto durante a II Guerra Mundial e deteriorada nas décadas seguintes. Em vez de reformar completamente esses imóveis, os bares aproveitaram justamente sua aparência decadente, preenchendo os espaços com uma decoração excêntrica. O Szimpla Kert é o mais antigo e mais famoso, mas há outros. Escrevo sobre eles neste post.
Outro endereço frequentemente associado ao conceito é o Mazel Tov, instalado em um antigo edifício na Akácfa utca. Mas ele representa uma versão bem mais Nutella da ideia: o interior foi reformado, ganhou um balcão de azulejos, mesinhas de madeira, muita vegetação e funciona principalmente como restaurante de cozinha judaica contemporânea. Eu entrei só para tirar uma foto quando estava fechando, mas adoraria voltar para jantar. É recomendável fazer reserva.

Hungarikum Bisztró, comida húngara e receitas de família
O Hungarikum Bisztró é um restaurante especializado na gastronomia tradicional húngara, com foco nos sabores caseiros e nas receitas de família. Localizado no centro de Pest, perto do Parlamento Húngaro, tem um ambiente aconchegante e uma proposta que valoriza a hospitalidade e a culinária local. A gente visitou na viagem para fazer a primeira versão do guia e gostou bastante.
No cardápio, um dos destaques é o menu Hungarikum, composto por sopa de goulash com pequenas massas (entrada), coxa de pato crocante com repolho refogado e batatas (prato principal) e torta de maçã com canela e molho de baunilha (sobremesa). O restaurante é bastante procurado, não é barato, e exige reserva antecipada. O estabelecimento também pode oferecer apresentações de música tradicional ao vivo, conforme a programação.
Mama Goulash e a fila que desperta curiosidade
Quer comer comida tradicional húngara com uma proposta mais informal e direta? O Mama Goulash, no Bairro Judeu, é daqueles lugares que chamam a atenção pela popularidade: durante minha viagem, passei algumas vezes em frente ao estabelecimento e sempre havia fila, mesmo com chuva. As avaliações na internet são numerosas e impressionantes.
O cardápio é relativamente enxuto e reúne algumas das receitas mais conhecidas da Hungria. O destaque obviamente é o goulash, que ali pode ser servido dentro de um pão redondo. Outras opções são o frango ao molho de páprica, acompanhado de pequenas massas húngaras, o schnitzel e o lecsó, um ensopado de legumes.
O Mama Goulash é uma opção para quem deseja experimentar pratos típicos em um ambiente informal, bem no coração de uma das regiões mais animadas de Budapeste. Não cheguei a comer no restaurante, mas está na minha lista para a próxima viagem.
Gozsdu Udvar, uma galeria com várias opções no bairro judeu
Trago outra opção no bairro judeu — agora que reparei que tem tantas hehe! Se você procura um lugar com bastante variedade de restaurantes e bares, vale conhecer a Gozsdu Udvar. É uma galeria formada por uma sequência de pátios interligados, com mesas ao ar livre e estabelecimentos dos mais variados estilos. O ambiente é bastante movimentado, especialmente à noite.

O complexo reúne opções de culinária húngara e internacional, incluindo restaurantes, hamburguerias, bares de coquetéis. Foi lá onde eu experimentei o lángos, a tradicional massa frita húngara, junto com schnitzel e batata frita. Esse tanto de fritura teve seu preço, acreditem. Mas gostei do restaurante, bem descontraído e com bom atendimento, chamava-se Spíler.

Entre outros restaurantes encontrados por lá estão o Gozsdu Lángos Bistro, o Sakura Gozsdu, de culinária asiática, e o Vicky Barcelona, voltado a drinques e à vida noturna. Há até um karaokê, o Blue Bird Karaoke, para quem quiser estender a programação depois do jantar.
A Gozsdu Udvar também tem uma história interessante. O conjunto arquitetônico foi construído no início do século XX e chegou a integrar o gueto judeu de Budapeste durante a Segunda Guerra Mundial. Depois de passar por uma grande restauração nos anos 2000, tornou-se um dos principais polos gastronômicos e de entretenimento da cidade. A galeria liga as ruas Király e Dob e pode ser visitada gratuitamente. Mesmo que você não pretenda comer por lá, vale atravessá-la para conhecer o ambiente e sentir o movimento do Bairro Judeu.
Párisi Udvar, um restaurante que parece cenário de filme
Imagine tomar um café ou fazer uma refeição em um salão histórico, cercado por vitrais coloridos, mosaicos, colunas ornamentadas e uma impressionante cobertura de vidro. Essa é a proposta do Párisi Udvar, um dos edifícios mais bonitos de Budapeste, localizado no centro de Pest, perto da Ponte Elizabeth. O espaço, que já abrigou uma galeria comercial e uma instituição financeira, foi restaurado e reaberto em 2019 como um hotel de luxo, preservando sua arquitetura histórica.

O Párisi Udvar abriga o Párisi Passage Café & Restaurant, aberto também a quem não está hospedado no hotel. Os preços são elevados mesmo para os padrões de Budapeste, mas o ambiente é o grande diferencial. Para quem não pretende gastar tanto, vale considerar apenas um café com sobremesa. O café funciona diariamente, das 8h às 18h30, e não aceita reservas; já no restaurante é possível reservar uma mesa. É uma boa alternativa para incluir em um passeio pelo centro histórico de Pest.

Onde comer no lado Buda
Eu fiquei 24h no lado de Buda, me hospedando no elegantíssimo Hilton Budapest, para conseguir sentir o clima desse lugar mesmo depois de escurecer. E descobri três ótimos lugares para recomendar na região do castelo:
White Raven para um pôr do sol com drinks e petiscos gourmet
O meu entardecer foi no bar do rooftop do hotel, o conceituado White Raven Skybar & Lounge, que é sem dúvida um dos bares com vista mais linda de Budapeste. É um terraço voltado para o Bastião dos Pescadores, em primeiro plano, e o Parlamento Húngaro lá do outro lado do Rio Danúbio. É aberto, então não é uma boa ideia com chuva ou frio intenso.

O lugar é perfeito para tomar um drink ou um vinho e pedir alguma coisa para petiscar. Entre os pratos estão tábuas de queijos, steak tartare, camarões crocantes com coco, salmão com soja e gengibre, rolinhos de pato e filé Angus. Os preços não são dos mais baixos, então a gente só pegou apenas uma porção de batata trufada (perfeita, diga-se, cortada um pouco maior e crocante com maionese deliciosa) e uma tacinha de vinho. E ainda nos cederam mantas porque a gente estava achando frio — o ambiente é externo.
O ambiente é descolado-chic, colocando a vista como a grande atração. Vale fazer reserva pela internet, especialmente para o horário do pôr do sol. É uma experiência interessante para quem deseja apreciar Budapeste de outro ângulo e com um pouco mais de glamour, mesmo sem estar hospedado no Hilton.
Para almoço italiano no terraço ou jantar
Para jantar, estávamos famintos por comida italiana. Então fomos até o Riso Ristorante, perto da Porta de Viena. O cardápio inclui pizzas, lasanhas, massas caseiras, risotos e pratos com carne. Para quem deseja experimentar a gastronomia local, uma das opções é o gulyásleves, a tradicional sopa de goulash húngara. A carta de bebidas reúne vinhos, prosecco, coquetéis e chope.

A gente comeu uma massa bolonhesa deliciosa e uma salada bem normalzinha (pedida por pura culpa, admito). A nossa massa era strozzapreti, de formato alongado e enrolada à mão. Estava al dente, com um molho muito bem temperado e generosas lascas de parmesão. E as pizzas também são muito bonitas. Voltaria, com certeza.
Um dos atrativos do Riso é seu agradável terraço ajardinado, que permite fazer uma refeição ao ar livre nos dias de tempo bom — uma boa alternativa para almoçar depois de explorar as atrações da região do Castelo de Buda. Mas a gente foi de noite, já não estava muito quente e só tinha a opção de sentar dentro.
Para um lanchinho depois de visitar o castelo
O strudel húngaro é chamado de rétes, preparado com uma massa fina e recheios variados. E eu descobri um lugar maravilhoso para experimentar a iguaria perto do castelo, o Budavári Rétesvár.
Entre os sabores mais tradicionais estão maçã, cereja ácida, ameixa, queijo fresco e sementes de papoula. Há também versões salgadas, como a de repolho (não me pergunte, porque nem experimentei). O de maçã lembra no gosto o apfelstrudel austríaco/alemão, e eu peguei também o de queijo, levemente docinho, foi o que eu mais gostei.
Na ocasião, cada unidade custava 900 florins húngaros. Não são muito grandes, então dá para experimentar dois. É uma boa pedida para acompanhar um café, exatamente o que eu fiz. Tinha pouquíssimos lugares para sentar dentro do estabelecimento, mas nós levamos o lanche para um banco logo na frente, em uma área que remete a uma passagem medieval.

Jéssica Weber