Vida noturna de Viena
Admito que eu esperava pouco da noite de Viena, mas acabei descobrindo rolezinhos bem gostosos depois do pôr do sol. Tem tanto programas mais clássicos, para quem está interessado em Mozart e Schubert, quanto uma cena descontraída que atrai principalmente o público jovem. Vem que eu te mostro!
- Concertos em Viena e outros programas "cult"
- Bares de Neubau, o bairro descolado de Viena
- Bares às margens do Canal Danúbio
- Rooftops em Viena
Noite em Viena: o que fazer quando anoitece na capital da Áustria
Viena não é uma cidade de noite barulhenta, mas quem sai do roteiro básico descobre uma capital com boa oferta de concertos, ópera, bares, cafés históricos, rooftops e áreas ao ar livre que ficam especialmente agradáveis nos meses quentes.
A cidade combina programas clássicos, como assistir a uma apresentação na Ópera Estatal, com experiências mais informais, como beber algo no Canal do Danúbio ou frequentar um bar de Neubau. Mas deixa eu separar as experiências, para agradar a gregos e troianos:
Concertos em Viena e outros programas "cult"
Uma boa forma de viver a noite de Viena é assistindo a uma apresentação musical. A cidade se vende como a capital mundial da música clássica, e há apresentações praticamente todos os dias, entre óperas, concertos, recitais e programas voltados a turistas mesmo — estamos falando da terra de Mozart.
O endereço mais famoso é a Ópera de Viena, um dos teatros mais importantes do mundo. A experiência impressiona não só pela música, mas também pelo edifício e pelo ritual da noite. A gente te conta tudo da experiência neste post.

O ideal é se antecipar bastante para comprar ingressos no site oficial. Eu fui conferir "apenas" um mês e uma semana antes, mas já não tinha mais lugar na Così Fan Tutte, a terceira e última ópera de Mozart (ingressos iam de 16 a 232 Euros). Só consegui assento em um balé chamado Manon, e eu consegui só o ingresso mais barato (13 Euros), que ficava no fundo de uma cabine lateral. Era tão barato por um motivo: da minha cadeira, não tinha ângulo nenhum para ver o palco. Então não cometa o mesmo erro que eu.
Se você não se adiantou, pode tentar os "standing room tickets", para quem topa ficar de pé durante o concerto. Não há garantia que vai conseguir, mas o site oficial informa que esses ingressos podem ser adquiridos online ou na bilheteria, a partir das 10h do dia da apresentação. Uma parte do lote fica disponível na bilheteria específica da Operngasse a partir de 80 minutos antes do espetáculo, e pode ter fila.
Além da ópera, Viena tem concertos em igrejas, salas históricas e espaços voltados a quem quer uma introdução mais acessível à música clássica. Esses programas geralmente trazem Mozart, Strauss e outros compositores associados à cidade. Vale comparar bem antes de comprar, porque há desde apresentações turísticas simples até concertos de alto nível em salas consagradas.
- Concerto de Mozart no Musikverein
- Concerto de Strauss com jantar no Prater
- Concerto de Vivaldi na igreja de São Carlos Borromeu
- Concerto no Palácio Schönbrunn
- Concerto na igreja de Santa Ana
- Concerto de música clássica na igreja de São Pedro
- Palácio Schönbrunn com jantar e concerto
- Concerto da Vienna Residence Orchestra no Palácio da Bolsa
- Concerto de Gala Imperial no Palácio de Auersperg
- Concerto na House of Strauss
- Concerto da Vienna Hofburg Orchestra na Konzerthaus
- Concerto da Vienna Hofburg Orchestra no Palácio de Hofburg
Neubau, o bairro "cool" de Viena
Neubau é o bairro descoladinho de Viena. Fica a Oeste do Museumsquartier e é associado a bares, galerias e cultura contemporânea. Essa já virou minha região favorita de Viena, especialmente em Spittelberg, que tem ruas estreitas de paralelepípedo e prédios centenários.
As principais referências ali são as ruas Zollergasse, Kirchengasse, Lindengasse, Burggasse, Neubaugasse e Neustiftgasse. Mas vale se perder pelas ruas pequeninas também, tipo a Gutenberggasse e a Spittelberggasse. Vários restaurantes e bares colocam mesas na calçada, nos meses mais quentes.

Muitos desses edifícios remetem ao período Biedermeier, estilo da primeira metade do século 19 marcado por proporções harmoniosas e uma elegância, digamos, menos imperial. A região foi habitada por artesãos, trabalhadores e, mais tarde, por tavernas e estabelecimentos de reputação duvidosa. Mas ganhou esse espírito jovial nas últimas décadas, e hoje parece uma pequena vila dentro da cidade, mesmo estando a poucos minutos do palácio de Hofburg.
Na Kirschbergasse, tem uns canteiros de flores no meio da rua, com cerquinha improvisada para protegê-los. Tinha uma mulher lendo um livro de pé, na esquina, achei isso tão a cara do bairro. Essa região tem de pub escuro inspirado na obra de Bukowski a restaurante indiano.
Tem um bar que eu gostei tanto que me dá até um pouco de ciúmes de compartilhar. Chama Morgenstern e fica na St.-Ulrichs-Platz, bem na frente da simpática Igreja de Santo Ulrico. Eu fui no mês de maio, já estava bem quente, sentei em uma das mesas da rua (não passa carro por ali) e fiquei admirando o sol pintando a pontinha das torres da igreja, até anoitecer. O bar tinha taça de vinho mais barata que água, e esse tipo de oportunidade na cara Viena a gente não desperdiça. Os drinks também são em conta, e bons.

A parte interna do bar é meio escura, tipo pub mesmo, mas com uma vibe mais alternativa, com quadro da Mona Lisa mostrando o traseiro e pebolim entre as mesas.
Agora, a parte externa é uma fofura só, com cordões de lâmpadas coloridas e plantas nas janelas. O atendimento foi o mais querido que eu tive em Viena. O único porém é que só aceitava pagamento em Euros, em espécie, e não vendia comida. Se você estiver com fome, vale ir no café e restaurante também descoladinho do lado, o Erich.
Bares às margens do Canal Danúbio
Nos meses mais quentes, um lugar muito massa para curtir o entardecer e o começo da noite em Viena são os bares do Donaukanal, o Canal Danúbio. Ali eu tomei uma cervejinha balançando os pés sobre o rio, com um belo luar no céu. E cercada basicamente por vienenses.
Não é o leito principal do rio, mas um braço que passa colado ao centro de Viena. Você caminha em uma faixa de passeio abaixo da avenida, passando pelos taludes cobertos de grafite. Ali tem bares para diferentes gostos, dos mais descomplicados a restaurantes arrumados.

Boa parte desses bares fica entre as pontes Augartenbrucke e a Schwedenbrucke. Praticamente debaixo dessa última, está o bar que eu mais gostei, Taste. Era o mais animado numa noite em que todos os outros já estavam fechando.
Tem uma lanchonete coberta e também uma pequena área aberta com areia e espreguiçadeiras, uma mini praia em plena Europa Central. Serve hambúrgueres, tapas e porções, mas eu fui só para beber mesmo. Diante da minha indefinição do que pedir, o atendente mesmo escolheu minha cerveja e já abriu uma igual para ele hehe. Custou 6 Euros.
O Strandbar Herrmann tem uma “praia urbana” bem maior que a do Taste e programação com DJ em alguns dias. O Badeschiff é uma opção bem diferente: um barco ancorado no Canal Danúbio com bar, restaurante e até uma piscina ao ar livre na temporada de verão. O Motto am Fluss tem proposta mais elegante e é uma boa escolha para quem quer jantar com vista para a água sem abrir mão de uma experiência mais estruturada.
O NENI am Wasser combina cozinha mediterrânea-israelense e clima descontraído à beira do canal. É uma boa alternativa para quem quer comer melhor, não apenas beber. A Summerstage, junto à estação Roßauer Lände da linha U4, reúne restaurantes, terraços e eventos ao ar livre.

O OTTO Beach é um dos novos endereços de clima praiano no Donaukanal, com areia, drinks, lounges e vista para a água, ao lado do restaurante OTTO am Donaukanal, que aposta em grelhados, carnes, peixes e cozinha de inspiração mediterrânea.
Já o Flex, perto da Augartenbrücke, é mais associado à noite e à música do que ao happy hour clássico. É um clube e casa de shows conhecido em Viena, com programação de shows e DJs.
Mas atente que boa parte desses estabelecimentos funcionam só nos meses mais quentes, normalmente, de abril a outubro.
Rooftops em Viena
Viena também pode ser apreciada do alto. Alguns hotéis e edifícios modernos contam com bares e restaurantes que oferecem uma perspectiva diferente da capital austríaca. É uma ótima opção para tomar um drink ao pôr do sol ou encerrar o dia admirando os telhados históricos, a Catedral de Santo Estêvão e o Canal Danúbio. Mas costuma ser uma noite mais cara.
O mais famoso é o Das LOFT, no topo do SO/ Vienna, que promete a melhor vista de Viena. Com janelas do chão ao teto e um teto colorido e iluminado por uma instalação artística, o restaurante e bar oferece uma das vistas panorâmicas mais impressionantes da cidade, abrangendo o centro histórico, a Igreja de São Estêvão, o Canal Danúbio (fica às margens dele) e a roda-gigante do Prater.

Era necessário fazer reserva para jantar, mas não para frequentar a área do bar, que fica no centro restaurante, um pouquinho mais afastado das janelas panorâmicas. A vista é tudo o que promete, o lugar tem uma pegada mais chique, mas ainda assim descontraída, perfeita para um date ou happy hour com os amigos. Mas preciso alertar que é um dos lugares mais caros que eu fui em Viena. E acho que o vinho que pedi (em taça) já estava aberto há um tempo, estava começando a azedar.
O Atmosphere Rooftop Bar, no The Ritz-Carlton, Vienna, é um dos rooftops mais elegantes da cidade, com vista para os telhados do centro histórico. Outra opção bastante procurada é o Lamée Rooftop, no Hotel Lamée. O terraço é menor e intimista, mas proporciona uma das vistas mais bonitas da Catedral de Santo Estêvão, especialmente ao entardecer.
Já o Aurora Rooftop Bar, no Andaz Vienna Am Belvedere, combina coquetéis, gastronomia nórdica e uma ampla vista para o Palácio Belvedere e para o horizonte da cidade. Quem procura um ambiente mais descontraído pode apostar no 360° Ocean Sky, no topo da loja de departamentos Haus des Meeres. O bar fica junto ao aquário instalado em uma antiga torre antiaérea da Segunda Guerra Mundial e oferece vista de 360 graus sobre Viena.
Outra alternativa é o Cayo Coco Rooftop Bar, no Hotel Motto, conhecido pelo clima tropical, pela carta de drinques e pela vista sobre os telhados do bairro de Mariahilf.
Como muitos desses terraços pertencem a hotéis, vale conferir os horários de funcionamento e a necessidade de reserva, principalmente durante o verão e nos fins de semana. Em dias de tempo aberto, chegar pouco antes do pôr do sol costuma ser a melhor estratégia para aproveitar a vista tanto durante o dia quanto com a cidade iluminada à noite.
Jéssica Weber