Hofburg Imperial
Hofburg simboliza todo o poder e a riqueza da dinastia Habsburgo, que comandou boa parte da Europa por séculos. Situado no centro histórico de Viena (Innere Stadt), o complexo do palácio mistura hoje gabinetes do governo austríaco com atrações culturais e museus. O mais famoso é o Sisi Museum, onde dá para ver aposentos imperiais.
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Tem muito turista que se contenta em admirar a fachada barroca de Michaelertrakt, passar por seus portões e passear pelos pátios e ruas internas. Nesse caso, considere o Palácio Hofburg visto em meia hora. Mas se você estiver disposto a pagar ingresso para as principais atrações ou comprou o Vienna Pass, reserve pelo menos um turno.

O Palácio de Hofburg foi a residência oficial e centro do poder da dinastia Habsburgo por mais de seis séculos. Originou-se como um castelo-fortaleza medieval no século 13 e foi continuamente ampliado até o início do século 20, virando uma verdadeira cidade-palácio.
Um breve e importante contexto histórico: a Casa de Habsburgo foi uma das dinastias mais poderosas da Europa, governando territórios como Áustria, Hungria, Boêmia, partes da Itália e, por longos períodos, o Sacro Império Romano-Germânico. Sua história também tem uma conexão direta com o Brasil Imperial: a nossa imperatriz Maria Leopoldina, esposa de Dom Pedro I, era filha do imperador Francisco I da Áustria. Ela nasceu ali no Palácio Hofburg.
Não existe um ingresso único para visitar todo o Hofburg. O complexo reúne atrações independentes, cada uma com bilheteria e horários. Se vale a pena pagar para conhecê-las? Depende do seu interesse em história/arquitetura e também do seu tempo e orçamento. Ah, lembre-se que o belíssimo Palácio de Schonbrunn também tem salões imperiais abertos à visitação.
Hofburg Imperial: como é a visita
A primeira impressão que os visitantes têm do Palácio de Hofburg é da fachada barroca do Michaelertrakt. Projetado em 1726, o Michaelertrakt é a ala do palácio que domina a perspectiva visual da praça Michaelerplatz.

A fachada apresenta formato semicircular que parece abraçar a praça. Esculturas monumentais representando os “Trabalhos de Hércules” decoram o edifício. Preste atenção nos grupos escultóricos nas fontes laterais: “Power at Sea” de Rudolf Weyr e “Power on Land” de Edmund Hellmer.
A cúpula central atinge 50 metros de altura e funciona como ligação arquitetônica entre a cidade e o palácio.

Repare nas ruínas arqueológicas descobertas entre 1989 e 1991, permanentemente expostas no centro da praça de Michaelerplatz. Estas estruturas pertencem aos restos de casas de oficiais do acampamento romano de Vindobona e podem ter cerca de 2 mil anos!
Dali, você vê também a Igreja de São Miguel (Michaelerkirche), uma das igrejas mais antigas de Viena. Suas origens remontam ao século XIII.
Essa região está sempre cheia de turistas e também de carruagens puxadas por cavalos, que cobram para levar turistas em passeios.
Agora sim, vale passar pelos portões do Palácio de Hofburg e entrar na parte interna do complexo. A primeira coisa que você encontra é a entrada do Museu Sisi e da Escola Espanhola de Equitação. Depois falamos sobre ambas as atrações.

Então há um amplo pátio interno, onde tem a estátua em bronze de Francisco II/I, que governou de 1792 a 1835. Ali, tem uma passagem que leva a outra atração que você pode visitar: o Museu do Tesouro Imperial.
O museu é pago, mas logo acima dele tem uma capela de visitação gratuita, exceto quando há algum concerto ou evento especial. A Hofburgkapelle é pequenina, mas alguém estava tocando órgão, o que gerou um bom impacto. A visita é uma boa ideia se você está cansado e quer dar uma sentadinha — era exatamente o meu caso hehe.

Nos fundos, tem outros prédios pomposos, e há ligação a dois parques, que eu recomendo a visita porque são belíssimos e gratuitos: Volksgarten e o Burggarten.

Outras atrações pagas nessa região que podem te interessar são a Biblioteca Nacional Austríaca (o Salão de Estado, Prunksaal, é incrível!) e o Weltmuseum Wien, maior museu antropológico e etnográfico da Áustria.
Uma opção prática para conhecer Hofburg é em um tour guiado. Há opções de free walking tour pela cidade que incluem uma passada por lá.
Principais atrações pagas em Hofburg Imperial
Sisi Museum e apartamentos imperiais
A visita mais clássica dentro do Hofburg é o Museu Sisi, que culmina na visita a alguns dos quartos imperiais de Hofburg. Dependendo da época que você viaja, vale reservar com alguns dias de antecedência pelo site para conseguir escolher o horário (é por hora marcada). Ou então chegue cedo.

Elisabeth da Áustria, mais conhecida como Sisi, foi esposa do imperador Francisco José I e se tornou uma das figuras mais famosas da monarquia dos Habsburgo no século 19. Virou imperatriz aos 16 anos, uma jovem linda e vaidosa, de personalidade forte, e foi assassinada aos 60 anos por um anarquista italiano, que a atacou com uma lima afiada no coração.

O museu é moderno e conta a história da imperatriz de uma maneira envolvente, com a ajuda de um audioguia incluso no ingresso. Além de objetos pessoais dela — vestidos, joias, mala de viagem, acessórios —, traz um pouco dos filmes e criações que ajudaram a criar o mito em torno de Sisi.
O que mais me chamou atenção foi a relutância da imperatriz em seguir a etiqueta imperial. Ela buscava alguma liberdade em cavalgadas (era uma amazona excepcional) e em viagens. Abaixo, tem uma reprodução do interior de sua carruagem.

Depois do suicídio de um dos filhos, Sisi passou a vestir-se de preto e adquiriu um tom melancólico. Escreveu em um de seus poemas: "E onde o mar é mais profundo, Ali então me deixem descer; Mesmo que acima as tempestades ainda furiosamente se agitem - Lá embaixo haverá paz."


Reserve, no mínimo, uma hora para a atração. O ingresso adulto custava em maio de 2026 € 20, crianças de 6 a 18 anos pagavam € 12, era possível comprar antes pela internet ou numa bilheteria local. Estava incluso no Vienna Pass, mas os visitantes que querem usá-lo precisavam ir à bilheteria para retirar o ingresso.
Museu do Tesouro Imperial
O Museu do Tesouro Imperial (Kaiserliche Schatzkammer) é uma atração voltada para quem gosta de história, joias, símbolos de poder e objetos cerimoniais. A coleção reúne peças ligadas ao Sacro Império Romano-Germânico, ao Império Austríaco e à Casa de Habsburgo, em um museu que preserva uma montagem bastante tradicional. Não espere nada moderno ou interativo.

Logo nas primeiras salas, mais escuras e normalmente as mais concorridas, estão alguns dos objetos mais famosos do acervo: coroas imperiais, mantos de coroação, espadas cerimoniais, cetros, joias e insígnias que simbolizavam o poder dos soberanos.

Um dos itens mais curiosos é o chamado "chifre de unicórnio", que durante séculos foi considerado um verdadeiro chifre do animal mítico. Hoje se sabe que trata-se de uma presa de narval, um mamífero marinho do Ártico, mas a peça continua sendo um dos destaques da coleção por ilustrar as crenças e o fascínio da época por relíquias extraordinárias.

À medida que a visita avança, as salas se tornam mais claras e passam a reunir principalmente objetos sacros, relicários e peças religiosas de grande valor artístico e histórico.

Vale considerar o aluguel do audioguia, á que muitas peças têm histórias curiosas que não são imediatamente evidentes. O audioguia é oferecido mediante pagamento à parte.
O ingresso adulto custa € 16 na compra online ou € 18 na bilheteria, enquanto jovens de até 19 anos têm entrada gratuita. Está incluso no Vienna Pass. Ah, atente que o museu não abre às terças-feiras.
Escola Espanhola de Cavalaria de Viena
A Escola Espanhola de Cavalaria de Viena reúne arquitetura barroca, música clássica vienense e os famosos cavalos lipizzanos, treinados em uma tradição equestre preservada há séculos.
As apresentações acontecem na Escola de Equitação de Inverno, uma arena barroca construída entre 1729 e 1735. O nome, Escola Espanhola, está ligado à origem dos cavalos usados na formação da raça lipizzana, com influência de linhagens espanholas. A tradição da Alta Escola de Equitação Clássica praticada ali foi inscrita pela UNESCO, em 2015, na lista de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
A visita pode acontecer de três formas principais: assistindo a uma apresentação completa, acompanhando o treino matinal dos cavalos ou fazendo uma visita guiada pelos bastidores. Vale a pena para quem gosta de tradição e experiências clássicas de Viena.
Mas é necessário alinhar a expectativa, não vá esperando um show de cavalos cheio de ação. As apresentações são elegantes, mas bastante formais — é um momento de admirar a precisão dos movimentos, o ambiente imperial e a disciplina do treinamento.
Há longos momentos de passos controlados, exercícios de precisão e intervalos entre as demonstrações. Para a maioria dos turistas brasileiros, o treino matinal costuma ser a opção mais acessível e prática. Já a apresentação completa é a escolha mais especial, indicada para quem quer ver a escola em seu formato mais clássico.
Biblioteca Nacional Austríaca e Salão de Estado
O Salão de Estado (State Hall) da Biblioteca Nacional Austríaca é um dos espaços mais lindos de Viena, eu admito que estava ansiosa para fotografá-lo. Com estantes monumentais recheadas de livros em tons ocre, afrescos no teto, esculturas de mármore e uma atmosfera barroca bem chique, é uma visita que agrada mesmo quem não costuma incluir bibliotecas no roteiro. Atente que não é possível chegar perto dos livros, tem cordas que delimitam a passagem.

Bem no centro oval do salão, sob a cúpula, tem uma estátua de Carlos VI (Karl VI), o responsável por mandar construir a antiga Biblioteca da Corte no século XVIII. Feita em 1735, a obra reproduz Carlos VI como “Hercules Musarum”, ou seja, uma espécie de “Hércules das Musas”, associando o imperador à proteção das artes, do conhecimento e da cultura. Nada modesto da parte dele, mas é fato que deixou o cenário mais lindo.

Ao redor, há quatro globos venezianos enormes, lindíssimos também. Eles são associados ao cartógrafo e frade franciscano Vincenzo Coronelli, um dos mais famosos fabricantes de globos do período barroco. Há globos terrestres, ligados à representação do mundo conhecido, e globos celestes, que mostram o céu e as constelações. Eles reforçavam a ideia de que a antiga Biblioteca da Corte reunia o saber do império: geografia, astronomia, ciência, história e poder político no mesmo ambiente.

O Salão de Estado também recebe exposições temporárias temáticas. Quando eu fui, era sobre o amor e suas diversas formas de manifestação. Então alguns dos livros e arquivos da biblioteca são exibidos em expositores de vidro para ajudar a formar a narrativa.
É uma atração relativamente rápida: em 30 a 45 minutos dá para visitar. O espaço é acessado por fora de Hofburg, por Josefsplatz. A entrada custava € 12 em maio de 2026. Atente que, de outubro a maio, o espaço pode fechar às segundas-feiras.
Jéssica Weber