Belvedere de Viena
O Belvedere é uma das visitas mais bonitas de Viena para quem gosta de arte, arquitetura e aqueles jardins grandiosos que são uma marca da Europa. Localizado na capital da Áustria, o complexo reúne dois palácios barrocos, o Belvedere Superior e o Belvedere Inferior, separados por jardins em estilo francês, além do Belvedere 21, dedicado à arte contemporânea. A grande estrela da visita é o Belvedere Superior, onde fica “O Beijo”, de Gustav Klimt, uma das pinturas mais famosas que eu já vi de pertinho.
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Construído como residência de verão do príncipe Eugênio de Saboia no século 18, o conjunto é considerado um dos grandes complexos barrocos da Europa. A visita vale não só pelo acervo, com obras importantes de artistas austríacos e nomes como Van Gogh, Monet e Renoir, mas também pelos salões luxuosos, pelas escadarias, pelos afrescos, pelos espelhos dourados e pela vista dos jardins a partir do palácio.
A entrada nos jardins do Belvedere é gratuita, o que torna o passeio interessante até para quem não pretende entrar nos museus. Para ver as coleções, porém, é preciso comprar ingresso, e o Belvedere Superior costuma ser o mais procurado justamente por reunir a coleção permanente e as obras de Klimt.

Como é a visita ao Belvedere de Viena
O Belvedere não é um único edifício, mas um complexo formado por diferentes espaços. O Belvedere Superior fica na parte mais alta do terreno e concentra a coleção permanente, com cerca de 800 anos de história da arte, passando da Idade Média ao século 20. É ali que estão obras de Gustav Klimt, Egon Schiele, Helene Funke, Franz Xaver Messerschmidt e Vincent van Gogh, entre outros.
O Belvedere Inferior fica do outro lado dos jardins, mais próximo da Rennweg, e ocupa o antigo palácio residencial do príncipe Eugênio. É usado mais para exposições temporárias, além de abrigar a Orangery e os Palace Stables, onde ficam obras ligadas à Idade Média e ao Renascimento. Para quem tem pouco tempo, o Belvedere Superior costuma ser a prioridade. Para quem gosta bastante de museus, vale considerar o ingresso combinado.
Entre os dois palácios estão os jardins barrocos, organizados em três grandes terraços. O desenho segue a lógica dos jardins formais franceses, com canteiros simétricos, espelhos d’água, escadarias, fontes, sebes aparadas e perspectivas pensadas para valorizar os palácios. O projeto foi assinado por Dominique Girard, arquiteto de jardins que havia trabalhado em Versailles, o que ajuda a explicar a inspiração francesa do conjunto.

Belvedere Superior: Klimt, salões históricos e obras que chamam atenção
O Belvedere Superior foi construído entre 1717 e 1723 e é a parte mais concorrida do complexo. A visita começa impressionando pela arquitetura: os salões são belíssimos, com mármore, afrescos, espelhos dourados quase até o teto e janelas que emolduram os jardins e o Belvedere Inferior ao fundo. No Salão de Mármore, a vista para os jardins é uma das mais bonitas do passeio. Em 15 de maio de 1955, foi ali que o Tratado de Estado Austríaco foi assinado, encerrando a administração aliada após a Segunda Guerra Mundial e restabelecendo a soberania da Áustria.

Isso é uma coisa massa desse museu. Além das exposições de arte, placas informativas ajudam a imaginar o que existia nos salões em décadas ou mesmo séculos passados. Um dos quartos, dizia uma placa, tinha revestimentos de seda, uma cama de aparato e doze cadeiras, e o relevo do teto retratava Páris com as deusas Afrodite, Atena e Hera — no episódio do Julgamento de Páris, da mitologia grega, Páris escolheu Afrodite como a mais bela das três.
Outro espaço marcante é a antiga sala de audiências. A placa mostra como esse tipo de ambiente era ligado ao protocolo e à recepção de enviados diplomáticos, incluindo contatos do príncipe Eugênio com o Império Otomano. Hoje, o percurso por essas salas conduz o visitante até uma das áreas mais disputadas do museu: a ala de Gustav Klimt.

"Der Kuss", ou “O Beijo”, em português, foi pintado por Klimt em 1908 e concluído em 1909. Pertence ao chamado período dourado do artista, marcado pelo uso de folha de ouro, prata e platina. É ali que junta a maior multidão de visitantes, não tem como passar batido. Vale reservar alguns minutos para observar os detalhes do manto, os padrões geométricos, as flores e a forma como os corpos parecem se fundir em uma superfície dourada. Se você estiver viajando a casal, que sabe se render à modinha de tirar uma foto beijando a pessoa amada na frente da tela.
Existem várias outras obras do artista austríaco nessa mesma ala. É curioso que Klimt foi um artista celebrado, mas também contestado. Suas representações do corpo, da sensualidade e da nudez causaram debates e críticas na Viena do início do século 20, especialmente entre setores conservadores. Esse contexto ajuda a olhar “O Beijo” não só como uma imagem bonita e famosa, mas como parte de uma virada estética importante da modernidade vienense.
Além de Klimt, vale prestar atenção às obras de outros artistas austríacos. Uma que me chamou atenção foi “An der lateinischen Brücke in Sarajewo” (“Na Ponte Latina em Sarajevo”), de Friedrich Alois Schönn, de 1883. A pintura mostra uma cena movimentada de mercado na Ponte Latina, sobre o rio Miljacka, em Sarajevo.

Eu acho que a força da obra está na quantidade de personagens e no semblante que cada um traz. Mesmo tantos anos antes de qualquer recurso digital, a sensação de realidade é impressionante: há figuras que parecem familiares, como se fossem pessoas que a gente já viu em algum lugar, sabe?!. Essa é uma das graças de museus como Belvedere Superior: entre obras mundialmente famosas, o visitante encontra pinturas menos conhecidas que acabam ficando na memória.
Outra parada curiosa para mim foi na sala das “Character Heads”, de Franz Xaver Messerschmidt. As esculturas exploram expressões humanas intensas, às vezes realistas, às vezes deformadas ou quase grotescas. A placa do museu explica que o escultor produziu esse conjunto no fim da vida, entre 1771 e 1783, investigando emoções e estados humanos em bustos que continuam intrigantes até hoje.

Jardins do Belvedere
Os jardins são uma parte essencial da visita. O jardim principal fica entre o Belvedere Inferior e o Belvedere Superior e foi concebido em três terraços. A composição cria uma subida gradual em direção ao palácio superior, com fontes, esculturas, canteiros simétricos e espelhos d’água. Mas é importante destacar que é mais um lugar de passagem, não vi ninguém sentado na grama fazendo piquenique. Para isso, prefira o Palácio de Schönbrunn ou o Volksgarten ou o Stadtpark.
Na frente do Belvedere Superior, dependendo da hora do dia, o lago reflete a imagem do palácio.
A entrada nos jardins é gratuita. Segundo o Belvedere, os horários variam conforme o mês: de maio a julho, por exemplo, os jardins abrem das 6h30 às 21h; em agosto e setembro, das 6h30 às 20h; em novembro, dezembro, janeiro e fevereiro, das 7h às 17h30. Cães e outros animais de estimação não são permitidos nos Palace Gardens.

Onde fica e como chegar ao Palácio Belvedere
O Belvedere fica em Viena, no distrito de Landstraße, perto da região do 4º distrito e relativamente próximo da estação central da cidade. O endereço do Belvedere Superior é Prinz-Eugen-Straße 27, 1030 Vienna. Já o Belvedere Inferior fica em Rennweg 6, 1030 Vienna.
O transporte público é a forma mais prática de chegar. Para o Belvedere Superior, as opções indicadas pelo museu incluem o bonde D, com parada “Schloss Belvedere”, além de trem, S-Bahn e bondes 18 e O até “Quartier Belvedere”. Também é possível ir pela estação de metrô U1 “Südtiroler Platz / Hauptbahnhof” e caminhar cerca de 15 minutos.
Para o Belvedere Inferior, as opções principais são o bonde 71, na parada “Unteres Belvedere”, e o bonde D, na parada “Gußhaustraße”. Para planejar outros deslocamentos na cidade, veja também as dicas de transportes em Viena.

Ingressos e preços para o Palácio Belvedere
O Belvedere Superior abre diariamente das 9h às 19h. O Belvedere Inferior abre diariamente das 10h às 18h. Como horários e exposições temporárias podem mudar, vale conferir o site oficial antes da visita.
Em julho de 2026, o ingresso regular do Belvedere Superior custa 23 euros. Há descontos para maiores de 65 anos e estudantes com menos de 26 anos, ambos a 19 euros; visitantes com Vienna City Card pagam 21,50 euros; crianças e jovens menores de 19 anos entram gratuitamente. O Belvedere Inferior custa 20 euros no ingresso regular. Ah, eles estão inclusos no Vienna Pass.
Dá para comprar na hora, mas os ingressos funcionam com horário marcado em todos os espaços. Então, se você deixar para comprar lá, vai depender da disponibilidade de horários do dia. Se você já tem certeza da sua programação, pode comprar antecipadamente pelo site.
Quem compra o ingresso online pode ir diretamente à entrada do museu, sem passar pela bilheteria. Também há ingressos combinados: o “2 in 1 day ticket”, para Belvedere Superior e Inferior, custa 32 euros; o “3 in 1 day ticket”, que inclui também o Belvedere 21.
Salão de Mármore do Belvedere Superior de Viena
Jéssica Weber