Dicas de San Andrés
Antes de mergulhar no famoso mar de 7 cores de San Andrés, você precisa entender alguns detalhes práticos que farão toda a diferença nas suas férias. Não criemos pânico: o Caribe colombiano não é uma viagem difícil de planejar. Inclusive, tem sido o primeiro destino internacional de muitos brasileiros.
Mas ainda assim se trata de outro país, com outra língua, outra moeda, outra tomada, outra rede de internet, entre outras diferenças que a gente vai te trazer nesse post. Fique atento, especialmente, ao tópico de documentos: tem coisa ali que pode melar sua viagem!
Ilha de Johnny Cay, passeio indispensável em San Andrés
Dicas de San Andrés: 13 coisas que você precisa saber antes de viajar
1. Quais os documentos necessários para entrar em San Andrés?
Passaporte ou RG? A Colômbia não exige passaporte nem visto de brasileiros. Turistas poderão entrar no país apenas portando sua Carteira de Identidade (o documento físico) em estado de conservação e com foto que permita identificar claramente o titular. Mas eu digo isso supondo que sua conexão vai ser em Bogotá, capital da Colômbia. Se o seu voo prevê conexão no Panamá ou outro país, é necessário apresentar passaporte.
Prepare-se para pagar o cartão de turismo! Existe uma taxa cobrada para entrar em San Andrés, os colombianos a chamam de "tarjeta de turismo". Você precisa preenchê-la e guardar essa folhinha para apresentar tanto na chegada ao aeroporto de San Andrés quanto na saída da ilha. Mas esse assunto vale um tópico à parte, a seguir.

Vale preencher o Check Mig online. É recomendável preencher um formulário online antes de ir para o aeroporto, o Check Mig, que você pode conferir aqui. Ele serve para o governo colombiano receber antecipadamente seus dados de viagem e imigração. Não chegou a ser exigido na minha última viagem, mas em tese facilita e agiliza as entradas. As informações podem ser cadastradas de 72 horas a 1 hora antes da viagem.
Precisa de vacina da febre amarela? A Colômbia exigiu por anos o Certificado Internacional de Vacinação comprovando que o viajante tomou a dose contra Febre Amarela. No final de 2024, deixou de ser uma obrigatoriedade e passou a ser uma recomendação. Mas, inicialmente, ainda estava rolando algumas confusões junto às companhias aéreas, por falta de informação. Por via das dúvidas, levo sempre junto, seja físico ou digital.
É necessário seguro viagem? Fazer o seguro viagem não é obrigatório para viajar à Colômbia, mas, aqui no Melhores Destinos, a gente não bota o pé para fora do país sem ele. É uma segurança para (bate na madeira) alguma emergência médica ou perrengues de viagem. Faça aqui a cotação com desconto usando o código MELHORESDESTINOS.
2. Quanto custa e como pagar a "tarjeta de turismo" de San Andrés?
O cartão de turismo, ou "tarjeta de turismo", custa 153 mil pesos colombianos no começo de 2026, cerca de R$ 205 por pessoa (crianças pequenas são isentas). É um preço único, ou seja, o mesmo valor se você vai ficar dois dias ou um mês. E vale tanto para San Andrés quanto para a vizinha pacata, Providencia.
No momento em que escrevo para vocês, o sistema de cobrança ainda é bem arcaico; não é possível adquirir o cartão de turismo pela internet. Ele é vendido pelas próprias companhias aéreas antes da chegada à ilha. Como minha conexão era em Bogotá, essa cobrança foi feita na frente do portão de embarque — tinha uma fila para o pagamento e outra para de fato embarcar a San Andrés. Eles estavam aceitando pesos colombianos ou cartão.

A atendente te entrega uma folhinha com um formulário — é uma boa levar uma caneta para conseguir respondê-lo. As informações a serem preenchidas são bem básicas, tipo seu nome, voo, companhia aérea, documento, motivo da visita, data de nascimento, endereço.
É fundamental guardar bem esse documento, pois vai ser exigido na chegada E na partida no aeroporto de San Andrés . Caso você voe para Providencia, vão te pedir a tarjeta de turismo de novo, na entrada e na saída.
3. Qual é a moeda usada em San Andrés? Eles aceitam cartão?
A moeda usada em San Andrés é o peso colombiano (COP). No momento em que eu escrevo esse post, um real equivalia a 755,89 pesos colombianos. Eu me senti rica quando passei no caixa eletrônico e saquei UM MILHÃO E MEIO de pesos, algo como 2 mil reais. É uma moeda que dificulta fazer contas no começo, porque os números são enormes.
Cartão de crédito ou débito internacional já são aceitos na maior parte do comércio e agências de turismo de San Andrés, embora tenha lugares que cobram uma taxa de até 10% para usar a maquininha. Não tem problema se seu cartão global só carrega dólar, e não pesos colombianos. Você carrega seu cartão com dólares e os gastos em pesos colombianos são convertidos pela melhor cotação possível.
Mas eu já adianto que você dificilmente vai se safar de sacar pesos colombianos, para pegar táxi, por exemplo, pagar taxa de embarque em algumas marinas ou mesmo para alugar cadeira e guarda-sol à beira-mar. Se você for a Providência, por lá ainda tem restaurantes que não aceitam cartão.
Eu recomendo fazer uma conta internacional (Nomad, Wise, etc), transferir parte dos gastos previstos para ela no começo da viagem, pode ser em dólares mesmo, e ir fazendo novos depósitos se for necessário — leia nosso guia sobre contas internacionais. E então sacar dinheiro através dessa sua conta por lá: essa foi a maneira mais econômica que encontramos de pagar as despesas na ilha.
4. Que moeda levar e como sacar dinheiro em San Andrés?
Não vale "comprar" pesos colombianos aqui no Brasil, é uma moeda que dificilmente uma casa câmbio disponibiliza e se tiver vai ser bem caro. Até vale levar alguma coisa de dólares por precaução (eu sempre faço isso), mas dificilmente a cotação que você vai conseguir para trocá-los na ilha será a mais vantajosa. E se você for pagar diretamente em dólares, também, provavelmente vai pagar mais.
O mais vantajoso é sacar pesos colombianos por lá mesmo, em um caixa eletrônico ("cajero automatico", em espanhol). Eu saquei tanto em um caixa do Banco de Bogotá quanto em um do Bancolombia. Esse aí abaixo fica num ponto bem turístico de Spratt Bight (o centrinho), no Centro Comercial New Point.

Usei Nomad, mas Wise e outros cartões internacionais com bandeira Visa ou Mastercard também devem servir. Eu sou meio ansiosa e gosto de ter o cartão físico nessas horas, mas muitos caixas eletrônicos da Colômbia já possuem tecnologia de aproximação (contactless), permitindo saques apenas aproximando a carteira (wallet) do celular. Mas tenho uma dica importantíssima para você não perder dinheiro.
E eu falo com propriedade porque cometi essa burrice. Na hora que o caixa eletrônico te mostrar a quantia de pesos colombianos a sacar e o custo da operação, clique em "declinar a conversão". Na primeira vez que saquei, eu aceitei a conversão oferecida pelo caixa e marchei com 9% de taxa adicional. Ao recusá-la, a taxa aplicada será a da sua conta global, e não a do banco dono do caixa eletrônico.

Tem uma coisa que não dá para fugir que é o custo de operação, ou tarifa do caixa, a taxa aplicada para o saque. Paguei 29,9 mil pesos colombianos no ATM do Bancolombia em Spratt Bight e 28,4 mil pesos no caixa do Banco de Bogotá do aeroporto de Bogotá (na área de desembarque). Por causa dessa taxa, vale a pena sacar uma ou duas vezes apenas ao longo da viagem, valores mais significativos, em vez de ficar sacando baixas quantias.
5. San Andrés é mesmo um destino barato?
San Andrés é chamada comumente de "Caribe barato", e isso é fato. Em comparação a outros destinos abençoados pelo Mar do Caribe, como Cancun, Aruba e Curaçao, e mesmo outras ilhas dolarizadas, é um destino bem em conta. Eu vi a diferença especialmente nos passeios: rola de fazer passeio para visitar ilhotas paradisíacas a partir de R$ 70.
Mas, na prática, em abril de 2026, eu achei os preços muito parecidos com os praticados no Brasil. Eu consegui almoçar apenas um dia por R$ 35, e fora da zona turística, mas dificilmente um jantar com bebida para uma pessoa saía por menos de R$ 100. Os drinks nas praias ficavam em torno de R$ 40. Pelo menos você vai comer frutos do mar como um rei, polvo, camarão, até lagosta eu comi.
Uma parte da viagem que saiu mais salgada do que eu previa foi a hospedagem. Tem muitos hotéis e hosteis baratos em San Andrés, e parte deles ainda não tem água quente. Mas os hotéis realmente bons não são baratos. Especialmente no verão, a alta temporada.
Essa pizza individual custou o equivalente a R$ 80 no restaurante Casa Bonita
Ah, outro detalhe importante. Fique ligado com o assédio dos locais e com possíveis preços exorbitantes. Em alguns pontos turísticos, eles tentarão convencê-lo a utilizar seus serviços em troca de valores mais altos. Achou caro? Negocie ou procure outro lugar.
Com relação a compras, mesmo tendo lojas de duty free espalhadas pelo centro, eu não achei nada muito vantajoso. Mas de novo, os preços não fogem tanto aos praticados no Brasil, então você pode garimpara algumas compras que gosta.
Atente ao horário dos estabelecimentos comerciais: as lojas abrem em torno das 9h, fecham no horário do almoço e reabrem apenas as 15h — eles são adeptos da "cesta". Daí ficam abertas até pelas 20h, não vão até muito tarde.
6. É melhor contratar passeios em San Andrés ou no Brasil?
Em via de regra, é mais vantajoso contratar passeios direto em San Andrés. Mas tem uma exceção: o parasailing vale agendar com boa antecedência, independente da época, porque as vagas esgotam e ainda corre o risco de ser remarcado várias vezes por condições do vento. Tirando essa atividade (que os brasileiros amam!), eu deixaria para reservar os passeios lá na ilha mesmo, de acordo com a previsão do tempo e vontade mesmo. Costuma sair mais barato.
Dou meu exemplo pessoal (que me suscita uma pontada de vergonha): como o passeio a Johnny Cay seria meu primeiro em San Andrés, eu me antecipei reservei com agência antes de viajar. Me senti uma idiota quando cheguei lá e descobri que paguei quase o dobro. Paguei 100 mil pesos colombianos, enquanto direto com a agência que faria meu passeio, no Muelle Tonino, estava saindo por 60 mil no dia. Atente que, nessas marinas, o preço não é tabelado. Cada vendedor cobra o que convém, então faça sua pesquisa!
Os passeios mais baratos de barco que encontrei foram nessa cooperativa, em Spratt Bight
Os passeios mais baratos que encontrei foram direto na casinha de madeira da Cooperativa de Lancheros - Cooperative C’Brothers na Playa Spratt Bight. Dá para comprar passeios de barco e transportes para as ilhas próximas um dia antes ou na hora de embarcar mesmo. Só uma ressalva: o passeio de barco "VIP", que inclui várias atrações, acho que vale mais a pena fazer com o barco do tipo "ponton" do que com a lancha da cooperativa, por razões de conforto mesmo.
Mas assim, comprar tudo aqui no Brasil também tem suas vantagens. Eu conheci muitos brasileiros que já chegaram bem faceiros com tudo contratado, organizado e pago, com agências que atendem brasileiros mesmo, em português. A vantagem é justamente esse acompanhamento, de ter os passeios sugeridos de acordo com seu perfil, a tranquilidade de ter vaga garantida e algumas agências dão a possibilidade de parcelar. Mas algumas dessas agências de brasileiros exigem semanas de antecedência para reservas, o que diverge da realidade local.
7. Qual a melhor região pra se hospedar em San Andrés?
No que diz respeito à localização, não há muito mistério. Os hotéis que ficam mais bem localizados estão na Playa Spratt Bight, na ponta norte da ilha. A melhor região é entre o calçadão (Paseo Peatonal) e a Avenida Cólon, incluindo as pequenas ruas que as ligam.
Rooftop do hotel NattivoHospedando-se nessa região você conseguirá fazer muitas coisas caminhando, como conhecer as lojas ou ir aos restaurantes, além de embarcar nos passeios de barco. Quem ficar em outros bairros precisará de algum transporte alternativo para chegar ao centro, pois o comércio se concentra lá.
Veja algumas dicas de hotéis em Spratt Bight:
8. Que língua se fala em San Andrés? Você se vira com o portunhol?
Como San Andrés é uma ilha colombiana, a língua oficial é o espanhol. Mas tem tanto, tanto brasileiro por lá, que a maioria dos locais que lida com turismo está adaptada ao nosso "portunhol". Eu vi até cardápio em português em um restaurante.
Não se espante se ouvir os moradores falando uma língua diferente uns com os outros. É o Crioulo Sanandresano (Kriol), um dialeto baseado no inglês com influências africanas e espanholas. A única frase que eu aprendi foi "How yuh deh", que significa "Como estás?". E só porque estava escrito no descanso de copo do (maravilhoso) bar do hotel Aquamare.

Outra curiosidade é que as praias e mesmo muitos moradores têm nomes britânicos porque San Andrés foi colonizada inicialmente por ingleses no século XVII, não por espanhóis. A população local se formou com africanos escravizados e colonos britânicos. Com as lutas pela independência das colônias da Espanha no século 19, a ilha de San Andrés foi anexada à Colômbia.
9. Qual o tipo de tomada em San Andrés?
O padrão de tomada na Colômbia é Tipo A e Tipo B, igual aos Estados Unidos. São plugs de dois pinos chatos ou então três pinos chatos. Ou seja, os nossos equipamentos e carregadores com pinos redondos vão precisar de adaptador.
A voltagem normalmente é de 110V.

10. Qual a melhor época para viajar a San Andrés?
Eu evitaria os meses de alta temporada, porque a ilha não é grande e tem de fato ficado lotada. A maior multidão ocorre do final de dezembro a fevereiro, nas férias de julho, além da Semana Santa. Veja todas as nossas dicas no post quando ir a San Andrés.
Se o problema é encontrar calor, não fique preocupado: San Andrés apresenta altas temperaturas durante todo o ano. Seja no inverno ou no verão, prepare-se para sentir um calor de pelo menos 27ºC, que é a média de temperatura anual do local.
O que se sabe é que as chuvas são mais frequentes de junho a novembro. Viajar nesse período não significa ficar embaixo da água o tempo todo, mas nesse caso tente esticar um pouco a viagem e ficar mais dias do que o previsto, para ter mais chances de pegar belos dias de sol.
O tempo muda constantemente na ilha, e é comum o dia amanhecer nublado e depois ficar ensolarado — também é comum a ocorrência de chuva através de nuvens passageiras.
San Andrés está fora da rota de furações, mas pode ser afetada indiretamente por furacões no Caribe, sofrendo com ventos e chuvas, mais comuns entre agosto e outubro.
Eu viajei em abril e peguei dias excelentes de sol
11. O que não pode faltar na sua mala?
San Andrés é uma ilha quente durante todo o ano; não deixe de levar roupas leves, protetor solar e chapéu. Muitas opções de roupas de banho também — eu dei vários mergulhos por dia, estava com os biquínis sempre molhados.
Tem apenas uma coisa que eu comprei especialmente para San Andrés, que foram as sapatilhas aquáticas. Elas são recomendadas porque muitas praias têm corais e pedras mesmo na parte rasa do mar, dá pra machucar o pé fácil. Mas acabei encontrando por um preço parecido por lá, então se quiser comprar em San Andrés, rola.
Se você tiver máscara de snorkel, bote logo na mala: tem muitos lugares incríveis para observação da fauna marinha. Se você não tiver, rola de alugar nos passeios ou mesmo de comprar nas lojinhas do centrinho (Playa Spratt Bight). Eu comprei a minha por 30 mil pesos colombianos, algo como R$ 40. Não era da melhor qualidade, mas por esse preço, eu nem esperava mesmo.
12. Como se locomover por San Andrés?
San Andrés é uma ilha pequena, com cerca de 13km de norte a sul. O centro, localizado na parte norte da ilha, concentra o comércio e restaurantes, podendo ser conhecido através de caminhadas; para ir aos demais setores recomendamos alugar uma mulita (tipo um carrinho de golfe) ou uma moto, é super fácil de alugar no centrinho (Spratt Bight). Um dia já é o suficiente para fazer o tour de "volta à ilha".

Mas já vá preparado para uma terra sem lei de trânsito: eu cheguei a ver quatro pessoas sobre uma moto, e não vi ninguém, mas ninguém mesmo com capacete. Algumas mulitas nem cinto de segurança têm.
Há, ainda, outras alternativas para circular como microônibus (não é muito focado no turista, mas compensa pelo preço), e tem sempre o táxi, embora não seja uma opção muito econômica. Não tem aplicativo de transporte. Veja todas as nossas dicas no post sobre transportes em San Andrés.
13. Que internet usar na Colômbia?
Internet pega bem em praticamente toda San Andrés e mesmo nas ilhas próximas, tipo Johnny Cay. Eu usei meu plano da Claro mesmo, porque tenho o Passaporte Américas — veja quais as políticas de roaming do seu plano, às vezes compensa. Mas a equipe do Melhores Destinos também tem o costume de usar eSIM no exterior, a gente explica tudo direitinho sobre como funciona neste link.
A melhor coisa desse eSIM é que ele é virtual, ou seja, não é necessário inserir um chip físico no telefone ao chegar no país, uma praticidade a mais para quem viaja. Mas não são todos os celulares que têm essa tecnologia.
O mais famoso é o Airalo, que tem diferentes planos que podem ser contratados dependendo do período da viagem. Use o código MELHORESDESTINOS15 para receber 15% de desconto em suas compras pelo site ou pelo aplicativo.
Se você prefere comprar um chip físico, vi que no Aeroporto El Dorado (em Bogotá) tem um quiosque da Claro. Em San Andrés, admito que não procurei. Se eu tivesse passado menos tempo procurando a limonada de coco perfeita, talvez teria lembrado de ir atrás desse serviço para vocês. Es lamentable...
Depois de planejar a parte "operacional" da viagem, que tal ler post de O que fazer em San Andrés?!
Jéssica Weber