Transportes em San Andrés
Transporte em San Andrés foi uma das minhas primeiras dúvidas ao planejar a viagem. Não tem Uber nem nenhum outro por aplicativo por lá e descobri que os turistas não alugam carro — não exatamente o que a gente está acostumado. Mas então como fazer para desbravar a ilha?
É mais simples do que eu imaginava, e mais divertido também. Ficar hospedado no centrinho (Playa Spratt Bight) já resolve metade da sua vida, porque é onde ficam os melhores restaurantes e de onde saem os passeios de barco para Acuario de San Andrés, Johnny Cay, entre outros — leia nossas dicas de hotéis em San Andrés. E para conhecer o restante da ilha, um dia de moto ou "mulita" é suficiente. É bem fácil de alugar, a gente te explica tudo abaixo.
A ilha também tem táxi, que eu usei apenas para entrar e sair do aeroporto, e transporte público em microônibus, que não é pensado para o turista, mas é a opção mais econômica. Bora ver todas as dicas de como se locomover em San Andrés?
Playa Spratt Bight
Táxi em San Andrés: melhor maneira de sair e retornar ao aeroporto
Se você é do tipo que já reserva um carro para retirar no aeroporto assim que pousa em um destino, esqueça. Chegando ao aeroporto, eu desconheço outra opção para ir ao seu hotel com as malas: é necessário pegar táxi. Eles fazem fila junto à área de desembarque nos horários com previsão de pouso.
A maior parte dos carros é antiga, e eu encontrei tanto taxistas gentis quanto rabugentos. Mas rola de se comunicar com portunhol. Nenhum trabalha com taxímetro, por isso é importante alinhar o preço antes de embarcar no carro. Em abril de 2026, custava a partir de 20 mil pesos para ir do aeroporto à praia de Spratt Bight, que dava R$ 27 à época. Eu fui para meu hotel na Avenida Colón, um trecho de aproximadamente 2km, e paguei 27 mil pesos (R$ 35).
Os taxistas não costumam aceitar cartão: o preço é cobrado em pesos colombianos mesmo. Se você só tiver dólares, eles vão fazer o cálculo de cabeça na hora, arredondando para cima, é claro. Mas não esqueça de perguntar antes de embarcar se seu taxista aceita outra moeda. Eu vi um caixa eletrônico do Banco de Bogotá na saída do aeroporto, é possível sacar pesos por ali.

Para ir do centrinho à praia de Sound Bay (bairro de San Luis), um taxista cobrou de uma conhecida 100 mil pesos (R$ 135), ida e volta, já com hora agendada para buscá-la. Eu achei caro, acho que dava para ter negociado. De outra brasileira que estava hospedada em Rocky Beach (praia de San Luis também), cobraram 70 mil pesos ida e volta até o centrinho (R$ 95). Ou seja, ficar dependendo de táxi não vai ser exatamente barato.
Normalmente, os turistas contam com ajuda do hotel onde estão hospedados para acionar um taxista. Se você vai para um lugar distante e precisa voltar de táxi, vale já marcar horário para retorno e/ou pegar o contato do motorista para chamá-lo.
Ah, lembrei agora que existe uma modalidade de transporte individual bem mais barata do que o táxi convencional: o mototáxi. Tem alguns à disposição no centrinho (Spratt Bight), especialmente, à noite. Mas não é nada organizado e não é exatamente seguro. Conheci brasileiras que subiram as duas no mesmo mototáxi. Ninguém com capacete.
Alugue uma moto ou uma mulita para dar a volta à ilha
Alugar uma moto ou uma mulita é a melhor forma de desbravar os cantos da ilha de San Andrés, além da ponta norte. Te dá a autonomia para fazer o famigerado tour "volta à ilha" ao seu jeito, realizando as paradas que você deseja, pelo tempo que quiser (há sinal de internet em praticamente toda a ilha). Sem falar que dirigir a mulita foi uma das coisas mais divertidas que eu fiz na ilha, eu adorei sentir o vento do mar batendo na cara enquanto afundava o pé no acelerador para atingir 30km/h, no máááximo 40km/h.
Moto todo mundo sabe o que é, então deixa eu falar da tal mulita. É uma mistura de buggy com carrinho de golfe, todo aberta — não tem janelas. Mas é coberta, o que ajuda a proteger do sol. Normalmente são automáticas, não têm marcha (só ré, neutro e drive/aceleração). Tem mulitas de dois até seis lugares, e elas já vêm limitadas de fábrica ou são modificadas pelos locadores para andar devagar. Acho providencial para não ter turista se matando na ilha, né? Tem mulita que nem cinto de segurança tem.

É bem fácil alugar motos e mulitas no centrinho de San Andrés (Playa Spratt Bight). Tinha fileiras delas tanto na Carrera 1a quanto na Calle 1c. Também conversei com um locador na frente do Hotel Samawi.
Se você está hospedado no centrinho, alugar para um dia apenas é o suficiente. Normalmente, o aluguel é feito para o uso naquele dia, das 8h ou 9h até 17h30min, 18h se você chorar com o locador. Alguns topam alugar por 24h, por custo adicional. Eu levei minha carteira de motorista brasileira junto, mas não pediram para apresentar em nenhum momento.
O preço para uma mulita de dois lugares estava saindo, em abril de 2026, 250 mil pesos (R$ 340). Obviamente, vai ficando mais caro de acordo com a capacidade e com o modelo. Me ofereceram uma mulita com som por 50 mil pesos a mais e eu recusei — mas depois me arrependi, acho que teria sido divertido. Eles pedem para devolver com o tanque cheio, eu encontrei dois postos Texaco na ponta norte para abastecer. Andei um dia inteiro com a mulita e gastei apenas 8 mil pesos colombianos de gasolina (R$ 11).
O aluguel da moto costuma ser bem mais barato, estava em torno de 90 mil pesos por dia (R$ 120). Considerando que eu não vi ninguém, mas absolutamente ninguém usando capacete na ilha, eu imagino que o equipamento de proteção não esteja incluso. É praticamente uma terra sem lei, você vai descobrir isso no primeiro quarteirão.

A verdade é que o trânsito em San Andrés não é tão tranquilo e surpreende pela intensa movimentação de motos. Há milhares de motos circulando pela ilha, algumas com até quatro passageiros. E sem capacete.
Os locadores preferem que você pague em pesos colombianos. Se aceitarem cartão, provavelmente vão aplicar uma taxa adicional de 10%. Me pediram 100 mil pesos colombianos de "caução" quando retirei o veículo, valor devolvido quando eu entreguei a mulita.
Mais uma última dica para quem vai alugar moto ou mulita: anote o contato do seu locador. Não vai ser uma grande surpresa se o veículo estragar no meio do caminho (digamos que eles não são exatamente novos ou bem conservados). Aconteceu comigo em Providencia, pela manhã, a mulita simplesmente não ligou. Faz parte da experiência hehe.
Se você não pretende alugar moto ou mulita, existe a opção de comprar um passeio compartilhado para fazer a volta à ilha. Um exemplo é a Chiva Rumbera, um ônibus com que imita um trenzinho turístico. Custava 60 mil pesos colombianos em abril de 2026 (R$ 80) e saía da frente do Hotel SeaFlower.
Veja as principais paradas de um roteiro de volta à ilha:
Transporte público: os microônibus Coobusan
Eu estava ansiosa para pegar um Coobusan. Além do nome engraçado, tem algo de simpático nos microônibus que fazem o transporte público de San Andrés. Mas devo alertá-lo logo que o transporte não é pensado para o turista.
Não tem ar-condicionado, pode ser antigo e/ou sujo. Às vezes fica lotado, com gente de pé, e pode nem parar para você subir se estiver muito cheio. A grande vantagem é o preço: a viagem custava, em abril de 2026, 6 mil pesos colombianos (R$ 8). Mais barato que qualquer meio de transporte.

Quando eu viajei, nem Google Maps nem nenhum app tinham simulação de linha ou itinerário. Eu queria ir para uma praia do bairro San Luis, a Rocky Cay, ou Cocoplum Bay, e a solução para pegar o ônibus certo foi perguntar para locais mesmo. Eu pedi informações na recepção do meu hotel em Spratt Bight e descobri que o veículo passava ali na esquina mesmo. Eu precisava pegar um com um cartaz verde na janela frontal, indicando algo como San Luis - Rocky Cay. Não esperei nem dez minutos na parada.
No retorno foi ainda mais rápido, cheguei em um ponto da via costeira onde já tinha uma galera esperando (não tinha nenhuma parada propriamente dita) e já "ataquei" o veículo junto com os outros moradores e turistas. Em tese o microônibus passa de 20 em 20 minutos, mas ouvi falar que não dá para contar com sua pontualidade. Eu também não contaria com o serviço à noite — uma funcionária do beach club onde eu fiquei em Rocky Cay me convenceu a retornar até 19h, porque "achava" que o último Coobusan passava às 19h20min.
Na ida, eu fui confortavelmente sentada, com o microônibus quase vazio, e voltei de pé junto à escada da porta. Mas foi rapidinho que nem me importei (apenas 6km de Rocky Cay ao centrinho). A minha experiência com o transporte público foi boa, no final.
Jéssica Weber