O que fazer em Viena
Viena reúne palácios monumentais, igrejas históricas, museus de arte e uma forte tradição musical — estamos falando da capital mundial da música clássica! Boa parte das atrações está concentrada no centro histórico ou é facilmente alcançada de transporte público, o que ajuda a combinar diferentes visitas ao longo do dia.
A gente traz todas as dicas do que fazer em Viena, para que você organize a programação seguindo seu estilo de viagem, tempo de permanência e orçamento também — a capital austríaca não é dos destinos mais baratos.
Catedral de São Estêvão. Fotos: Jéssica Weber/Melhores Destinos
O que fazer em Viena: 31 dicas para todos os gostos
Viena pode ser visitada durante todo o ano, mas cada estação proporciona uma experiência diferente. A primavera e o começo do outono costumam ser períodos agradáveis para caminhar pelo centro histórico, visitar os jardins dos palácios e aproveitar as atrações ao ar livre.
No verão, os dias mais longos ajudam quem deseja montar roteiros extensos, embora a cidade possa estar mais movimentada. Já o inverno combina com museus, cafés e concertos. No fim do ano, as decorações e os mercados de Natal dão um clima especial à capital austríaca, mas é importante preparar a mala para temperaturas baixas. Veja nosso post de quando ir a Viena.
Mas a primeira coisa que a gente recomenda fazer, assim que tiver as passagens compradas, é escolher uma hospedagem bem localizada. A Innere Stadt é a região mais central e reúne atrações como a Catedral de Santo Estêvão, o Hofburg e a Ópera Estatal. Ficar ali permite fazer muitos passeios a pé, embora as diárias possam ser mais elevadas.
Os bairros ao redor do centro também são boas alternativas. Regiões próximas ao canal do Danúbio, ao Belvedere, à estação central e às principais linhas de transporte público permitem chegar rapidamente às atrações. Áreas como Leopoldstadt, Landstraße, Neubau e Mariahilf podem oferecer uma combinação interessante de localização, restaurantes, comércio e acesso ao metrô. Leia nosso post onde ficar em Viena.
Agora sim, vamos às dicas de atrações. Você pode ler na ordem sugerida ou pular direto para a atividade que mais te interessa:
- Innere Stadt, o centro histórico
- Catedral de Santo Estêvão
- Palácio Hofburg Imperial
- Ópera e onde assistir a concertos
- Parques do centro de Viena
- Principais museus de Innere Stadt
- Palácio de Schönbrunn
- Palácios Belvedere
- Mercado de Naschmarkt
- Parque Prater
- Wiener Riesenrad, a roda-gigante histórica
- As casas de Mozart e de Beethoven
- Museu Sigmund Freud
- Neubau, o bairro descoladinho de Viena
- Pratos típicos de Viena e onde comer
- Cafés de Viena - e o que vale provar
- Torta Sacher
- Passeio de barco no Canal Danúbio
- Karlskirche, imponente igreja barroca
- Hundertwasserhaus
- Museu do Hundertwasser
- Compras em Viena
- Igreja neogótica Votiva
- Prefeitura, Parlamento e Tribunal de Justiça
- Bares do Canal Danúbio
- O moderno MuseumsQuartier
- Torre Danúbio e o escorregador mais alto da Europa
- Rooftops de Viena
- Ônibus panorâmico - hop-on hop-off
- Passeios bate e volta partindo de Viena
- Feiras de Natal
1. Innere Stadt, o centro histórico de Viena
A melhor forma de começar a viagem é passeando pelo Innere Stadt, o centro histórico de Viena. A região concentra alguns dos monumentos, parques, museus, restaurantes, cafés centenários e ruas comerciais. É uma região para explorar a pé, observando as fachadas e aproveitando o caminho entre atrações como a Catedral de Santo Estêvão, o Hofburg e a Ópera Estatal.

A Stephansplatz, onde fica a catedral, funciona como um dos principais pontos de referência. Dela partem ruas movimentadas como a Graben, a Kohlmarkt (foto acima) e a Kärntner Straße, cercadas por lojas e edifícios históricos.
A Graben é a rua onde fica a famosa coluna da Praga (Pestsäule), que lembra o fim de uma epidemia em 1679, e duas fontes, a Josefsbrunnen e a Leopoldsbrunnen, que homenageiam São José e São Leopoldo. Vale entrar também na pequena Igreja de São Pedro, é gratuito.

O passeio pode continuar em direção à Michaelerplatz, diante do Hofburg, ou seguir até a Ópera de Viena. Ou então você segue seu coração, se embrenhando entre ruas medievais estreitas que testemunharam todo o poder da dinastia dos Habsburgo, que governou boa parte da Europa.
2. Catedral de Santo Estêvão
A Catedral de Santo Estêvão, ou Stephansdom, é um dos grandes símbolos de Viena. Localizada na Stephansplatz, no coração do centro histórico, a construção predominantemente gótica chama atenção pelas linhas verticais, pelas gárgulas e pela Torre Sul, que se eleva a quase 137 metros.

Outro destaque é o telhado revestido por mais de 200 mil azulejos esmaltados. Vistos de longe ou do alto, eles revelam desenhos geométricos e símbolos como a águia bicéfala associada à Áustria. O telhado atual foi instalado durante a reconstrução realizada após os danos sofridos na Segunda Guerra Mundial.
É possível observar parte da nave gratuitamente a partir do hall de entrada. Outras experiências são pagas, como as visitas às catacumbas, às torres e a áreas internas da igreja. A subida à Torre Sul exige encarar aproximadamente 340 degraus em uma escada estreita e em espiral, mas termina com diferentes perspectivas do centro histórico. A catedral também recebe concertos de órgão, apresentações de corais e outras celebrações musicais à noite.

3. Palácio Hofburg Imperial
O Hofburg Imperial representa o poder e a riqueza acumulados pela dinastia Habsburgo ao longo dos séculos. Localizado no centro histórico mesmo (Innere Stadt), o enorme complexo reúne edifícios históricos, pátios, museus, espaços culturais e dependências ainda usadas pelo governo austríaco.

A visita pode começar pela Michaelerplatz, diante da fachada semicircular do Michaelertrakt. O conjunto é marcado pela cúpula central e pelas esculturas monumentais dos “Trabalhos de Hércules”. No centro da praça também estão expostas ruínas arqueológicas relacionadas ao antigo assentamento romano de Vindobona.
É possível atravessar os portões e caminhar gratuitamente pelos pátios, isso tira apenas alguns minutos. Mas quem pretende conhecer as atrações pagas deve reservar um turno. Entre os principais lugares para visitar no Hofburg estão:
Museu Sisi e apartamentos imperiais
A visita apresenta a trajetória da imperatriz Elisabeth da Áustria, conhecida como Sisi, por meio de vestidos, joias, acessórios, objetos pessoais e recursos audiovisuais. O percurso termina nos apartamentos usados pela imperatriz e por Francisco José I, preservados com mobiliário e elementos da decoração imperial.

Museu do Tesouro Imperial
O Kaiserliche Schatzkammer reúne coroas, mantos de coroação, joias, cetros, espadas cerimoniais e outros símbolos de poder ligados aos Habsburgo e ao Sacro Império Romano-Germânico. Entre as peças mais curiosas está o chamado “chifre de unicórnio”, que hoje se sabe ser uma presa de narval.

Escola Espanhola de Cavalaria
A escola preserva uma tradição equestre centenária com os cavalos lipizzanos. O visitante pode assistir a uma apresentação completa, acompanhar um treino matinal ou participar de uma visita guiada pelos bastidores. As exibições são formais e valorizam a precisão dos movimentos — não espere nada parecido com um rodeio.
Biblioteca Nacional Austríaca e Salão de Estado
O Salão de Estado chama atenção pelas estantes monumentais, pelos livros em tons ocre, pelos afrescos, pelas esculturas de mármore e pelos grandes globos históricos. No centro está uma estátua de Carlos VI, responsável pela construção da antiga Biblioteca da Corte. É uma visita relativamente rápida, mas bastante procurada pela arquitetura.

Pátios e jardins
Mesmo sem comprar ingressos, vale atravessar os portões, conhecer os pátios internos e observar a estátua de Francisco II/I. A pequena capela do complexo (Hofburgkapelle)
pode ser visitada gratuitamente quando não há concertos ou eventos especiais. O passeio pode continuar gratuitamente pelo Volksgarten e pelo Burggarten, dois parques ligados ao complexo imperial.

4. Ópera de Viena
A Ópera de Viena é um dos grandes símbolos culturais da Áustria e representa a forte relação de Viena com a música clássica — a cidade é considerada a capital mundial da música clássica. Ela ocupa um imponente edifício neorrenascentista inaugurado em 1869, na Ringstrasse.

Mesmo quem não pretende assistir a uma apresentação pode admirar a fachada ou conhecer o interior em uma visita guiada. O passeio apresenta a história e a arquitetura do edifício, passando pelas escadarias, pelos salões históricos e pelo auditório. Como os horários e os ambientes incluídos podem variar de acordo com a operação da casa, vale consultar a programação antecipadamente.
Reserve sua visita guiada por Viena e pela Ópera Estatal.

Para viver a experiência completa, vale tentar assistir a uma ópera ou a um balé. Os ingressos mais procurados podem se esgotar com antecedência, por isso é recomendável fazer a reserva assim que o roteiro estiver definido. Antes da compra, observe com atenção a localização do assento, pois os lugares mais baratos podem ter visão parcial ou bastante limitada do palco. Quem não conseguiu um assento também pode verificar a disponibilidade dos chamados standing room tickets, que permitem acompanhar a apresentação de pé.
Chegar cedo permite encontrar o setor com calma e aproveitar melhor os ambientes históricos. Durante o intervalo, vale circular pelos salões e conhecer o Schwindfoyer, decorado com referências a grandes compositores e ligado a uma varanda voltada para a Ringstrasse.
Outros lugares para assistir a concertos em Viena
Além da ópera, Viena tem concertos em igrejas, salas históricas e espaços voltados a quem quer uma introdução mais acessível à música clássica. Esses programas geralmente trazem Mozart, Strauss e outros compositores associados à cidade. Vale comparar bem antes de comprar, porque há desde apresentações turísticas simples até concertos de alto nível em salas consagradas.
- Concerto de Mozart no Musikverein
- Concerto de Strauss com jantar no Prater
- Concerto de Vivaldi na igreja de São Carlos Borromeu
- Concerto no Palácio Schönbrunn
- Concerto na igreja de Santa Ana
- Concerto de música clássica na igreja de São Pedro
- Palácio Schönbrunn com jantar e concerto
- Concerto da Vienna Residence Orchestra no Palácio da Bolsa
- Concerto de Gala Imperial no Palácio de Auersperg
- Concerto na House of Strauss
- Concerto da Vienna Hofburg Orchestra na Konzerthaus
- Concerto da Vienna Hofburg Orchestra no Palácio de Hofburg
5. Parques do centro de Viena
Viena também é conhecida por seus parques muito bem cuidados, que oferecem um refúgio verde em plena região central da cidade. Com gramados impecáveis, jardins floridos, fontes e monumentos históricos, eles são ótimos para descansar entre uma atração e outra.
Nos meses mais quentes, vale fazer um piquenique, caminhar ou se deitar na grama mesmo. São o lugar favorito dos vienenses nos dias de sol. Ah, e são gratuitos, e tem pouca coisa de graça na capital austríaca.

Burggarten
O meu parque favorito em Viena é o Burggarten, o antigo jardim privativo da família imperial. Ele em si não é muito grande, mas tem áreas arborizadas e amplos gramados emoldurados por alguns prédios do Palácio Hofburg. Ah, e não deixe de visitar a estátua de Mozart (foto abaixo) com seu canteiro de flores em forma de clave de sol.
Os visitantes aproveitam os gramados para relaxar e podem visitar a elegante estufa das borboletas (Schmetterlinghaus) ou comer algo no Palmenhaus (ou Brasserie Palmenhaus), uma estufa imperial de aço e vidro transformada em café, restaurante e bar.

Volksgarten
O Volksgarten é conhecido pelo seu belo jardim de rosas, que reúne milhares de roseiras de centenas de variedades e fica especialmente bonito entre o fim da primavera e o verão. Eu tive a sorte de ver esse lugar super florido, foi bem legal. Tem muitos bancos, mas também tem gramados planos para fazer um piquenique.
A localização também é estratégica para uma pausa no meio da programação: fica entre o palácio Hofburg, o Parlamento e o Burgtheater. Tem restaurante e quiosque com mesas ao ar livre. Ah, outra coisa que chama atenção é o templo de Teseu (Theseustempel), um templo neoclássico branco inspirado no Templo de Hefesto, em Atenas.
Stadtpark
Esse é maior do que os outros, mas já vou adiantando que não é tão bem cuidado. Mas um diferencial é que esse possui um lago com patinhos e fica às margens do rio Wien.
Inaugurado em 1862, foi o primeiro parque público de Viena e abriga o icônico monumento dourado de Johann Strauss II, um dos lugares mais fotografados da cidade. Mas eu diria que só vale a visita se você está com bastante tempo ou se hospedou muito perto.
Rathauspark
Não parece exatamente um parque, mas uma praça em frente à Prefeitura de Viena. É bom ficar atento à programação: recebe eventos ao longo do ano, como o famoso mercado de Natal, festivais gastronômicos e o cinema ao ar livre realizado durante o verão europeu. Quando eu fui, estava rolando até shows.
Mas eu quero mesmo é voltar no inverno, para conferir a grande pista de gelo montada por ali.
6. Principais museus do centro histórico
Viena tem alguns dos museus mais importantes da Áustria concentrados em sua região central. Entre coleções de arte, antigos aposentos imperiais, fósseis e objetos arqueológicos, estas quatro instituições revelam diferentes aspectos da história e da riqueza cultural da cidade. Mas saiba que os museus cobram ingresso em Viena, e não é barato.
Albertina
Instalado em um antigo palácio próximo à Ópera Estatal de Viena, o Albertina é conhecido por preservar uma das mais importantes coleções de desenhos e gravuras do mundo. O acervo reúne trabalhos de artistas como Albrecht Dürer, Michelangelo, Gustav Klimt e Egon Schiele. Como as obras em papel são delicadas, porém, nem todas permanecem expostas continuamente.

A obra mais famosa é a Feldhase (A Lebre Jovem), uma aquarela e guache de 25 x 22,5 cm feita em 1502 pelo artista alemão Albrecht Dürer. Parece apenas um desenho simpático de um coelhinho, mas é um marco pela inovação na técnica de aquarela e observação científica da natureza no Renascimento.
Mas não para aí, quando eu visitei, tinha uma exposição que colocava Monet e Picasso em salas vizinhas, eram várias obras do francês e do espanhol. E uma coisa legal é que o museu preserva também "state apartments", parece um labirinto de aposentos imperiais, você vai saindo de um e entrando em outro, cada qual com uma decoração pomposa, com mobiliário e decoração palaciana.
Museu da História da Arte
O Museu da História da Arte - Kunsthistorisches Museum nasceu para abrigar as coleções de arte reunidas pela família imperial austríaca. Seu acervo permite atravessar diferentes períodos da história, com pinturas, esculturas, antiguidades e objetos decorativos apresentados em um edifício monumental na Maria-Theresien-Platz. Junto com o Museu de História Natural, que a gente traz a seguir, formam os lindíssimos "museus gêmeos de Viena".

A Galeria de Pinturas é uma das seções mais procuradas. O visitante encontra obras de artistas como Bruegel, Velázquez, Rubens, Rafael, Ticiano e Caravaggio. O museu é particularmente conhecido por sua coleção de Pieter Bruegel, o Velho, considerada um de seus maiores diferenciais. Você talvez já tenha visto A Torre de Babel, da foto abaixo:
Também merece atenção a Kunstkammer, formada por objetos raros e peças de grande valor artístico produzidas para as antigas cortes europeias. Mesmo antes de observar o acervo com calma, a escadaria, as cúpulas e a decoração interna já ajudam a explicar por que o Kunsthistorisches é uma das visitas culturais mais marcantes de Viena. E esse café aqui também faz sucesso, pela beleza do espaço. É necessário ter ingresso para acessá-lo.

Museu de História Natural
Em frente ao Kunsthistorisches, ocupando um edifício de aparência quase idêntica, está o Museu de História Natural de Viena - Naturhistorisches. Suas galerias abordam a formação da Terra, a diversidade das espécies e a evolução humana por meio de minerais, meteoritos, fósseis e animais provenientes de diferentes partes do mundo.

Entre as peças mais conhecidas está a Vênus de Willendorf, uma pequena escultura pré-histórica encontrada na Áustria. As exposições dedicadas aos dinossauros, aos minerais e ao mundo animal também estão entre as áreas de maior apelo, especialmente para quem viaja com crianças e adolescentes.

O tamanho e a variedade do acervo permitem adaptar a visita aos interesses de cada viajante. É possível concentrar o passeio nas peças mais famosas ou reservar mais tempo para percorrer as salas do edifício, que também chama a atenção por sua arquitetura e decoração.
Museu Sisi e apartamentos imperiais
A visita mais clássica dentro do Hofburg é o Museu Sisi, que culmina na visita a alguns dos quartos imperiais de Hofburg. Ele conta a história de Elisabeth da Áustria, que foi esposa do imperador Francisco José I e se tornou uma das figuras mais famosas da monarquia dos Habsburgo no século 19. Virou imperatriz aos 16 anos, uma jovem linda e vaidosa, de personalidade forte, e foi assassinada aos 60 anos por um anarquista italiano, que a atacou com uma lima afiada no coração.
O museu é moderno e conta a história da imperatriz de uma maneira envolvente, com a ajuda de um audioguia incluso no ingresso. Além de objetos pessoais dela — vestidos, joias, mala de viagem, acessórios —, traz um pouco dos filmes e criações que ajudaram a criar o mito em torno de Sisi. O que mais me chamou atenção foi a relutância da imperatriz em seguir a etiqueta imperial. Ela buscava alguma liberdade em cavalgadas (era uma amazona excepcional) e em viagens. Abaixo, tem uma reprodução do interior de sua carruagem.
Dependendo da época que você viaja, vale reservar com alguns dias de antecedência pelo site para conseguir escolher o horário (é por hora marcada). Ou então chegue cedo.
O vestiário de Sisi
7. Visitar o Palácio de Schönbrunn
O Palácio de Schönbrunn foi a principal residência de verão dos Habsburgo nos séculos XVIII e XIX. Seus salões e aposentos ajudam a contar a história da família imperial: Sisi e o imperador Francisco José viveram ali, Mozart se apresentou por lá ainda criança, e foi onde nasceu Maria Leopoldina, que se tornaria imperatriz do Brasil. Você está ligado que o amarelo na bandeira do Brasil representa a Casa de Habsburgo, né?

Apesar de não ficar no centro histórico de Viena, o Palácio de Schönbrunn está a apenas cerca de 5 quilômetros da região central e é facilmente acessado de metrô, bonde ou ônibus. Quem pretende apenas caminhar pelos jardins e admirar a arquitetura externa pode reservar cerca de duas horas. Para entrar no palácio e conhecer outras atrações, é possível passar quase o dia inteiro em Schönbrunn.
Um dos momentos mais aguardados da visita interna é conhecer a Grande Galeria, essa da foto. Com 43 metros de comprimento e quase dez metros de largura, era o cenário para eventos da corte. O interior magnífico, com sua decoração em estuque dourado e afrescos no teto, representa o auge da arte rococó.

Ela está inclusa nos três ingressos para entrar no palácio, mas deixa eu explicar as diferenças:
- State Apartments: É o percurso mais curto pelo interior do palácio. A visita passa pelos principais salões cerimoniais, como a Grande Galeria e a Sala do Carrossel, mas não inclui os quartos particulares de Sisi e Francisco José. É uma boa alternativa para quem dispõe de pouco tempo ou não conseguiu reservar o tour mais completo.
- Palace Ticket: É a opção mais completa para conhecer os ambientes internos de Schönbrunn. Além dos salões cerimoniais, o percurso inclui o escritório e o quarto de Francisco José, os aposentos de Sisi, o dormitório compartilhado pelo casal e espaços relacionados a Maria Teresa. Como as entradas têm horário marcado, vale reservar antecipadamente.
- Tour Maria Theresia: A visita guiada foca nos espaços relacionados à imperatriz Maria Teresa, responsável por transformar Schönbrunn em um dos centros da vida política e social da corte. O passeio passa pelas Salas Bergl, decoradas com pinturas de paisagens e elementos naturais, além de salões cerimoniais e aposentos do século XVIII. O tour é oferecido em inglês e alemão.
Mas o palácio não é a única atração de Schönbrunn. O conjunto reconhecido pela Unesco ocupa 186 hectares, é enorme. É possível comprar boa parte das atrações em um combo já na bilheteria principal do palácio, como o Classic Pass e o Classic Pass Plus (você pode checar as atrações atualizadas que incluem neste link). O Vienna Pass também inclui várias atrações.
Deixa eu te apresentar as que eu conheci na minha visita. Eu usei o trenzinho "hop-on hop-off" para ir de uma atração a outra, mas muita gente vai caminhando mesmo. Use tênis e roupas confortáveis.
Jardins de Schönbrunn
Os jardins principais são gratuitos e reúnem fontes, esculturas, canteiros geométricos e caminhos que conduzem até a Gloriette. A Fonte de Netuno, localizada no início da subida, é um dos destaques. O parque é extenso, por isso vale usar calçados confortáveis e reservar tempo para percorrê-lo.

Maze & Labyrinth
A área reúne labirintos formados por plantas, brinquedos e atividades voltadas principalmente às famílias com crianças. Tem um difícil (eu admito que desisti de encontrar o caminho) e outro mais baixinho, onde dá para localizar os perdidos. A entrada é paga e pode estar incluída em alguns passes combinados.

Gloriette - café e terraço panorâmico
Construída no alto da colina, a Gloriette é um dos cartões-postais de Schönbrunn. É possível admirar gratuitamente sua fachada e a paisagem a partir da área inferior. Para subir ao terraço panorâmico, é necessário ter ingresso.
A parte central da Gloriette abriga um café instalado em um salão histórico, com mesas internas e externas. É uma opção para descansar depois da subida e aproveitar a vista dos jardins, embora o espaço possa ficar bastante movimentado e tenha aquele ar bem turístico.

Zoológico de Schönbrunn
Fundado em 1752, o Tiergarten Schönbrunn é o zoológico mais antigo do mundo ainda em funcionamento. A área é extensa, arborizada e preserva edifícios históricos, incluindo o pavilhão onde a família imperial fazia refeições enquanto observava os animais. É uma atração especialmente interessante para famílias e pode ocupar boa parte do dia.
Palm House
A Palm House é uma estufa histórica de ferro e vidro dedicada a plantas tropicais e subtropicais. O interior é dividido em três zonas climáticas, com ambientes frios, temperados e quentes. A visita é relativamente rápida e pode ser combinada com o zoológico e os jardins.

Museu das Carruagens Imperiais
O Kaiserliche Wagenburg Wien apresenta carruagens usadas em coroações, casamentos, funerais e viagens da família imperial. Entre os veículos estão exemplares relacionados a Napoleão, Sisi e outros personagens da história europeia. O museu pertence ao Museu de História da Arte de Viena e tem ingresso próprio.

Apfelstrudel Show
A apresentação mostra a montagem do tradicional strudel de maçã em um ambiente inspirado na confeitaria imperial austríaca. As explicações são feitas em inglês e alemão, e cada visitante recebe uma porção do doce para provar. A experiência acontece perto da área de ingressos do palácio.
8. Conhecer os palácios Belvedere de Viena
O Belvedere de Viena combina arte, arquitetura barroca e jardins pomposos, é um passeio bonito no bairro Landstraße. O complexo é formado pelos museus do Belvedere Superior e do Belvedere Inferior. Ali perto também fica um museu de arte contemporânea chamado Belvedere 21.
O mais popular deles é o Belvedere Superior. É nele que está “O Beijo”, de Gustav Klimt, obra concluída no início do século XX e um dos trabalhos mais conhecidos da Áustria. O percurso também apresenta outros nomes austríacos e obras de artistas como Van Gogh, Monet e Renoir.

O próprio palácio faz parte da experiência. Salões com mármore, afrescos, espelhos dourados e grandes janelas ajudam a preservar a atmosfera da antiga residência de verão do príncipe Eugênio de Saboia. O Salão de Mármore também entrou para a história austríaca por ter sido o local da assinatura do Tratado de Estado Austríaco, em 1955.
Entre os dois palácios ficam os jardins barrocos, organizados em terraços com fontes, esculturas, canteiros simétricos e espelhos d’água. A entrada nos jardins é gratuita. Para visitar os museus, é necessário comprar ingresso com horário marcado.
9. Mercado de Naschmarkt
O Naschmarkt é o mercado de rua mais famoso de Viena e uma boa pedida para quem está com fome. Distribuídas entre as estações de metrô Kettenbrückengasse e Karlsplatz, cerca de 130 bancas vendem frutas, vegetais, queijos, temperos, peixes, doces, azeitonas, castanhas e produtos de diferentes partes do mundo. Há também souvenirs e pequenas lojas de artigos variados.

Mais do que fazer compras, vale visitar o mercado para experimentar algumas especialidades ou sentar-se em um de seus restaurantes. Por lá, eu provei topfenzelten, que parecem pãezinhos achatados e macios com recheios doces, como maçã ou semente de papoula. Comprei e fui comer no terraço do Marktraum, um pavilhão do mercado com bancos, canteiros floridos e vista para os edifícios da avenida.
O Naschmarkt tem restaurante de frutos do mar, de comida orgânica, de comida israelense, de queijos e vinhos também. Para uma refeição tipicamente austríaca, sugiro o Zur Eisernen Zeit, o restaurante mais antigo do mercado. O ambiente preserva uma atmosfera antiga, enquanto o cardápio reúne clássicos da cozinha vienense, como goulash e Tafelspitz.
Aos sábados, o Naschmarkt fica especialmente movimentado devido ao mercado de antiguidades e artigos usados realizado nas proximidades da estação Kettenbrückengasse.
10. Parque Prater
Localizado no bairro de Leopoldstadt, o Prater é um tradicional parque de diversões de Viena. A entrada é gratuita, e cada brinquedo é pago separadamente. O lugar tem mais de 250 atrações, entre carrosséis, montanhas-russas, carrinhos bate-bate, brinquedos com água e diversas casas de terror. Para quem quer adrenalina, um dos brinquedos mais chamativos é o Ejection Seat, do tipo slingshot ou estilingue.

O grande símbolo do parque é a Wiener Riesenrad, que a gente fala mais no tópico a seguir. O Prater merece entrar no roteiro especialmente para quem viaja com crianças ou adolescentes, gosta de atrações de adrenalina ou quer conhecer um lado mais descontraído da capital austríaca.
Mas vale apenas alinhar as expectativas: o ambiente é de um parque de diversões tradicional, não é nenhuma Disney. A temporada principal acontece entre março e outubro; durante o inverno, várias atrações podem permanecer fechadas.
Há lanchonetes, cafés e restaurantes espalhados pelo parque. Entre os endereços mais conhecidos estão a Schweizerhaus, famoso pelo joelho de porco e pelas canecas de cerveja, e o Rollercoaster Restaurant, onde os pedidos chegam às mesas por trilhos.
11. Wiener Riesenrad, a roda-gigante histórica de Viena
A Wiener Riesenrad é a roda-gigante em funcionamento mais antiga do mundo. Inaugurada em 1897, ela fica logo na entrada do Wurstelprater, no Parque Prater, e tornou-se um dos símbolos de Viena. A atração também ganhou fama no cinema, aparecendo em O terceiro homem e Antes do Amanhecer — foi onde o casal deu seu primeiro beijo.
O passeio é mais contemplativo do que emocionante. A roda tem quase 65 metros de altura e gira lentamente, em cabines fechadas com acabamento em madeira. Completa a volta em cerca de dez minutos. Do alto, é possível observar o skyline de Viena e as atrações do Prater. Durante o dia, a paisagem urbana aparece com mais nitidez; à noite, o destaque fica para as luzes do parque de diversões. O horário do pôr do sol faz sucesso.
Antes do embarque, uma pequena exposição com cabines antigas, maquetes e cenários em miniatura apresenta a história da roda-gigante, do Prater e da cidade. No ingresso comum, as cabines podem ser compartilhadas com outros visitantes. Também existem opções privativas e experiências gastronômicas, como café da manhã, jantar e eventos, que daí é bem mais caro e exige reserva antecipada. A Wiener Riesenrad funciona durante todo o ano, mas os horários variam conforme a temporada.
12. A casa de Mozart e a casa de Beethoven
A Mozarthaus ocupa o número 5 da rua Domgasse, onde Wolfgang Amadeus Mozart viveu com a família entre 1784 e 1787, no auge de sua fase vienense. Localizada em uma rua estreita e charmosa a poucos metros da Catedral de Santo Estêvão, é a única residência do compositor preservada até hoje em Viena. Foi nesse endereço que ele compôs obras importantes, como a ópera As Bodas de Fígaro e três dos quartetos dedicados a Joseph Haydn.

Distribuído por três níveis, o museu apresenta a vida de Mozart na capital austríaca, sua relação com a aristocracia, os teatros, os concertos, as amizades e rivalidades, além do contexto social e musical do século XVIII. O percurso combina documentos, imagens, objetos históricos e recursos audiovisuais, mas não espere encontrar uma casa inteiramente mobiliada — praticamente nenhum móvel original de Mozart sobreviveu.
O museu recomenda reservar aproximadamente uma hora para a visita, mas quem pretende acompanhar o audioguia e observar tudo com calma pode permanecer até 1h30. Como fica no centro histórico, pode ser facilmente combinado com atrações como a Catedral de Santo Estêvão e os restaurantes da região — eu saí de lá e fui direto comer schnitzel no Figlmüller.
Dica extra aos amantes da música clássica:
Também dá para seguir os passos de Beethoven em Viena. A Casa Pasqualati foi a residência onde o compositor viveu por mais tempo na capital austríaca, no começo do século 19. Foi nesse endereço que Ludwig van Beethoven trabalhou em obras marcantes, como a ópera Fidelio, além de desenvolver partes da 5ª e da 6ª Sinfonias e compor a célebre peça Para Elisa.
Ela também foi transformada em museu, reúne uma exposição biográfica com manuscritos, objetos, retratos e estações de áudio que ajudam a compreender sua vida e seu processo criativo. Fica no centro histórico da cidade mesmo, na rua Mölker Bastei.

13. Museu Sigmund Freud
Se seu interesse não é em música clássica, mas em psicanálise, eu tenho outra dica. O Museu Sigmund Freud fica no número 19 da Rua Berggasse, onde o pai da psicanálise viveu e começou a atuar como médico em 1891. Ele permaneceu no endereço por 47 anos, até fugir do nazismo em 1938. O apartamento foi transformado em museu e preserva parte importante da trajetória pessoal e profissional do médico, com cômodos originais, móveis, fotografias, manuscritos e objetos cedidos pela família.
A visita é mais documental e contemplativa do que cenográfica. As exposições abordam a vida da família Freud, o desenvolvimento da psicanálise, a cultura judaica em Viena e a história do próprio edifício. Já avisou que o famoso divã não está no local: Freud o levou para Londres durante o exílio, e a peça hoje integra o acervo do Freud Museum London.
O museu pode ser visitado por conta própria, e os textos da exposição estão disponíveis em português por meio de QR codes. Também são oferecidas visitas guiadas em diferentes idiomas, inclusive em português, conforme disponibilidade e reserva. O percurso leva pelo menos uma hora, mas quem quiser ler o conteúdo com calma pode reservar até 1h30.
14. Neubau, o bairro descoladinho de Viena
Neubau é o bairro descoladinho de Viena. Fica a Oeste do Museumsquartier e é associado a bares, galerias e cultura contemporânea. Essa já virou minha região favorita de Viena, especialmente em Spittelberg, que tem ruas estreitas de paralelepípedo e prédios centenários.
As principais referências ali são as ruas Zollergasse, Kirchengasse, Lindengasse, Burggasse, Neubaugasse e Neustiftgasse. Mas vale se perder pelas ruas pequeninas também, tipo a Gutenberggasse e a Spittelberggasse. Vários restaurantes e bares colocam mesas na calçada, nos meses mais quentes.
Rua Spittelberggasse
Muitos desses edifícios remetem ao período Biedermeier, estilo da primeira metade do século 19 marcado por proporções harmoniosas e uma elegância, digamos, menos imperial. A região foi habitada por artesãos, trabalhadores e, mais tarde, por tavernas e estabelecimentos de reputação duvidosa. Mas ganhou esse espírito jovial nas últimas décadas, e hoje parece uma pequena vila dentro da cidade, mesmo estando a poucos minutos do palácio de Hofburg.
Na Kirschbergasse, tem uns canteiros de flores no meio da rua, com cerquinha improvisada para protegê-los. Tinha uma mulher lendo um livro de pé, na esquina, achei isso tão a cara do bairro. Essa região tem de pub escuro inspirado na obra de Bukowski a restaurante indiano.
Morgenstern, na St.-Ulrichs-Platz
Tem um bar que eu gostei tanto que me dá até um pouco de ciúmes de compartilhar. Chama Morgenstern e fica na St.-Ulrichs-Platz, bem na frente da simpática Igreja de Santo Ulrico. Eu fui no mês de maio, já estava bem quente, sentei em uma das mesas da rua (não passa carro por ali) e fiquei admirando o sol pintando a pontinha das torres da igreja, até anoitecer. O bar tinha taça de vinho mais barata que água, e esse tipo de oportunidade na cara Viena a gente não desperdiça. Os drinks também são em conta, e bons. Mas quando eu fui, não aceitava cartão.
15. Pratos típicos de Viena
Experimentar os pratos típicos de Viena é uma maneira deliciosa de conhecer a cultura da capital austríaca. Entre os principais estão:
- Wiener Schnitzel: filé fino, empanado e frito. Tradicionalmente, é preparado com vitela; quando leva carne de porco, a diferença costuma ser indicada no cardápio.
- Tafelspitz: carne bovina cozida lentamente em caldo, geralmente servida com batata e raiz-forte.
- Stelze: joelho de porco assado, com casquinha crocante e carne macia por dentro. As porções costumam ser generosas.
- Goulash vienense: ensopado de carne cozido lentamente em um molho encorpado de cebola e páprica. É uma receita farta e reconfortante.
- Käsekrainer: salsicha recheada com queijo, encontrada principalmente nos Würstelstände, os tradicionais quiosques de rua. Pode ser servida no prato ou no pão, como cachorro-quente. Vai virar seu queridinho se quiser economizar.
- Bosna: salsicha servida no pão com cebola, mostarda e curry. Também é uma alternativa prática e barata para matar a fome entre os passeios.
Confira as nossas sugestões de restaurantes no post sobre onde comer em Viena.
O schnitzel de porco do Figlmuller é um dos grandes sucessos de Viena
16. Cafés de Viena - e o que vale provar
Os cafés de Viena são uma instituição cultural da cidade. Essa tradição começou no fim do século 17 e ganhou força sobretudo no século 19 e no início do século 20, quando os Kaffeehäuser se tornaram pontos de encontro de escritores, artistas, jornalistas, músicos e pensadores. Não deixe de incluir cafés no seu roteiro, eles são um pedaço da alma de Viena.
O costume vienense é permanecer bastante tempo à mesa, muitas vezes lendo os jornais disponíveis, conversando ou trabalhando, mesmo depois de pedir apenas uma bebida. Os bancos estofados, os móveis de madeira, os cabideiros para casacos e chapéus e os garçons de serviço formal também fazem parte desse imaginário.
A gente visitou vários, o Sacher, o Demel, o Café Wortner, que me foi uma agradável surpresa longe da rota turística. Mas faltaram outros bem famosos, como o Café Landtmann, o Mozart e o Central, que estava em obras quando visitei.
Esses cafés costumam servir opção de brunch e mesmo pratos salgados, mas são também uma belíssima oportunidade para provar doces que são a especialidade da confeitaria austríaca. Se possível, acompanhado de um Wiener Melange, café expresso com leite vaporizado ou creme batido.
Kaiserschmarrn no Café Demel
Vale experimentar o Kaiserschmarrn, uma panqueca grossa e aerada, servida em pedaços e acompanhada por compota de frutas. É a especialidade da Demel, confeitaria fundada em 1786. A sede fica a alguns passos do Palácio Hofburg, mas também tinha opção para levar perto da Catedral de Santo Estêvão. Você pode ver os cozinheiros preparando e depois despedaçando a panqueca em grandes discos ao fogo.
Outro doce incrível e super popular em Viena é o Apfelstrudel, doce de maçã preparado com uma massa muito fina, encontrado em diversas confeitarias da cidade. A do Gerstner K. u. K. Hofzuckerbäcker é uma das mais famosas. O Apfelstrudel tinha pedaços de maçã firmes, que preservavam a textura da fruta. O equilíbrio entre doçura e acidez estava perfeito. Vale experimentar.
Eu obviamente preciso falar da Sacher-Torte, mas ela merece um novo tópico.
17. Torta Sacher
A torta sacher é um símbolo de Viena, sem dúvidas, o bolo mais famoso da Áustria. Ela foi criada em 1832. Reza a lenda que a corte do Príncipe Metternich havia encomendado uma sobremesa para uma ocasião especial, mas o chef ficou doente, então seu aprendiz Franz Sacher, de apenas 16 anos, o substituiu. As palavras do príncipe foram algo como: "Oh, que ele não me descredite esta noite!". Ninguém imaginaria que a receita inventada ali ainda seria um sucesso depois de quase 200 anos!
Aparentemente, Torta Sacher é um assunto polêmico, tem gente que venera e gente que acha superestimada. A receita combina ingredientes simples — manteiga, açúcar, ovos, chocolate, farinha e geleia de damasco —, mas a graça está no equilíbrio entre o bolo, a camada frutada e a cobertura de chocolate amargo. Normalmente, é servido com uma porção de chantilly sem açúcar.

Vários cafés, confeitarias e mesmo mercados de Viena vendem o doce, mas quem segue a receita original até hoje é o café do Hotel Sacher, atrás da Ópera de Viena. Dizem que costuma ter muita fila, mas eu fui por volta das 20h30min e entrei direto.
O que eu achei? Eu já sabia que o bolo poderia ser bem mais seco do que estamos habituados. É a cobertura que traz a graça, junto com a geleia de damasco. A fatia pode ser dividida, porque o sabor de chocolate é intenso e pode ficar enjoativo para uma pessoa só. Ela vem acompanhada por creme batido praticamente sem açúcar, que ajuda a equilibrar o doce. Eu já li vários artigos a respeito, e nem sempre a original é considerada a mais gostosa, ok?
Ao lado do café, a loja vende tortas inteiras, fatias, versões pequenas e bombons da marca. Uma torta grande custava aproximadamente € 80 na minha visita, em 2026, enquanto um pedaço individual custava € 8,90. Comprar para viagem é uma alternativa para quem quer provar o doce sem esperar por uma mesa, sai até um pouco mais barato.

18. Passeio de barco em Viena
Um passeio de barco permite observar Viena por outro ângulo, navegando pelo Canal do Danúbio ou pelo próprio Rio Danúbio. A opção mais curta parte de Schwedenplatz, no centro, e percorre o canal durante cerca de 75 minutos. Pelo caminho, aparecem construções como a Torre Uniqa, o observatório Urania, o Ringturm, o Badeschiff e a casa projetada por Zaha Hadid, além dos grafites que marcam essa região da cidade.

Quem tiver mais tempo pode escolher um roteiro mais longo, combinando o Canal do Danúbio com o rio. Esses passeios passam por áreas de arquitetura moderna, pela Ilha do Danúbio e por estruturas como as eclusas. Há também cruzeiros noturnos com jantar e saídas temáticas. A DDSG Blue Danube é uma das empresas mais conhecidas, mas tem várias.
Os trajetos, horários e locais de embarque variam conforme a época do ano e as condições de navegação. Por isso, vale consultar o calendário da operadora antes do passeio. É uma experiência especialmente interessante para quem já conheceu os principais monumentos de Viena e deseja incluir um programa mais tranquilo no roteiro, sem a necessidade de caminhar tanto.
19. Karlskirche, imponente igreja barroca de Viena
A Karlskirche, ou Igreja de São Carlos Borromeu, impressiona pela fachada monumental e pelo interior repleto de afrescos, colunas e detalhes dourados. Localizada na Karlsplatz, perto do Musikverein e do Naschmarkt, ela foi encomendada pelo imperador Carlos VI após uma grave epidemia de peste e concluída na década de 1730.
As duas grandes colunas da fachada foram inspiradas na Coluna de Trajano, em Roma, e apresentam cenas da vida de São Carlos Borromeu. Dentro da igreja, o destaque é o altar-mor, com a representação do santo sendo elevado ao céu. Cobra ingresso, que também permite ver o órgão de perto e subir a um terraço próximo à cúpula, de onde se tem uma vista panorâmica da região.

Eu tive a sorte de visitar a igreja durante a celebração de Pentecostes, entrei assim que a missa terminou. A fumaça do incenso preenchia o interior enquanto um feixe de luz atravessava a nave central. Criou um efeito quase cinematográfico, como uma cascata de luz sobre o corredor principal. Lindo, né?
Reserve entre 40 minutos e uma hora para a visita. Na saída, vale observar o reflexo da igreja no espelho d’água da praça, um dos cenários mais fotogênicos de Viena. Outra possibilidade é assistir a um dos concertos de música clássica realizados no templo, que aproveitam a boa acústica do espaço.
20. Hundertwasserhaus, o condomínio diferentão de Viena
Esse condomínio no bairro de Weißgerber parece uma concha de retalhos. A fachada tem formas e cores diferentes, tem até árvore saindo de dentro da janela. É a construção mais famosa do artista austríaco Friedensreich Hundertwasser, falecido no ano de 2000, aos 71 anos, e virou um ponto turístico moderninho de Viena. 
Uma placa ao lado da porta de entrada contextualiza a época da construção (1983 a 1985) e a define como "uma casa em harmonia com a natureza e as pessoas". Preciso ressaltar que é um edifício residencial e os apartamentos não podem ser visitados.
Mas há uma loja de souvenir e uma cafeteria acessadas a partir do térreo, e também tem uma pequena galeria comercial no mesmo estilo arquitetônico bem na frente, a Hundertwasser Village, que vale conhecer. Ali tem várias tendas de presentes e uma loja bem bacana no segundo piso, com posters do Hundertwasser e reproduções do Gustav Klimt e outros artistas contemporâneos. Também tem uma cafeteria e uma pequena galeria de acesso gratuito.
Só dá uma cuidada onde pisa, pois o chão é irregular - uma das marcas dos prédios de Hundertwasser. Para o austríaco, "o piso irregular torna-se uma sinfonia, uma melodia para os pés, e devolve ao homem as vibrações naturais".
21. Museu do Hundertwasser - Kunst Haus Wien
Se você curtiu a Hundertwasserhaus, vai adorar saber que, a poucos minutos de caminhada, fica a Kunst Haus Wien, outra obra curiosa do arquiteto-artista. Era uma antiga fábrica de móveis transformada pelo próprio artista, e hoje funciona como um museu dedicado a sua obra. Foi uma das minhas mais gratas surpresas em Viena. Mesmo tendo tropeçado assim que entrei na recepção, por causa do tal do piso irregular. Faz parte da experiência.

O museu tem quatro andares de exposições. Os dois primeiros apresentam a mostra permanente dedicada a Hundertwasser, com cerca de 170 trabalhos, entre pinturas, gravuras, tapeçarias, maquetes e objetos relacionados às suas ideias sobre arquitetura e ecologia. O terceiro e o quarto andares recebem exposições temporárias de arte contemporânea. Nos fundos, ao térreo, tem um café muito lindinho também, cheio de natureza.
Não espere nada muito normal na arquitetura desse prédio. Se você também é cria da década de 1990, também pode sentir uma vibes "Castelo Rá-Tim-Bum". Até as paredes são rabiscadas com algumas frases do Hundertwasser. Debaixo de uma janela, li uma frase que contextualiza bem a obra dele: "a linha reta não tem Deus".
As telas do artista são lindíssimas, e vale perder alguns minutos diante das maquetes das suas obras. Essa fábrica abaixo realmente existe, é a Central de Aquecimento Urbano de Spittelau (Fernwärmewerk Spittelau), localizada no 9º distrito de Viena, às margens do canal do Danúbio.
22. Onde fazer compras em Viena
As principais áreas comerciais de Viena ficam relativamente próximas das atrações turísticas e são bem atendidas pelo transporte público. A escolha do lugar depende principalmente do tipo de compra: marcas populares, artigos de luxo, produtos de design ou lembranças.
- Kärntner Straße, Graben e Kohlmarkt: as três ruas formam o chamado “U Dourado”, principal circuito de compras do centro histórico. A Kärntner Straße concentra lojas internacionais, perfumarias, confeitarias e souvenirs, enquanto Graben e Kohlmarkt têm perfil mais sofisticado, com grifes de luxo, joalherias e estabelecimentos tradicionais.
- Mariahilfer Straße: é a principal rua de compras de Viena e uma boa escolha para quem busca variedade. Ao longo da avenida há lojas de roupas, calçados, cosméticos, eletrônicos, artigos esportivos e decoração, além de grandes redes europeias e lojas de departamento.
- Neubaugasse e bairro de Neubau: região indicada para encontrar boutiques independentes, pequenos ateliês, brechós, papelarias, lojas de acessórios e marcas austríacas de moda e design. Algumas lojas parecem saídas do túnel do tempo, outras tem uma vibe hipster. É um passeio bem bacana.
- Naschmarkt: o mercado mais conhecido de Viena vende frutas, queijos, pães, temperos, doces, produtos austríacos e ingredientes de várias partes do mundo. Também há bancas de souvenirs e restaurantes. Aos sábados, a área recebe um mercado de pulgas com livros, discos, louças, antiguidades e objetos usados.
- Feiras de rua em Viena: a cidade recebe feirinhas temporárias em diferentes épocas do ano, com barracas de comidas típicas, artesanato e lembranças. Por serem eventos sazonais, vale verificar a programação durante a viagem.
- Shoppings e centros comerciais: o Westfield Donau Zentrum é um dos maiores centros de compras da cidade. O Wien Mitte The Mall tem localização mais central, junto à estação Wien Mitte-Landstraße, enquanto o Shopping City Süd fica em Vösendorf, fora dos limites de Viena.
Rua Graben com a Kohlmarkt
Em geral, as lojas de Viena funcionam de segunda a sexta-feira, das 9h ou 10h às 18h ou 18h30. Aos sábados, a maioria fecha entre 17h e 18h. Shoppings e algumas grandes redes podem funcionar até cerca de 20h nos dias úteis. Aos domingos e feriados, quase todo o comércio permanece fechado, incluindo supermercados. Tire todas as suas dúvidas no post compras em Viena.
23. Igreja neogótica Votiva
Com suas duas torres pontiagudas de 99 metros, a Igreja Votiva (Votivkirche) é um dos edifícios mais marcantes da Ringstrasse. Embora tenha aparência medieval, a igreja foi construída em estilo neogótico no século XIX e é considerada um dos exemplos mais importantes da arquitetura historicista europeia.
A construção foi idealizada após uma tentativa frustrada de assassinato do imperador Francisco José, em 1853. Como agradecimento pela sobrevivência do monarca, seu irmão, o arquiduque Fernando Maximiliano, iniciou uma campanha de doações para erguer o templo, projetado pelo arquiteto Heinrich von Ferstel. A igreja foi consagrada em 1879, no dia em que Francisco José e a imperatriz Elisabeth celebravam 25 anos de casamento.

O interior chama a atenção pelos vitrais — são 78 ao todo —, pelas altas colunas e pela atmosfera típica das grandes catedrais góticas. É de graça para entrar, mas atente que o horário de visitação é reduzido. Eu mesma cheguei pouco depois das 16h e já estava fechada. Ah, à noite, ocorre um espetáculo de luz e som no interior da igreja, veja as fotos.
Na frente da igreja, tem uma praça com um amplo gramado, que enche de vienenses em dias de tempo bom. Quando eu fui, em um final de semana, tinha gente tocando violão, gente passeando com o cachorro, gente jogando xadrez. Bem gostosa a vibe.
24. Prefeitura, Parlamento e Palácio de Justiça
Ali perto da igreja, também na Ringstrasse, ficam três prédios lindíssimos que merecem sua atenção: a Prefeitura de Viena (Rathaus), o Parlamento Austríaco e Palácio da Justiça (Justizpalast).
A Rathaus (Prefeitura de Viena) foi construída em estilo neogótico entre 1872 e 1883, em projeto inspirado nas prefeituras medievais da Bélgica e da Flandres, especialmente a de Bruxelas.

A torre central tem cerca de 98 metros de altura, coroada pela famosa Rathausmann, uma estátua de um porta-estandarte que se tornou um dos símbolos de Viena. A fachada rica em pináculos, arcadas, esculturas e detalhes ornamentais típicos do gótico. E tem uma grande praça em frente (Rathausplatz), palco de eventos como mercados de Natal, festival de cinema ao ar livre no verão e uma grande pista de patinação no inverno.
Um exemplo do estilo neorrenascentista, o Palácio da Justiça é outra joia arquitetônica dessa região. Mas esse impressiona principalmente pelo interior monumental, mais do que pela fachada. O destaque é o enorme átrio central, com uma escadaria de mármore, galerias em vários andares, teto envidraçado que ilumina o ambiente naturalmente e uma grande estátua de Justitia, deusa da Justiça, dominando o espaço. E o legal é que turistas podem entrar de graça (só abre durante a semana, veja os horários).
O Parlamento Austríaco (Parlamentsgebäude) também foi construído em estilo neoclássico como parte do conjunto monumental da Ringstrasse. Ele tem forte inspiração na arquitetura da Grécia Antiga, com colunas coríntias, frontões esculpidos e uma escadaria monumental.

25. Bares do Canal Danúbio
Nos meses mais quentes, um lugar muito massa para curtir o entardecer e o começo da noite em Viena são os bares do Donaukanal, o Canal Danúbio. Ali eu tomei uma cervejinha balançando os pés sobre o rio, com um belo luar no céu.
Não é o leito principal do rio, mas um braço que passa colado ao centro de Viena. Você caminha em uma faixa de passeio abaixo da avenida, passando pelos taludes cobertos de grafite. Ali tem bares para diferentes gostos, dos mais descomplicados a restaurantes arrumados.

Boa parte desses bares fica entre as pontes Augartenbrucke e a Schwedenbrucke. Praticamente debaixo da Salztorbrücke, está o bar que eu mais gostei, Taste. Era o mais animado numa noite em que todos os outros já estavam fechando.
Tem uma lanchonete coberta e também uma pequena área aberta com areia e espreguiçadeiras, uma mini praia em plena Europa Central. Serve hambúrgueres, tapas e porções, mas eu fui só para beber mesmo. Diante da minha indefinição do que pedir, o atendente mesmo escolheu minha cerveja e já abriu uma igual para ele hehe.
O Strandbar Herrmann tem uma “praia urbana” bem maior que a do Taste e programação com DJ em alguns dias. O Badeschiff é uma opção bem diferente: um barco ancorado no Canal Danúbio com bar, restaurante e até uma piscina ao ar livre na temporada de verão. O Motto am Fluss tem proposta mais elegante e é uma boa escolha para quem quer jantar com vista para a água sem abrir mão de uma experiência mais estruturada.
O NENI am Wasser combina cozinha mediterrânea-israelense e clima descontraído à beira do canal. É uma boa alternativa para quem quer comer melhor, não apenas beber. A Summerstage, junto à estação Roßauer Lände da linha U4, reúne restaurantes, terraços e eventos ao ar livre.
O OTTO Beach é um dos novos endereços de clima praiano no Donaukanal, com areia, drinks, lounges e vista para a água, ao lado do restaurante OTTO am Donaukanal, que aposta em grelhados, carnes, peixes e cozinha de inspiração mediterrânea.
Já o Flex, perto da Augartenbrücke, é mais associado à noite e à música do que ao happy hour clássico. É um clube e casa de shows conhecido em Viena, com programação de shows e DJs. Mas atente que boa parte desses estabelecimentos funcionam só nos meses mais quentes, normalmente, de abril a outubro.
26. O moderno MuseumsQuartier
Localizado no centro histórico mesmo, o MuseumsQuartier é um dos principais centros culturais de Viena e reúne museus (principalmente, de arte moderna e contemporânea), espaços de exposições, cafés e áreas de convivência em um mesmo complexo.

Você acessa o complexo por grandes passagens em arco abertas nos antigos edifícios barrocos que faziam parte das cavalariças imperiais (Hofstallungen). Ao atravessar esses portais, tem uma grata surpresa nos pátios internos, com bancos coloridos diferentões, algumas plantas e espelho d'água com pato e tudo.
Entre as instituições mais conhecidas estão o Leopold Museum (fotos acima), com arquitetura bem clean e uma importante coleção de arte austríaca moderna, e o mumok, dedicado à arte moderna e contemporânea. O complexo também abriga a Kunsthalle Wien, o Architekturzentrum Wien e o ZOOM Museu das Crianças, além de diversas iniciativas culturais menores. Cada um conta com sua própria bilheteria.
Ah, nos fundos do Leopold Museum, há um elevador panorâmico que leva ao terraço do prédio, onde há um bar ao ar livre. Fica na parte externa do museu, então não é necessário pagar ingresso.
27. Torre Danúbio e o escorregador mais alto da Europa
Com 252 metros de altura, a Torre do Danúbio é a estrutura mais alta da Áustria. Dois elevadores rápidos levam os visitantes às plataformas panorâmicas, localizadas a aproximadamente 150 metros de altura, com vista de 360 graus para a cidade, o Rio Danúbio, o Donaupark e as montanhas nos arredores. Não dá para ver os palácios e principais monumentos de Innere Stadt, porque fica mais distante, o mais longe que eu consegui identificar foi o Parque Prater. Mas é um dos melhores lugares para ver o pôr do sol.
Construída para a Exposição Internacional de Jardins de Viena de 1964, a Donauturm fica dentro do Donaupark, no 22º distrito da cidade. Você curte a vista de um mirante ao ar livre, cercado por uma grade. Ou pode aproveitar sentadinho no café e ou no restaurante giratórios, que completam uma volta lentamente enquanto os clientes permanecem à mesa.
Construída para a Exposição Internacional de Jardins de Viena de 1964, a Donauturm fica dentro do Donaupark, no 22º distrito da cidade. Eu peguei metrô e ônibus para chegar lá. Se você tiver tempo, vale chegar mais cedinho para curtir a área verde do parque, tem amplos gramados e áreas arborizadas.
Para quem gosta de aventura, a atração mais diferente é o escorregador instalado na parte externa da torre, considerado o mais alto da Europa. O percurso começa a 165 metros do chão e desce por uma estrutura de 40 metros até a plataforma de observação, a 150 metros. A gente usa um tapetinho para conseguir escorregar rápido. Pena que é tão rápido, em menos de dez minutos você já desceu. Precisa escolher se grita ou se admira a vista passando rapidão pelos seus olhos — parte da estrutura é transparente. É necessário comprar um ingresso separado, na boca do escorregador mesmo.

28. Rooftops de Viena
Viena também pode ser apreciada do alto. Alguns hotéis e edifícios modernos contam com bares e restaurantes que oferecem uma perspectiva diferente da capital austríaca. É uma ótima opção para tomar um drink ao pôr do sol ou encerrar o dia admirando os telhados históricos, a Catedral de Santo Estêvão e o Canal Danúbio. Mas costuma ser uma noite mais cara.
O mais famoso é o Das LOFT, no topo do SO/ Vienna, que promete a melhor vista de Viena. Com janelas do chão ao teto e um teto colorido e iluminado por uma instalação artística, o restaurante e bar oferece uma das vistas panorâmicas mais impressionantes da cidade, abrangendo o centro histórico, a Catedral de Santo Estêvão, o Canal Danúbio (fica às margens dele) e a roda-gigante do Prater.

Era necessário fazer reserva para jantar, mas não para frequentar a área do bar, que fica no centro do restaurante, um pouquinho mais afastado das janelas panorâmicas. A vista é tudo o que promete, o lugar tem uma pegada mais chique, mas ainda assim descontraída, perfeita para um date ou happy hour com os amigos. Mas preciso alertar que é um dos lugares mais caros que eu fui em Viena. E acho que o vinho que pedi (em taça) já estava aberto há um tempo, estava começando a azedar.
O Atmosphere Rooftop Bar, no The Ritz-Carlton, Vienna, é um dos rooftops mais elegantes da cidade, com vista para os telhados do centro histórico. Outra opção bastante procurada é o Lamée Rooftop, no Hotel Lamée. O terraço é menor e intimista, mas proporciona uma das vistas mais bonitas da Catedral de Santo Estêvão, especialmente ao entardecer.
Já o Aurora Rooftop Bar, no Andaz Vienna Am Belvedere, combina coquetéis, gastronomia nórdica e uma ampla vista para o Palácio Belvedere e para o horizonte da cidade. Quem procura um ambiente mais descontraído pode apostar no 360° Ocean Sky, no topo da loja de departamentos Haus des Meeres. O bar fica junto ao aquário instalado em uma antiga torre antiaérea da Segunda Guerra Mundial e oferece vista de 360 graus sobre Viena.
Outra alternativa é o Cayo Coco Rooftop Bar, no Hotel Motto, conhecido pelo clima tropical, pela carta de drinques e pela vista sobre os telhados do bairro de Mariahilf.
Quem visita a Torre do Danúbio pode aproveitar para conhecer Turm Café, a 160 metros de altura, serve cafés, bolos, brunch, coquetéis e refeições leves. Um andar acima, a 170 metros, o Turm Restaurant oferece pratos da culinária austríaca. E ambas as experiências são giratórias: tem plataformas giratórias perto do topo, proporcionando a todos os clientes uma visão de 360 graus da cidade.
29. Ônibus panorâmico - hop-on hop-off
O ônibus turístico hop-on hop-off é uma alternativa prática para conhecer os principais pontos turísticos de Viena, especialmente para quem quer otimizar o tempo. Os veículos de dois andares, com parte superior aberta, percorrem as principais atrações da cidade e permitem embarcar e desembarcar quantas vezes quiser dentro da validade do bilhete.

As duas rotas principais passam por cartões-postais como a Ópera Estatal, Mariahilfer Straße, Stadtpark, Palácio de Schönbrunn, Hofburg e Belvedere. Durante o trajeto, há comentários gravados com informações sobre os locais visitados, inclusive em português.
Os ingressos podem ser de 24 ou 48 horas, contadas a partir da primeira utilização. O bilhete de 48 horas ainda inclui um tour guiado a pé com audioguia. Antes da viagem, vale conferir o mapa atualizado das rotas e das paradas, já que algumas podem ser alteradas temporariamente por eventos, obras ou outras mudanças operacionais. Você pode fazer a reserva aqui.
30. Bate-volta partindo de Viena
A boa conexão por trens, ônibus e passeios organizados facilita a visita a outros destinos da Áustria e até de países vizinhos. Para quem tem mais dias na cidade, vale reservar uma jornada para conhecer paisagens naturais, cidades históricas, abadias e regiões vinícolas próximas. Seguem algumas sugestões:
Vale do Wachau
As ruínas do Castelo de Dürnstein, a Abadia de Melk, a região vinícola de Krems e os belos vales do Danúbio e do Wachau compõem uma das excursões mais populares saindo de Viena. Veja mais informações.
Bratislava
É possível conhecer a capital da Eslováquia em um passeio de um dia. Bratislava pode ser alcançada por trem, ônibus ou barco. Dependendo do transporte, leva menos de uma hora. Essa excursão aqui vai de ônibus, inclui um passeio pelo centro histórico da cidade na companhia de um guia, e o retorno de barco a Viena.
Baden bei Wien
A cidade de Baden é uma graça e fica a cerca de 30 minutos de carro. Tem arquitetura elegante, belos parques e fontes de águas sulfurosas exploradas desde a época dos romanos. É possível ir de trem também.
Salzburg
Visitar em um único dia a cidade do Mozart já fica mais corrido. Até é possível, leva cerca de 2h30min de trem, mas eu acho melhor ficar pelo menos uma noite, até porque a passagem não é tão barata. A cidade é lindíssima, não deixe de percorrer os jardins do palácio e subir no castelo no topo do morro.
Hallstatt
É cansativo, mas possível visitar esse vilarejo de conto de fadas alpino partindo de Viena. Teria que ir com carro próprio ou excursão de ônibus, bate-volta de trem eu acho inviável. Veja mais detalhes nesse link.
31. Feiras de Natal
Entre meados de novembro e o fim de dezembro, praças, palácios e ruas históricas de Viena ganham luzinhas, árvores decoradas e várias barraquinhas de madeira. As tradicionais feiras de Natal, chamadas de Weihnachtsmärkte ou Christkindlmärkte, vendem enfeites, peças de artesanato, presentes, doces e bebidas quentes, como o Glühwein, semelhante ao vinho quente.
A feira mais famosa é o Wiener Christkindlmarkt, montado diante da Prefeitura de Viena, na Rathausplatz. Além das barracas, o evento costuma ocupar o parque da prefeitura com iluminação especial, atrações para crianças e uma pista de patinação no gelo. É também uma das feiras mais movimentadas da cidade.
Outros mercados bastante procurados são os realizados diante dos palácios de Schönbrunn e Belvedere, que ganham um cenário ainda mais especial no período natalino. No centro histórico, também há feiras na Stephansplatz, em Am Hof e na Freyung. Já o mercado de Spittelberg ocupa pequenas ruas cercadas por edifícios antigos e tem um ambiente mais intimista, enquanto a feira da Karlsplatz se destaca pela oferta de arte e artesanato.
Como cada feira tem período e horário próprios, vale conferir a programação oficial antes da visita. Algumas encerram antes do Natal, enquanto outras continuam funcionando até o fim de dezembro ou até o início de janeiro.
Vale comprar o Vienna Pass?
O Vienna Pass pode valer a pena para quem pretende fazer um roteiro bem intenso, com várias atrações pagas em poucos dias. Ele é um passe turístico com entrada em mais de 80 atrações, incluindo algumas importantes como Palácio de Schönbrunn (o ingresso básico), Belvedere, Albertina, Leopold Museum, Hofburg, Museu de História da Arte e Museu de História Natural. Também tem passeio de barco e ônibus hop-on hop-off da Vienna Sightseeing.
O que eu recomendo é fazer as contas antes de comprar. Eu listei as atrações que iria visitar, somei os ingressos avulsos e comparei com o valor do passe para a quantidade de dias da sua viagem. O Vienna Pass tende a compensar se você pretende entrar em muitos museus e palácios. Mas saiba que esse vai ser um roteiro cansativo, se você já está há bastante tempo na Europa, talvez peça arrego hehe.
Como eu viajei para fazer esse guia, precisava conhecer muitas atrações pagas, então peguei o passe de seis dias e economizei muita grana. Mas se eu fosse de férias, escolheria menos atrações e tentaria realmente curtir elas, sabe?
Também existe uma modalidade do Vienna Pass que não funciona por número de dias consecutivos, mas por número de atrações — chama-se Vienna FLEXI Pass. Vale considerar também. Veja mais informações no site oficial.
Jéssica Weber